"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sábado, 26 de novembro de 2016

A parábola das dez virgens




Como interpretar uma parábola
Critérios gerais
Devemos adotar como critério de análise de parábolas os mesmos adotados pelo Senhor quando da Parábola do Semeador. 
1.   Buscar seu ensino geral;
2. Identificar, quanto possível, personagens pela participação desses na construção desse ensino geral.

Em muitos casos, tal padrão exige o conhecimento de particularidades culturais da época, o que torna o “explicar” parábolas um exercício complexo e difícil. Isso decorre do fato que Jesus é judeu e falou - as parábolas - com judeus sobre "coisas" judaicas dentro do tempo e do espaço.
Um alerta
Sabendo que a parábola é um recurso de linguagem cuja finalidade é ilustrar e fundamentar o ensino, e não o reproduzir integralmente, devemos evitar a pormenorização, isso pode levar à sua “personalização” - dar a parábola o que ela não tem. Ou apenas "aplicarmos suas verdades”, que na realidade estamos "rezando um catecismo religioso das nossas convicções" e não falando das grandezas do Senhor.

Para entendermos esta parábola devemos saber que ela faz parte e completa um discurso do Senhor sobre os acontecimentos futuros.

Então leiamos a partir do contexto em que se encontra a parábola (Mt 24.1ss):
...chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. (Mt 24:1-3)

Toda argumentação a partir deste ponto, chegando à Parábola das dez virgens, está relacionada ao questionamento dos discípulos: 
Quando serão essas coisas – destruição do templo; 
O sinal da vinda do Senhor; 
E os sinais do fim do mundo.

Tomando o questionamento dos discípulos, é possível que tais eventos venham a ocorrer em momentos diferentes. Pois, não faz sentido que eventos simultâneos - ou o mesmo evento - apresentem sinais diferentes antecipando sua consumação.

E seguem as respostas dadas pelo Senhor:
Advertências para que eles não fossem enganados, (Mt 24:4) alertando-os para o surgimento de falsos Messias (Mt 24:5). Tal argumento tem sentido apenas para quem agurda o Messias, Israel- e isso não se aplica à Igreja, que jamais esperou ou espera por um Messias!
E continua: 
Os que estiverem na Judeia fujam para os montes; e sobre O inverno e 
sábado,  deixando claro uma região específica na terra; um dia especial 
para um povo (Mt 24:16,20)  

Os detalhes aqui apresentados permitem identificar um povo em particular e geograficamente localizado. Tomando o clima, locais e religião próprio é possível relacioná-los aos judeus: 
Somente o uso de uma hermenêutica equivocada poderia, neste contexto, desconsiderar que tais descrições relacionam-se com os judeus. Não podemos tirar Israel - nascidos de Isaque, descendentes na carne de Abraão, para os quais Deus tem promessas irrevogáveis - do centro dos acontecimentos aqui descritos.  

O contexto anterior imediato
A partir do v. 37, utilizando o dilúvio do tempo de Noé, é introduzido o conceito de juízo da parte de Deus (Mt 24:37-39).  
"Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem". 
O JUÍZO explicado relaciona-se à observância da vinda do Senhor:  
"vigiai pois não sabeis a hora da vinda do Senhor" (Mt 24:42,44), com recompensa (Mt 24.46) e juízo (Mt 24.51)

O contexto posterior imediato
O cap. 25 é composto, além da Parábola das dez virgens, por outras duas parábolas. Apesar de tratarem do mesmo tema - a vinda do Senhor, a recompensa pela fidelidade - há diferenças entre elas que são determinantes para o nosso entendimento.

Poderiam estas parábolas, para seu cumprimento, obedecerem ao programa de Deus obedecendo um critério cronológico presente em Mt 24? Primeiro a Parábolas das dez virgens e por fim o Julgamentos das Nações?


A Parábola dos talentos usa o termo homem e o coloca se ausentando depois voltando ao um país - um local definido aqui na terra (14). Já a parábola do julgamento das nações, usa o termo Filho do Homem – chamado de Rei (40) e coloca sua realização aqui sobre a terra (31).

No entanto, a Parábola das dez virgens, há o termo noivo sem definir um local aqui na terra onde ocorrerá, apenas diz que ele abriu e fechou a porta para as virgens entrarem.    

Isto garante que o teor da parábola das dez virgens preserva e se submete ao tema desenvolvido anteriormente: JUÍZO associado à observância da vinda do Senhor - mas não podemos garantir que sua consumação se dará aqui na terra.

A parábola das 10 virgens, desta forma, está inserida neste contexto de advertências associadas à imprevisibilidade da hora da vinda do Senhor – o segundo questionamento feito pelos discípulos. E temos tal confirmação em seu último verso em que reafirma a necessidade de vigiar ante a imprevisibilidade da hora da vinda do Senhor  (Mt 25.13).

A Parábola
Antecipando-nos à análise, encontramos seus personagens (Mt 25-2-4): dez virgens, noivo, anunciante – o que grita (v. 26), ainda azeite, lâmpadas e vasilhas e eventos. Como anteriomente dito, nem todos os termos citados pelo Senhor exigem siginificados que não sejam literais. 


Devemos iniciar a leitura sob a perspectiva: é uma parábola sobre premiaçaão e juízo associados à vinda do Senhor.

Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. (Mt 25:1)

O Reino dos Céus
A parábola ensina sobre o reino dos céus utilizando-se de dez virgens. Logo, devemos conhecer o que o Senhor ensinou a esse respeito. 
1.   É um termo exclusivo de Mateus,
2.   A ideia é de uma ação soberana dos céus;
3.  Uma promessa relacionada a o Messias – anunciado por João (3.2) e confirmado pelo Senhor (4.17);
4.   Acessá-lo exigia mudanças interiores - arrependimento, obediência, justiça. (3.2; 4.17; 5.19; 7.21). Garantindo-lhe seu caráter transcendente;
5.   Sua consumação envolverá a celebração contará com os patriarcas judeus - Abraão, Isaque e Jacó. (8.11);
6.   Seus mistérios (13.11) fez com que muitas parábolas fossem utilizadas em seu ensino;
7.   Sua última citação ocorre aqui.
Associado a chegada do Messias para Israel. Anunciado por João, o batista, Confirmado pelo Senhor, conforme lemos em Mt 4.17. e que na parábola anuncia o seu cumprimento no futuro – o tempo do verbo será. Ou seja, ainda a ser consumado. 
Israel, a Igreja e o Noivo
Em nenhuma local das Escrituras há promessas em que a nacão Israel está a espera de um noivo. O grande anseio de Israel é a chegada do seu Rei.  Mas, as virgens saem ao encontro do noivo – notem que o texto NÃO diz que o noivo pertence às virgens. Tampouco, é utilizado o termo NOIVA. A Igreja não é convidada para bodas, pois a Igreja é a noiva!! Sem ela não há bodas!!! Logo, não há citação direta sobre a Igreja na parábola. 

Os dois grupos
As virgens – e não noivas, nem amigas da noiva- são identificadas como insensatas e prudentes (25.2). O único critério que identifica os grupos, as insensatas não levaram azeite (25.3); já as prudentes, junto com suas lâmpadas, levaram azeite em vasilhas. (25.4).

A espera (Mt 25:5-9)  
O comportamento dos grupos - para espera e encontro com o noivo é o mesmo, ambos dormiram, diante da “demora” do noivo (25.5). Sem que sejam condenadas por isso. 
Quando repentinamente – meia-noite – é anunciada a presença do noivo, surge a necessidade do azeite. O azeite para as lâmpadas é uma exigência para chegarem ao noivo. A despeito da mesma aparência, são virgens, do mesmo comportamento - esperaram e dormiram, surge a distinção: a provisão necessária para chegar ao noivo. 

Saí-lhe ao encontro (Mt 25.6)
Ao ser anunciado o Noivo é dito para as virgens sairem ao seu encontro. Sugere que as virgens estão em um local diferente do noivo, e elas que irão ao Noivo e não ele a elas.  

A importância do azeite
A recusa em compartilhá-lo, longe de parecer egoísmo das virgens prudentes, exibe o seu caráter de prontidão - vigiai! - em oposição às insensatas, pois, estas sabiam da sua existência - juntas preparam-se, juntas esperaram e juntas dormiram. O erro se deu por negligência, descaso - um erro de princípio ou preparo para consumar a jornada. (25.29).

O lapso de tempo entre a chegada das virgens prudentes e das insensatas deixa claro a importância da prontidão, pois, ao final ambas tinham o azeite!!! ambas chegaram ao noivo!!! Entretanto, em momentos diferentes.

O significado do azeite
Devemos evitar dar um "significado" para o azeite que não o seu significado literal - azeite. Ele está no texto como um combustível, nada mais que isso. 
Ao tentarmos "traduzi-lo" como Espírito Santo ou algum dom, esbarramos em dificuldades. Ele foi vendido, e após ser "comprado", mostrou-se genuíno, pois permitiu o acesso ao noivo, contudo, foi desconsiderado pelo Senhor. Portanto, não faz sentido o azeite ser o Espírito de Deus. 
Entendo que o azeite é determinante para ensinar a diferença entre os grupos, mas não devemos "vê-lo" como o Espírito de Deus. Além do ensino não exigir tal interpretação, leva a erros doutrinários.
O ensino é sobre a necessidade de vigiar, e o azeite é o meio de manter a luz acesa - em um único e determinado perídodo - garantindo a chegada até o noivo. 

As prudentes
As virgens – como escrito anteriormente, não são a noiva, nem é dito que são suas amigas. No caso, parece-me que elas são esperadas, pois é o próprio noivo quem as recebe e fecha a porta após elas (25.10), dando-nos entender que elas eram necessárias ou esperadas nas bodas, mesmo que chegando já adiantada a festa.

As insensatas 
Após a providência do azeite, as insensatas conseguem chegar ao Senhor, fazem exigências para que a porta lhes seja aberta. E chamam o noivo de Senhor, em obediência tardia (25.11). É singular a receptividade a elas dispensada: não eram conhecidas pelo noivo (25.12), assim, não eram esperadas portanto, "permaneceram" fora das bodas.
O noivo e Senhor
Deve ser identificado com Jesus – pois, assim se chamou (Mt 9.15).

Quando ocorrerá e quem representam as virgens
O anuncio da hora que o noivo se apresenta para as virgens – meia-noite – dá entender que já estava adiantada a celebração das bodas.

Como vimos, não há indícios que os fatos descritos na parábola ocorrerão na terra, e em acordo com o pressuposto Pré-tribulacional e Pré-milernar, as bodas ocorrerão nos céus, após o arrebatamento e aantes da vinda do Rei.

Sabemos que o período anterior e posterior à saída da Igreja - o Arrebatamento - é um tempo de apostasia, em que uma multidão de crentes nominais - virgens insensatas - serão o "cristianismo". 
As virgens prudentes, são judeus saídos desse cristianismo apóstata, sabem das bodas do Noivo e para Ele vão. 
Portanto, as virgens da parábola não representam a Igreja, tampouco, Israel. Pois, A Igreja já está nos céus e Israel ainda aguarda a vinda de seu Rei aqui na terra. 

Há outras possibilidades?
Claro que há, mas essa perspectiva deve ser considerada. E devemos fazê-lo agora, pois além de nos santificar, devemos saber que no céu não se permitirão profecias.

Que o Santo seja bondoso conosco.

A Ele toda a honra.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A Esperança


... e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós; (1 Pe 3:15)

É perceptível a pouca importância dada ao sentido das palavras. A própria linguagem, tão poderosa, está sendo reduzida, tornando-se incapaz de oferecer o real sentido aos objetos, aos sentimentos, ao mundo. E isso afeta profundamente a vida e tudo que ela representa, pois, a falência dos significados é a falência da própria vida. 

As pessoas cada vez menos desejam entender o que cada palavra propõe, e equivocadas em seus desejos, dão seu próprio significado a vida. O caos as espreita. 

Essa autonomia permitiu a perda do significado de verdades fundamentais da vida... o que faz com que ela, banalizada, lentamente, perca seu sentido. Vive-se sob uma realidade líquida e sem forma onde cabem todas as “verdades” - um "tempo de coisa nenhuma em direção ao nada". (1 Co 1.20, 27)

O pensar passou a ser determinado pelo lazer de um lado e a aversão do outro, nada além disso. O agradável é aceito como verdadeiro, aquilo que questiona o prazer é rejeitado, tornando-se mentira. Nenhuma reflexão fora desta dinâmica orienta ou faz sentido. 

Os pensadores falam a respeito dela apenas por meio de divagações vazias e superficiais – apenas pão e circo. Com isso, perdem-se os significados: da beleza, do amor e, principalmente, da esperança – deixando-a longe da Esperança de "outrora". (Gl 5.8)

A ideia de que não vale a pena pensar, não vale a pena rever os fundamentos da vida, destruiu a possibilidade de saber da Esperança. (1 Tm 6.17)

É oportuno resgatar seu significado, seus valores e propósitos pela importância da Esperança na vida. Desafiando àqueles que, em seu estado de prazer, precisam acolher a verdade da Esperança. (Rm 5.5)

O que é Esperança? 

A Esperança e sua importância prática  
Pode-se afirmar que a esperança é o guia da vida. Tudo que pensamos, fazemos, falamos e somos expressam-na, e por ela são determinados. Ela permeia todo nosso ser, queiramos ou não. 
A cosmovisão de cada um depende e reflete sua esperança. Quanto mais sólida a esperança, mais pacífica e ordeira a vida passa a ser. Toda a crise experimentada - crimes, adultério, corrupção, desordem, drogas, infelicidade - decorre, em grande parte, da relação do indivíduo com sua esperança - ou com a falta dela. Assim, ela determina o presente. (Rm 12.12)

A Esperança e sua relação com o futuro 
Ela, obrigatoriamente, está localizada em um ponto futuro e a ele nos une. A certeza de seu cumprimento é indiscutível, influencia o pensamento e garante a conduta. Ela é a certeza do futuro, logo não dependerá daquele que espera. Caso dependesse, não seria Esperança, mas, apenas espera - ocorrendo no tempo daquele que espera. A esperança depende de alguém fora e acima daquele que espera. Aquele que tem poder sobre todas as variáveis e até sobre o tempo, de forma que seja capaz de consumá-la. (Cl 1.15)

A Esperança e sua natureza
Aqui temos uma luta conceitual afim de diferenciar o que é Esperança e o que é conquista. 
A conquista depende do mérito, e a este premia – a dívida que o mérito exige. Não se pode relacionar esperança ao mérito pessoal, definitivamente isso não é esperança, isso é conquista. Nem tudo aquilo que esperamos é esperança. Se há mérito envolvido não é esperança, mas a justa espera da retribuição. 
Já, a Esperança não depende do mérito daquele que espera, ela decorre da bondade dAquele que a consumará. Não está premida pela dívida, mas sim pelo amor. (Gl 5.5)

A Esperança e o seu objeto
Este ponto contribui para esclarecer o anterior: a Esperança, obrigatoriamente, une-nos ao que é impossível a ser obtido pelo mérito. A Esperança sempre estará fora da capacidade de conquista do homem. Tudo aquilo que podemos fazer, obter ou construir não pertence à Esperança. O objeto da esperança é o impossível de ser conquistado (Cl 1.5,27). 
A Esperança deve ser concebida, primariamente, pela compreensão dAquele que prometeu (Rm 5.5) e de seu objeto “não esperável”. Assim, estamos falando do relacionamento com o “não esperável” - fora do universo de conquistas humanas (Tt 1.2).

A Esperança e seus valores
Resta-nos reconhecer que é necessário trazer “o não esperável” para dentro de nosso mundo, para nossa realidade. É necessário definir o arranjo conceitual e nele inseri-la.
Como conceito, é percebida pela fé, molda a conduta e exige o conhecimento de seu objeto e de seu autor. Contudo, depende apenas, para sua consumação, de seu Autor. (1 Tm 4.10; 6.17)


Sim, é preciso acreditar em tudo que se encontra nos “arredores da esperança”. Mas, a fé deve ser entendida dentro de sua real eficácia: um sinal interior que nutrirá o que espera com a certeza de sua consumação. Contudo, devemos afirmar que a fé não é a Esperança, nem a garantia de sua realização.

CONDUTA.
É um sinal exterior que a esperança exige. A disposição interior que é capaz de orientar as escolhas, que evidencia a certeza que a Esperança se consumará - “aquele glorioso dia”. Mas, o comportamento identifica a Esperança, mas não é a esperança, nem a garantia de sua consumação.

AUTOR.
Sim, é preciso que aquele que prometeu seja suficientemente poderoso para GARANTIR que todas as coisas relacionadas à esperança se consumarão. 
É necessário um real relacionamento entre aquele que espera e o autor da Esperança.
Saber de seu poder, seu amor e cuidado, pois só assim saberá de sua capacidade em cumprir todas as promessas – Esperança.
Como resultado haverá paz naquele que espera, pois, sabedor que nenhum mérito ou poder seu será exigido, mas apenas o poder dAquele que, em amor, prometeu, pois é fiel e não negará a Si. (Rm 15.3)

Sim, há uma única Esperança (Ef 4.4)- a eternidade com o Senhor, um único fundamento - Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 
Bendito seja o Senhor Deus, Pai de nosso Deus e Salvador e seu Espírito que mantém viva nossa esperança. 
A Ele toda a honra e glória pelos séculos. 

Amém. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A família segundo Deus: Introdução


É comum ouvirmos – de líderes, pastores e cristãos em geral - ou lermos orientações para casais, casamento, filhos... família, sem que haja a correta e necessária separação entre o que o mundo atribui ao termo e o que Deus planejou, criou e revelou nas Escrituras. 



Comete-se um grande erro quando, a partir do que vemos e sabemos, a respeito de família que está diante de nós, acreditamos ser o modelo original de Deus. 

Para que entendamos o que se passou ou quais mudanças houve, precisamos recorrer as Escrituras, pois nela temos todo o ensino a respeito da grande mudança que sobreveio à “família de Deus”.

No capítulo 19 de Mateus, Deus nos deixou um precioso texto a respeito da família em dois diferentes momentos da história humana. Entendê-los é fundamental para nos alinharmos à mente de Deus e separarmo-nos da “sabedoria deste século”. 

Vejamos o que Deus nos ensina:

O argumento inicia-se com fariseus que desejam testar o Senhor a respeito do repúdio da mulher pelo marido – em nosso tempo, podemos chamar de separação dos pais, portanto sobre família. 

Em resposta à questão, Jesus diz (v. 4): [Deus] “fez no princípio macho e fêmea os fez”. O termo “princípio” reporta-nos ao momento da história em que Deus criou sua família – “macho e fêmea os fez”. 

Em seguida, v. 5 explica-nos quando ocorreu “o princípio” (v. 4):
“Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”. 
Não há dúvidas a respeito do tempo que se refere o termo “princípio”: precisamente momento da criação da mulher realizada por Deus – livro de Gênesis 2.18-24.

É sempre bom lembrarmos que o contexto da criação utilizado pelo Senhor é ANTERIOR ao pecado de Adão, é ANTERIOR à morte. Um tempo do qual não há registro material – exceto as Escrituras. Sem morte, sem dúvida, a natureza humana completamente diferente da que hoje temos e conhecemos. 

Ainda sobre o tema (v. 8), Jesus afirma que Moisés permitiu a separação em virtude da “dureza de coração” dos hebreus. O termo dureza de coração ao longo das Escrituras é uma metáfora do pecado. 

No contexto, o termo "Moisés" deve ser entendido como o próprio Deus. Pois, se refere a autoria de textos do Velho Testamento. Portanto, Deus foi quem concedeu ao povo o “direito” de separa-se.

Que fato fez com que Deus no princípio afirmasse que o homem e mulher fossem uma só carne, para que depois, por meio de Moisés afirmasse que homem e mulher já não fossem uma só carne? O que explicaria? O motivo? Algum evento ocorrera entre o “princípio” em Gênesis e o tempo da “carta de divórcio” de Moisés em Deuteronômio para que Deus permitisse tal carta. E o texto responde: a dureza de coração do povo – o pecado. 

E, depois volta a afirmar que não foi assim desde o “princípio”. Ou seja, no “princípio” não havia necessidade de tal instrumento pela ausência da “dureza de coração”. Leiamos assim: a família de Deus é anterior ao pecado. A família que subsistiu, sob o pecado e a morte, não é a família de Deus. 

Sim, estamos diante de uma detalhada e esclarecedora descrição sobre a grande mudança que ocorreu com a família criada por Deus no “princípio” e a família do “tempo de Moisés”: os efeitos do pecado no mundo, inclusive na esfera familiar. 

Só assim podemos entender o que Deus construiu segundo seu caráter e sua santidade que ficou no Éden e o que vemos. Portanto, é correto trazer à discussão os efeitos do pecado sobre a humanidade e consequentemente sobre a família. Mesmo parecendo pessimista, as Escrituras garantem que a família criada por Deus sucumbiu ao pecado (Rm 3.23).

A correção conceitual será feita somente se submetida ao conhecimento de Deus e de Seu propósito para família. É vã a busca de soluções ou conceitos originados no humanismo em geral, na psicologia, na filosofia e nas religiões, decerto, de lá nenhuma utilidade será obtida. 

Não que Deus tenha sido “incapaz” de preservá-la, mas repousa sob mistérios a escolha livre de Adão pelo mal. E ainda o fato da total incompatibilidade entre Deus e o primeiro Adão, em que Deus puniu a todos: homem, mulher, natureza, o próprio satanás, trazendo a morte como pena pelo pecado.

Em Cristo, e apenas Nele, Deus, de certa forma, nos remete ao princípio, em que podemos olhar para nossas esposas e dizer: Carne de minha carne, ossos de meus ossos... recriada em santidade e trazida por Deus. 


A Ele toda honra e glória.

A família segundo Deus: Introdução


É comum ouvirmos ou lermos – líderes, pastores e cristãos em geral - orientações para casais, casamento, filhos... família, sem que haja a correta e necessária separação entre o que o mundo atribui ao termo e o que Deus planejou, criou e revelou nas Escrituras. 


Comete-se um grande erro quando, a partir do que vemos e sabemos a respeito de família, acreditamos ser o modelo original de Deus para o mundo. 

Para que entendamos o que se passou ou quais mudanças houve, precisamos recorrer as Escrituras, pois nela temos todo o ensino a respeito da grande mudança que sobreveio à “família de Deus”.

No capítulo 19 de Mateus, Deus nos deixou um precioso texto a respeito da família em dois diferentes momentos da história humana. Entendê-los é fundamental para nos alinharmos à mente de Deus e separarmo-nos da “sabedoria deste século”. 

Vejamos o que Deus nos ensina:

O argumento inicia-se com fariseus que desejam testar o Senhor a respeito do repúdio da mulher pelo marido – em nosso tempo, podemos chamar de separação dos pais, portanto sobre família. 

Em resposta à questão, Jesus responde (v. 4): [Deus] “fez no princípio macho e fêmea os fez”. O termo “princípio” reporta-se ao momento da história em que Deus criou sua família – “macho e fêmea os fez”. 

Em seguida, v. 5 explica-nos quando ocorreu “o princípio” do v. 4: “Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”. Não há dúvidas a respeito do tempo que se refere o termo “princípio”: precisamente momento da criação da mulher realizada por Deus – livro de Gênesis 2.18-24.

É sempre bom lembrarmos que o contexto da criação utilizado pelo Senhor é ANTERIOR ao pecado de Adão, é ANTERIOR à morte. Um tempo do qual não há registro material – exceto as Escrituras. Sem morte, sem dúvida, a natureza humana completamente diferente da que hoje temos e conhecemos. 

Em um segundo momento – Mt 19.8 – e ainda relacionado ao questionamento feito pelos fariseus, Jesus afirma que Moisés permitiu a separação em virtude do pecado – “dureza de coração”. 

No contexto, o termo Moisés deve ser entendido como o próprio Deus. Pois, se refere a autoria de textos do Velho Testamento. Portanto, Deus foi quem concedeu ao povo o “direito” de separa-se. 

O motivo? Algum evento ocorrera entre o “princípio” em Gênesis e o tempo da “carta de divórcio” de Moisés em Deuteronômio para que Deus permitisse tal carta. E o texto responde: a dureza de coração do povo – o pecado. 

E, depois volta a afirmar que não foi assim desde o “princípio”. Ou seja, no “princípio” não havia necessidade de tal instrumento pela ausência da “dureza de coração”. Leiamos assim: a família de Deus é anterior ao pecado. A família que subsistiu, sob o pecado e a morte, não é a família de Deus. 

Sim, estamos diante de uma detalhada e esclarecedora descrição sobre a grande mudança que ocorreu com a família criada por Deus no “princípio” e a família do “tempo de Moisés”: os efeitos do pecado no mundo, inclusive na esfera familiar. 

Só assim podemos entender o que Deus construiu segundo seu caráter e sua santidade que ficou no Éden e o que vemos. Portanto, é correto trazer à discussão os efeitos do pecado sobre a humanidade e consequentemente sobre a família. Mesmo parecendo pessimista, as Escrituras garantem que a família criada por Deus sucumbiu ao pecado (Rm 3.23).

A correção conceitual será feita somente se submetida ao conhecimento de Deus e de Seu propósito para família. É vã a busca de soluções ou conceitos originados no humanismo em geral, na psicologia, na filosofia e nas religiões, decerto, de lá nenhuma utilidade será obtida. 

Não que Deus tenha sido “incapaz” de preservá-la, mas repousa sob mistérios a escolha livre de Adão pelo mal. E ainda o fato da total incompatibilidade entre Deus e o primeiro Adão, em que Deus puniu a todos: homem, mulher, natureza, o próprio satanás, trazendo a morte como pena pelo pecado.

Em Cristo, e apenas Nele, Deus, de certa forma, nos remete ao princípio, em que podemos olhar para nossas esposas e dizer: Carne de minha carne, ossos de meus ossos... recriada em santidade e trazida por Deus. 


A Ele toda honra e glória.

sábado, 17 de setembro de 2016

SABE, porém, isto... (2 Tm 3:1-5)


SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. 2 Tm 3:1-5

Há termos presente no texto, que a eles devemos dar grande atenção. Notem: “Nos últimos dias, Homens amantes de si mesmo, Soberbos, Desobedientes aos pais, Incontinentes, Mais amigos dos deleites que de Deus”.

A partir deles podemos construir um cenário, e é assustador. 

Nele há ruptura completa com os valores do passado, uma nova ordem que mesmo que se organize coletivamente, ela nasce e expressa o coração das pessoas. São as características humanas que moldam o cenário.

Nele os homens por amarem mais a si mesmos romperam com valores baseados no amor – família, amigos etc.

Pela soberba, colocam-se como prioridade e pouco caso fazem de seus pares ou compromissos, romperam com solidariedade.

Romperam com os pais, por esses representarem a autoridade do passado, mas estão ávidos por uma autoridade - nova e externa - que lhes seja moderna e lhes garanta o rompimento com as estruturas estabelecidas.

Não há afeição natural, assegura o Senhor, romperam com os limites da natureza humana.

Diz ainda, que romperam com as pessoas de bem e por fim romperam com Deus - a moral, a ética, a história... toda a verdade de Deus.

Um aspecto que agrava ainda mais esse cenário: a associação do termo, "mais amigos dos deleites do que amigos de Deus", com o termo, "tendo aparência de piedade entretanto negando a eficácia dela - da fé".  

Não se poderia achar em apenas duas frases a descrição mais completa e perfeita do cenário em que se encontra a Igreja do Senhor. Pessoas sem temor ao Senhor, vestidas de religiosidade, nominam-se crentes no Altíssimo. Contudo negam-na, pelo fato dessa fé não lhes permitir arredar os pés dos deleites - muitas vezes ocultos - não autorizados pelo Senhor.  

É o coração do homem cooperando e se regalando com o mal. Sua satisfação e busca do prazer, a paixão por si mesmos pela rejeição da Verdade. 

Os emissários de satanás - oportunistas do mal - dirão que sempre foi assim, que o Cristianismo é alarmista e retrógrado, sempre à procura dos indícios do “fim do mundo”.

Os inimigos da cruz, que conosco convivem, já trazem esse perfil, e alimentam o coração de seus filhos para que assim vivam, tentarão dissimuladamente introduzir e incentivar tais condutas na Igreja do Senhor.

É bom atentarmos para a Palavra do Senhor, anteciparmo-nos ao discurso do mal, percebermos suas nuances, pois nele está o fundamento desse cenário. 

"Sabe, porém isto" diz o Apóstolo  reforça-nos a ideia de prontidão para alertar a Igreja a respeito do contexto que vivemos – a maldade do coração do homem construindo o mundo até que... "manifeste o homem do pecado, o filho do perdição”.

Alertemos a todos e afastemo-nos destes.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O batismo salva. Ou não?


Surgem, vez por outra, questionamentos a respeito do batismo. Sua eficácia, seus valores etc. Deixando de lado sua forma, para não incomodar os irmãos que aspergem água sobre seus seus batizandos, vamos verificar algumas particularidades e relacionamentos entre o batismo e a salvação dos crentes. 

O batismo, de fato, salva ou não salva? 

Para responder a este questionamento é preciso entender o que vem a ser e qual a história do batismo nas Escrituras, em especial no Novo Testamento.

E eram por ele batizados no [rio] Jordão, confessando os seus pecados (Mt 3:6). 
E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e [com] fogo. (Mt 3:11)

O texto de Mt 3.6 traz o primeiro registro do batismo no Novo Testamento. E esse foi realizado por João ("O Imersor", segundo André Chouraqui; judeu, especialista em línguas semíticas, tradutor do Ev. de Mateus)

Muita importância há nele, pois seu contexto esclarece um aspecto fundamental sobre o batismo. João afirma que “seu” batismo eram apenas sombras, pois viria um “outro batismo”. Ele diz: “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo... (Mt 3:11)

Sim, João anuncia um batismo, ainda a acontecer, que seria feito, não em água, mas no Espírito. Isso nos ajuda a entender a natureza transitória de sua obra.  Sim, o batismo de João - assim como toda sua obra – era apenas uma preparação para a vinda do Senhor, como diz o profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. (Mt 3:3)

Portanto, o batismo de João é precursor e sombra do batismo no Espírito - nossa união com Cristo (1 Co 12.13). Onde estão incluídos todos os benefícios conquistados por Cristo em nosso favor. 

Este batismo salva, porquanto feito por Deus, unindo-nos misticamente a Cristo. Homem algum fez ou jamais fará tal batismo. 

Mas, ao chegarmos ao fim dos Evangelhos lemos: 

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19). 

Não temos o que duvidar: o batismo, em voga neste mandamento, nenhuma semelhança há com o que lemos a respeito do batismo de João e o batismo no Espírito. Este feito por Cristo (conf. Jo 1.33), pelo próprio Espírito (conf. 1 Co 12.11) e pelo próprio Deus (conf. Jo 3.34), aquele agora confiado a homens, aos discípulos.  

Em nenhuma parte das Escrituras há relação entre o batismo realizado por João e o batismo confiado às nossas Igrejas, exceto pelo elemento utilizado – a água.

O que fazemos, inversamente a João, é contemplarmos o batismo passado feito por Deus - no Espírito Santo - e simbolicamente o reproduzimos utilizando como elemento a água. Nenhuma contribuição mística há nele  para a salvação eterna.  

Este batismo, simbólico, representa a morte do velho homem e a ressurreição do crente - fazendo sentido ser por imersão; e torna público seu efetivo vínculo e compromisso com sua nova família.