"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A família segundo Deus: Introdução


É comum ouvirmos – de líderes, pastores e cristãos em geral - ou lermos orientações para casais, casamento, filhos... família, sem que haja a correta e necessária separação entre o que o mundo atribui ao termo e o que Deus planejou, criou e revelou nas Escrituras. 


Comete-se um grande erro quando, a partir do que vemos e sabemos, a respeito de família que está diante de nós, acreditamos ser o modelo original de Deus. 

Para que entendamos o que se passou ou quais mudanças houve, precisamos recorrer as Escrituras, pois nela temos todo o ensino a respeito da grande mudança que sobreveio à “família de Deus”.

No capítulo 19 de Mateus, Deus nos deixou um precioso texto a respeito da família em dois diferentes momentos da história humana. Entendê-los é fundamental para nos alinharmos à mente de Deus e separarmo-nos da “sabedoria deste século”. 

Vejamos o que Deus nos ensina:

O argumento inicia-se com fariseus que desejam testar o Senhor a respeito do repúdio da mulher pelo marido – em nosso tempo, podemos chamar de separação dos pais, portanto sobre família. 

Em resposta à questão, Jesus diz (v. 4): [Deus] “fez no princípio macho e fêmea os fez”. O termo “princípio” reporta-nos ao momento da história em que Deus criou sua família – “macho e fêmea os fez”. 

Em seguida, v. 5 explica-nos quando ocorreu “o princípio” (v. 4):
“Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”. 
Não há dúvidas a respeito do tempo que se refere o termo “princípio”: precisamente momento da criação da mulher realizada por Deus – livro de Gênesis 2.18-24.

É sempre bom lembrarmos que o contexto da criação utilizado pelo Senhor é ANTERIOR ao pecado de Adão, é ANTERIOR à morte. Um tempo do qual não há registro material – exceto as Escrituras. Sem morte, sem dúvida, a natureza humana completamente diferente da que hoje temos e conhecemos. 

Ainda sobre o tema (v. 8), Jesus afirma que Moisés permitiu a separação em virtude da “dureza de coração” dos hebreus. O termo dureza de coração ao longo das Escrituras é uma metáfora do pecado. 

No contexto, o termo "Moisés" deve ser entendido como o próprio Deus. Pois, se refere a autoria de textos do Velho Testamento. Portanto, Deus foi quem concedeu ao povo o “direito” de separa-se.

Que fato fez com que Deus no princípio afirmasse que o homem e mulher fossem uma só carne, para que depois, por meio de Moisés afirmasse que homem e mulher já não fossem uma só carne? O que explicaria? O motivo? Algum evento ocorrera entre o “princípio” em Gênesis e o tempo da “carta de divórcio” de Moisés em Deuteronômio para que Deus permitisse tal carta. E o texto responde: a dureza de coração do povo – o pecado. 

E, depois volta a afirmar que não foi assim desde o “princípio”. Ou seja, no “princípio” não havia necessidade de tal instrumento pela ausência da “dureza de coração”. Leiamos assim: a família de Deus é anterior ao pecado. A família que subsistiu, sob o pecado e a morte, não é a família de Deus. 

Sim, estamos diante de uma detalhada e esclarecedora descrição sobre a grande mudança que ocorreu com a família criada por Deus no “princípio” e a família do “tempo de Moisés”: os efeitos do pecado no mundo, inclusive na esfera familiar. 

Só assim podemos entender o que Deus construiu segundo seu caráter e sua santidade que ficou no Éden e o que vemos. Portanto, é correto trazer à discussão os efeitos do pecado sobre a humanidade e consequentemente sobre a família. Mesmo parecendo pessimista, as Escrituras garantem que a família criada por Deus sucumbiu ao pecado (Rm 3.23).

A correção conceitual será feita somente se submetida ao conhecimento de Deus e de Seu propósito para família. É vã a busca de soluções ou conceitos originados no humanismo em geral, na psicologia, na filosofia e nas religiões, decerto, de lá nenhuma utilidade será obtida. 

Não que Deus tenha sido “incapaz” de preservá-la, mas repousa sob mistérios a escolha livre de Adão pelo mal. E ainda o fato da total incompatibilidade entre Deus e o primeiro Adão, em que Deus puniu a todos: homem, mulher, natureza, o próprio satanás, trazendo a morte como pena pelo pecado.

Em Cristo, e apenas Nele, Deus, de certa forma, nos remete ao princípio, em que podemos olhar para nossas esposas e dizer: Carne de minha carne, ossos de meus ossos... recriada em santidade e trazida por Deus. 


A Ele toda honra e glória.

A família segundo Deus: Introdução


É comum ouvirmos ou lermos – líderes, pastores e cristãos em geral - orientações para casais, casamento, filhos... família, sem que haja a correta e necessária separação entre o que o mundo atribui ao termo e o que Deus planejou, criou e revelou nas Escrituras. 

Comete-se um grande erro quando, a partir do que vemos e sabemos a respeito de família, acreditamos ser o modelo original de Deus para o mundo. 

Para que entendamos o que se passou ou quais mudanças houve, precisamos recorrer as Escrituras, pois nela temos todo o ensino a respeito da grande mudança que sobreveio à “família de Deus”.

No capítulo 19 de Mateus, Deus nos deixou um precioso texto a respeito da família em dois diferentes momentos da história humana. Entendê-los é fundamental para nos alinharmos à mente de Deus e separarmo-nos da “sabedoria deste século”. 

Vejamos o que Deus nos ensina:

O argumento inicia-se com fariseus que desejam testar o Senhor a respeito do repúdio da mulher pelo marido – em nosso tempo, podemos chamar de separação dos pais, portanto sobre família. 

Em resposta à questão, Jesus responde (v. 4): [Deus] “fez no princípio macho e fêmea os fez”. O termo “princípio” reporta-se ao momento da história em que Deus criou sua família – “macho e fêmea os fez”. 

Em seguida, v. 5 explica-nos quando ocorreu “o princípio” do v. 4: “Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”. Não há dúvidas a respeito do tempo que se refere o termo “princípio”: precisamente momento da criação da mulher realizada por Deus – livro de Gênesis 2.18-24.

É sempre bom lembrarmos que o contexto da criação utilizado pelo Senhor é ANTERIOR ao pecado de Adão, é ANTERIOR à morte. Um tempo do qual não há registro material – exceto as Escrituras. Sem morte, sem dúvida, a natureza humana completamente diferente da que hoje temos e conhecemos. 

Em um segundo momento – Mt 19.8 – e ainda relacionado ao questionamento feito pelos fariseus, Jesus afirma que Moisés permitiu a separação em virtude do pecado – “dureza de coração”. 

No contexto, o termo Moisés deve ser entendido como o próprio Deus. Pois, se refere a autoria de textos do Velho Testamento. Portanto, Deus foi quem concedeu ao povo o “direito” de separa-se. 

O motivo? Algum evento ocorrera entre o “princípio” em Gênesis e o tempo da “carta de divórcio” de Moisés em Deuteronômio para que Deus permitisse tal carta. E o texto responde: a dureza de coração do povo – o pecado. 

E, depois volta a afirmar que não foi assim desde o “princípio”. Ou seja, no “princípio” não havia necessidade de tal instrumento pela ausência da “dureza de coração”. Leiamos assim: a família de Deus é anterior ao pecado. A família que subsistiu, sob o pecado e a morte, não é a família de Deus. 

Sim, estamos diante de uma detalhada e esclarecedora descrição sobre a grande mudança que ocorreu com a família criada por Deus no “princípio” e a família do “tempo de Moisés”: os efeitos do pecado no mundo, inclusive na esfera familiar. 

Só assim podemos entender o que Deus construiu segundo seu caráter e sua santidade que ficou no Éden e o que vemos. Portanto, é correto trazer à discussão os efeitos do pecado sobre a humanidade e consequentemente sobre a família. Mesmo parecendo pessimista, as Escrituras garantem que a família criada por Deus sucumbiu ao pecado (Rm 3.23).

A correção conceitual será feita somente se submetida ao conhecimento de Deus e de Seu propósito para família. É vã a busca de soluções ou conceitos originados no humanismo em geral, na psicologia, na filosofia e nas religiões, decerto, de lá nenhuma utilidade será obtida. 

Não que Deus tenha sido “incapaz” de preservá-la, mas repousa sob mistérios a escolha livre de Adão pelo mal. E ainda o fato da total incompatibilidade entre Deus e o primeiro Adão, em que Deus puniu a todos: homem, mulher, natureza, o próprio satanás, trazendo a morte como pena pelo pecado.

Em Cristo, e apenas Nele, Deus, de certa forma, nos remete ao princípio, em que podemos olhar para nossas esposas e dizer: Carne de minha carne, ossos de meus ossos... recriada em santidade e trazida por Deus. 


A Ele toda honra e glória.

sábado, 17 de setembro de 2016

SABE, porém, isto... (2 Tm 3:1-5)


SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. 2 Tm 3:1-5

Há termos presente no texto, que a eles devemos dar grande atenção. Notem: “Nos últimos dias, Homens amantes de si mesmo, Soberbos, Desobedientes aos pais, Incontinentes, Mais amigos dos deleites que de Deus”.

A partir deles podemos construir um cenário, e é assustador. 

Nele há ruptura completa com os valores do passado, uma nova ordem que mesmo que se organize coletivamente, ela nasce e expressa o coração das pessoas. São as características humanas que moldam o cenário.

Nele os homens por amarem mais a si mesmos romperam com valores baseados no amor – família, amigos etc.

Pela soberba, colocam-se como prioridade e pouco caso fazem de seus pares ou compromissos, romperam com solidariedade.

Romperam com os pais, por esses representarem a autoridade do passado, mas estão ávidos por uma autoridade - nova e externa - que lhes seja moderna e lhes garanta o rompimento com as estruturas estabelecidas.

Não há afeição natural, assegura o Senhor, romperam com os limites da natureza humana.

Diz ainda, que romperam com as pessoas de bem e por fim romperam com Deus - a moral, a ética, a história... toda a verdade de Deus.

Um aspecto que agrava ainda mais esse cenário: a associação do termo, "mais amigos dos deleites do que amigos de Deus", com o termo, "tendo aparência de piedade entretanto negando a eficácia dela - da fé".  

Não se poderia achar em apenas duas frases a descrição mais completa e perfeita do cenário em que se encontra a Igreja do Senhor. Pessoas sem temor ao Senhor, vestidas de religiosidade, nominam-se crentes no Altíssimo. Contudo negam-na, pelo fato dessa fé não lhes permitir arredar os pés dos deleites - muitas vezes ocultos - não autorizados pelo Senhor.  

É o coração do homem cooperando e se regalando com o mal. Sua satisfação e busca do prazer, a paixão por si mesmos pela rejeição da Verdade. 

Os emissários de satanás - oportunistas do mal - dirão que sempre foi assim, que o Cristianismo é alarmista e retrógrado, sempre à procura dos indícios do “fim do mundo”.

Os inimigos da cruz, que conosco convivem, já trazem esse perfil, e alimentam o coração de seus filhos para que assim vivam, tentarão dissimuladamente introduzir e incentivar tais condutas na Igreja do Senhor.

É bom atentarmos para a Palavra do Senhor, anteciparmo-nos ao discurso do mal, percebermos suas nuances, pois nele está o fundamento desse cenário. 

"Sabe, porém isto" diz o Apóstolo  reforça-nos a ideia de prontidão para alertar a Igreja a respeito do contexto que vivemos – a maldade do coração do homem construindo o mundo até que... "manifeste o homem do pecado, o filho do perdição”.

Alertemos a todos e afastemo-nos destes.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O batismo salva. Ou não?


Surgem, vez por outra, questionamentos a respeito do batismo. Sua eficácia, seus valores etc. Deixando de lado sua forma, para não incomodar os irmãos que aspergem água sobre seus seus batizandos, vamos verificar algumas particularidades e relacionamentos entre o batismo e a salvação dos crentes. 

O batismo, de fato, salva ou não salva? 

Para responder a este questionamento é preciso entender o que vem a ser e qual a história do batismo nas Escrituras, em especial no Novo Testamento.

E eram por ele batizados no [rio] Jordão, confessando os seus pecados (Mt 3:6). 
E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e [com] fogo. (Mt 3:11)

O texto de Mt 3.6 traz o primeiro registro do batismo no Novo Testamento. E esse foi realizado por João ("O Imersor", segundo André Chouraqui; judeu, especialista em línguas semíticas, tradutor do Ev. de Mateus)

Muita importância há nele, pois seu contexto esclarece um aspecto fundamental sobre o batismo. João afirma que “seu” batismo eram apenas sombras, pois viria um “outro batismo”. Ele diz: “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo... (Mt 3:11)

Sim, João anuncia um batismo, ainda a acontecer, que seria feito, não em água, mas no Espírito. Isso nos ajuda a entender a natureza transitória de sua obra.  Sim, o batismo de João - assim como toda sua obra – era apenas uma preparação para a vinda do Senhor, como diz o profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. (Mt 3:3)

Portanto, o batismo de João é precursor e sombra do batismo no Espírito - nossa união com Cristo (1 Co 12.13). Onde estão incluídos todos os benefícios conquistados por Cristo em nosso favor. 

Este batismo salva, porquanto feito por Deus, unindo-nos misticamente a Cristo. Homem algum fez ou jamais fará tal batismo. 

Mas, ao chegarmos ao fim dos Evangelhos lemos: 

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19). 

Não temos o que duvidar: o batismo, em voga neste mandamento, nenhuma semelhança há com o que lemos a respeito do batismo de João e o batismo no Espírito. Este feito por Cristo (conf. Jo 1.33), pelo próprio Espírito (conf. 1 Co 12.11) e pelo próprio Deus (conf. Jo 3.34), aquele agora confiado a homens, aos discípulos.  

Em nenhuma parte das Escrituras há relação entre o batismo realizado por João e o batismo confiado às nossas Igrejas, exceto pelo elemento utilizado – a água.

O que fazemos, inversamente a João, é contemplarmos o batismo passado feito por Deus - no Espírito Santo - e simbolicamente o reproduzimos utilizando como elemento a água. Nenhuma contribuição mística há nele  para a salvação eterna.  

Este batismo, simbólico, representa a morte do velho homem e a ressurreição do crente - fazendo sentido ser por imersão; e torna público seu efetivo vínculo e compromisso com sua nova família.  

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O Querer e o Realizar: Deus ou eu? (Fp. Cap. 2)


No v. 12 está escrito “operai a vossa salvação”, há duas ideias no texto. “Operai” nos diz que é um processo; “vossa salvação” nos garante que é responsabilidade nossa.
E abrigados por Rm 13:11 – “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”  concluímos que a salvação, ainda que um ato da parte de Deus, se estende por meio de processos que se realizam após o ato regenerador.

E é a esse respeito – os processos que se realizam ao longo da vida cristã - que somos contemplados com o texto de Filipenses em seu Capítulo 2.
Antes de avaliarmos o texto, considero prudente alinharmo-nos à algumas verdades cristãs:
1.  A salvação, como ato único regenerador, infunde, da parte de Deus, no crente uma nova disposição mental. Contudo, Deus preserva no crente a velha disposição – herança de nossos pais;
2.  Após esse ato regenerador de Deus, a salvação continua a desenvolver-se por meio dos processos da vida cotidiana dos crentes. As escolhas que fazemos, o que pensamos, o que desejamos são processos conflituosos, pois são resultados das disposições interiores – a nova, criada por Deus, e a velha que herdamos. Ou seja, somos conduzidos ora pelo que Deus infundiu em nós, ora por aquilo que nos orientava antes de conhecermos o Senhor.
Assim, repito que a salvação que trata o capítulo 2 de Filipenses tem seu escopo exclusivamente no dilema existente entre as duas disposições – as duas naturezas existentes em cada um de nós. O Apóstolo não tem em mente o ato regenerador de Deus, antes, apenas nos desdobramentos posteriores a esse ato.

E uma grande pergunta sobrevêm: Quem conduz nosso processo de escolha? O meu querer e o meu fazer são obras exclusiva de Deus ou eu livremente faço minhas escolhas? Quais os limites da ação ou liberdade humana e do poder soberano e invisível de Deus?

O HOMEM EM SUA RESPONSABILIDADE.
Fp 2:12 De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, [assim também] operai a vossa salvação com temor e tremor;

O verso 12, ao tratar da salvação, traz uma exortação para os irmãos de Filipos, alertando-os a “operar a salvação”, para que agissem como sempre haviam feito na presença do Apóstolo, agora, o fizessem em sua ausência. Isto garante que cada crente atua ativamente no desenvolvimento de sua vida. Suas escolhas, seus conhecimentos, seus valores, sua dedicação o faz um agente moral livre. Portanto, é responsável por cada um dos seus atos.


O PODER SOBERANO E INVISÍVEL DO SENHOR
Fp 2:13 Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a [sua] boa vontade.

Por outro lado, e simultaneamente, exercendo um poder soberano e invisível, Deus opera sobre todas as coisas e, em particular, no crente para que esse realize Sua santa e soberana vontade.

Há mistérios, há impossibilidades, há dimensões ocultas da sabedoria e do poder de Deus que nos obrigam à prudência. Contudo, o texto garante que “Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar”.  É Ele quem misteriosamente e soberanamente conduz nossa vontade (querer) para que realizemos (efetuar) o SEU QUERER.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

O CONFLITO
Fp 2:14 Fazei todas as [coisas] sem murmurações nem contendas;

O v. 14 revela a tensão existente entre nossa vontade – ainda presente e manifesta pela carne adâmica - e nossa nova vontade provinda da mente de Cristo. Daí a exortação para fazermos sem murmurações ou contendas. Mortificarmos a velha natureza - herança de Adão, e nos renovarmos à semelhança de Cristo.

O PROPÓSITO
Fp 2:15 Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;

Já que filhos de Deus, há necessidade de obediência ao Pai. O que na prática é a distinção dos nossos pares decaídos – chamado aqui de “geração corrompida e perversa”. É a visibilidade do poder soberano de Deus sobre “nosso querer e nosso efetuar”, o qual realizamos livre e amorosamente.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

O MEIO
Fp 2:16 Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.

O v. 16 oferece o meio para garantia do progresso da salvação:  “retendo a palavra da vida”. Não parece haver mistérios ou dificuldades quanto ao instrumento necessário para desenvolver nossa salvação, e ainda que tal obediência se converterá em benefício no dia de Cristo.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

Sempre temo ilustrações, mas preciso utilizá-las.
Coloquemo-nos em uma praia do nordeste brasileiro, onde chegam dezenas de jangadas. Cada uma delas tem seu próprio formato, seu tamanho e peso, bem como sua grande vela que tremulando face ao vento descreve sua própria trajetória no mar.  
Ao avaliarmos a trajetória de cada uma delas, umas rápidas, outras lentas a quem poderíamos atribuir cada um dos trajetos realizados?
Ao formato de cada uma delas ou a intensidade do vento e altura das marés?
Cada um age simultaneamente de forma que cada uma delas chegará ao seu destino de acordo com os fatores envolvidos.

Não sabemos, é mistério quem atua e como atuam Deus e cada um de nós, mas o Senhor nos adverte que devemos desenvolver nossa própria salvação com temor e tremor.


Que o Senhor seja engrandecido. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

As Bênçãos de Efésios 1.3


Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; (Ef 1:3)

O verso 3 inicia um discurso que se encerra no v. 14.

O uso dos verbos no tempo passado garante que o tema central desse discurso é passado, algo já consumado. E, sem dúvida, o Senhor nos fala de Sua salvação em Cristo (vv. 6,7).   

A proposta deste texto é entender o significado do termo “bênçãos espirituais” descrito no verso 3.

Inicialmente, devemos ver o v. 3 em conjunto com os versos subsequentes. E por uma questão de método, interessa-nos os termos presentes nos versos 3, 4 e 5 que iniciam e estabelecem uma unidade de pensamento. Ou seja, ambos versículos são partes integrantes do tema central, a salvação no Senhor.  

Dois aspectos ressaltam para tratarmos os versos conjuntamente.

1.  O tempo verbal.
Os vv. Utilizam o tempo verbal no passado, o que nos permite entender que a Bênção (v. 3) foi iniciada ou determinada no mesmo tempo e desfrutam da parte de Deus da mesma garantia das verdades contidas nos vv. 4 e 5 - Eleição e Predestinação;

2. O uso do termo “como também”.
Estabelece um elo inseparável entre os vv. Que dá ao v. 3 a mesma textura e ideia presente nos vv. 4 e 5. Assim, a garantia de Eleição, antecedida pela Predestinação dos vv. 4 e 5 se aplica também às Bênçãos do v. 3.

Quanto à sua relação com outras Doutrinas.
Podemos concluir que as Bênçãos Espirituais (v. 3), tanto quanto a Predestinação e a Eleição são partes integrantes e coexistentes da Salvação.

Quanto ao seu significado e propósito.
Bênção significa "falar ou desejar bem a alguém". Que tanto pode ocorrer entre homens, como entre Deus e os homens. Neste caso, devemos considerar apenas as bênçãos de Deus dirigidas aos crentes. 

Como visto anteriormente, as Bênçãos fazem parte de nossa salvação e tem um propósito definido (vv. 11, 12): nos ter feito – "tempo passado" novamente - herança em Cristo e, isso para o louvor da glória de Deus.

As bênçãos são as mesmo tempo o bem querer de Deus em nos fazer semelhantes a Cristo, bem como nos capacitar a sê-lo - realizando Sua vontade.

Uma questão prática

As Bênçãos Espirituais (veja v. 13), assim como as demais ações de Deus em nossas vidas, evidenciam-se externamente, portanto, são perceptíveis. A fé que expressamos por meio do amor é a evidência visível das Bênçãos Espirituais em nossas vidas, sendo, por sua vez, o resultado da ação, presença e relacionamento do Espírito do Senhor conosco - Garantia das Bênçãos de acordo com vv. 13, 14. 

Portanto, contraria o ensino das Escrituras afirmar as Bênçãos do Senhor e negar a Eleição ou a Predestinação; da mesma forma afirmar estas, negando aquela. 

Dentro das Bênçãos Espirituais estão discernimento, sabedoria para que possamos evidenciá-las. 

E é isso o que Deus deseja que façamos:

Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; (Ef 1:17)

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Onde estamos? Ou melhor, a quem servimos?


O dia a dia tem imposto sobre nós momentos de reflexões, dúvidas e mudanças; e consultamos nosso coração para estabelecer os próximos passos. 

Conscientemente ou não, o contexto, as amizades, nossas responsabilidades têm exercido grande influência sobre como pensamos e, consequentemente, na nossa forma de viver. Quem somos, o que queremos ser e como devemos viver tem se adequado aos costumes e regras sociais e nossa manutenção na zona de conforto. 

Percebo quando conhecemos uma nova pessoa, um “irmão ou não”. Ficamos divididos entre a “omissão conciliadora” ou “honestidade separadora”. E o que fazer em tal situação? Falamos sobre a ‘nossa religião” ou sobre as últimas, sobre o pôr do sol – ou qualquer outra inutilidade? Temos optado pela preservação do “bom relacionamento”. Temos nos inclinado a ouvir o nosso coração e ao mundo. Como se não tivesse Deus nos alertado e orientado sobre todas as coisas.

Mas ao abrirmos as Escrituras, lemos as cartas que o Senhor nos deixou como guia e alerta, e é o que lemos.
O qual [Jesus] se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, Ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém. (Gl 1:4-5)

Nesta uma breve oração somos informados que Jesus morreu para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, e a Ele a glória. Essa é uma grande informação, o Senhor quer que nos livremos de nossas inclinações, do nosso coração.

Mesmo que haja uma explanação mais detalhada do Evangelho nos capítulos posteriores, interessa-nos saber que existe apenas um único e autêntico evangelho. Cuja verdade está na morte substitutiva do Senhor com o propósito de nos livrar do presente século mau. Assim, a morte de Cristo e o livramento do presente século mau – abrir mão do próprio coração - são verdades inseparáveis do Evangelho – são fundamento e propósito. Isso coloca nossa “forma de viver” em oposição ao Evangelho.

Quando abruptamente somos surpreendidos e acusados, vv. 6 a 9: passamos para “outro evangelho”. 

Esqueçamos os crentes da Galácia, leiamos por quatro vezes, há uma grave acusação contra nós: passamos para “outro evangelho” - o evangelho da conciliação social, do acerto secular.

Contrariamente a esta posição, todos nós, certamente, acreditamos que ensinamos e vivemos o evangelho que o Senhor, por intermédio de Paulo, deixou em suas sagradas letras. Nenhum de nós acha que passou para “outro evangelho”. E sempre que lemos tal acusação, dela nos escusamos, apontando nosso dedo em direção a qualquer um outro, nunca nos colocamos como reus.

Acredito que precisamos nos incluir entre aqueles que passaram para o “outro evangelho”, ou de certa forma, invalidaremos ou tornaremos vazia, a acusação feita pelo Senhor. Oportunamente manteremos exclusivamente os gálatas presos à acusação.

As Escrituras ensinam que o “outro evangelho” não leva em conta, ou pouco se importa com a defesa de uma verdade única, por outro lado, nosso coração oferece-nos a tolerância necessária para nos manter e também nossos pares em zona de conforto.

Mas, há um detalhe que integra o evangelho e não integra o “outro evangelho”, sendo bem claro na carta: a confrontação - como método de exposição. 

Paulo, ao defender a verdade do Evangelho, confronta Pedro, confronta a Igreja, confronta irmão, confronta judeu, confronta gentio, discorda do propósito da Lei e, assim, se opõe a tudo e a todos que vivem um “outro evangelho”. Parece-nos bem associar o verdadeiro Evangelho à prática de sua defesa, não apenas a convicções interiores.

Onde estamos? Ou melhor, a quem servimos?

Não devemos subestimar a dificuldade de retornar ao Evangelho do Senhor. Reconhecer que passamos para um “outro evangelho” exigirá mais do que nosso coração é capaz de admitir. 

E novamente lemos:
Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. (Gl 1:10)

domingo, 21 de agosto de 2016

O pecado enganando o pecado.


Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente ímpio; quem o poderá conhecer? (Jr 17:9)

Sem dúvida, é possível perceber que estamos fazendo profunda alterações na verdade que o Senhor nos deixou. O termo “estamos” expressa minha convicção que nenhum de nós se encontra fora dessas influências, e que de certa forma, muitos de entre nós, se desviam do combate às “novas verdades”.  

Enganamo-nos em não perceber que a consolidação dessa nova era, passa obrigatoriamente pela revisão de conceitos das verdades bíblicas. A perda e desvio das verdades, levam à construção de novas cosmovisões que conduzem o mundo... e a Igreja do Senhor.

Uma das grandes mudanças impostas à verdade revelada relaciona-se ao pecado. A sabedoria secular estabeleceu-se em meio ao arraial do Senhor. As advertências feitas ao povo de Israel (Os 4.1-6) servem para cada um de nós. Substituímos as verdades do Senhor pelas verdades de plantão.

Tomemos o que as Escrituras afirmam sobre o pecado. Em linhas gerais, o pecado é uma disposição interior e inalienável à nossa natureza. Ou seja, o humano que conhecemos – e somos – tem em sua natureza infundido o pecado – por isso, interior, por isso, inalienável. Tal realidade nos faz adversários e excluídos da realidade divina. Assim, nossa natureza-pecado fez-nos opositores e incapazes de Deus – Seu ser, sua verdade, seu poder, sua justiça.

A negligência no ensino dessa cruel realidade impossibilita o homem a compreender e conhecer a si próprio, suas reais possibilidades, sua incapacidade e, por outro lado, alheio a Deus, desconhece sua real necessidade e dependência dELE.

Mas, temos percebido que o desvio tem oferecido o pecado travestido por facetas brandas e exteriores não fornecendo ao homem a gravidade de seu estado.

Precisamos advertir:
O pecado não pode ser confundido com uma condição religiosa resolvida por mantras sacramentais, por aspersão ou imersão ou qualquer outra solução litúrgica. Muito menos pela dedicação ou guarda religiosa dos sábados, votos, cerimônias. Mesmo que empreendam os mais rigorosos ritos, o pecado continuará, lá no profundo do coração humano, mantendo-o longe do Senhor.

O pecado não é a restrição de desenvolvimento social ou científico. O sábio passará sua vida inteira a pensar e considerar seu conhecimento ou sua bondade, mas lá estará o pecado à sua espreita. E nada que faça o conduzirá ao Senhor.

Comete-se um grande erro em conduzir o pecado em uma outra direção, diminuí-lo em sua profundidade e perversidade.

Deus para livrar o homem de seu pecado não propôs rituais, sábados, conhecimento ou tecnologia, Deus ofereceu-nos a esperança de uma nova natureza.

Na morte de Seu Filho puniu o pecado; em Sua ressurreição trouxe outra natureza, e esta, livre do pecado. O fim do pecado se dá pela destruição da natureza humana que herdamos.

A morte do criador e senhor de todas as coisas, em sua dimensão pedagógica, se apresenta como contraste para aprendermos a gravidade do pecado.

A quem falarei e testemunharei, para que ouça? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela. (Jr 6:10)

Grande é o Senhor. 

sábado, 6 de agosto de 2016

Abraão era amilenista


Ao ouvir que estamos em pleno milênio somos forçados a enfrentar algumas questões a respeito do plano de Deus para a humanidade, sei que não é simples enfrentar ou questionar pressupostos doutrinários.

Quando o assunto é Escatologia, deve-se considerar que há muita dificuldade espreitando-nos. Contudo, mesmo escondidos, existem os esquisitos junto ao burburinho acadêmico. E entre esses, sem dúvidas, está o método aplicado para obtenção da verdade divina - a Hermenêutica.

E parece que foi criada UM especialmente para garantir os pressupostos amilenistas.

Tal método funciona da seguinte forma: Tomemos o texto “Não ficará pedra sobre pedra”.

Em busca do significado da passagem, e de acordo com o uso da hermenêutica amilenista, deve-se saber se tal afirmação – profecia -  já aconteceu (cumpriu-se na história) ou não. Caso tenha ocorrido, a leitura do texto deve ser feita de forma literal. E somente se não fizer sentido, deve-se buscar dentro das Escrituras seu “outro” significado, portanto, pedra significaria pedra mesmo. 

Porém, se o texto ainda não foi cumprido, a abordagem muda completamente, ou seja, o significado das palavras não pode ser literal. Pelo contrário, pode ser qualquer coisa, menos o significado literal do texto. Ou seja, pedra jamais poderia ser pedra. Estranho, esquisito, mas é o que está posto.

É o caso do termo milênio (Ap. 20,2,3,4,5,6,7). Não pode ser milênio (1.000 anos literalmente). Por que? Porque ainda não se cumpriu na história - ou está se cumprindo? 

É incrível, mas é isso o que garante a escatologia amilenista. Dizem: "é preciso tratar os textos escatológicos de maneira particular – mas, isso se aplica apenas aos textos que ainda não se cumpriram".

Isso nos - obriga - arremete a uma experiência muito rica: Pensemos com Abrão – como se lá estivéssemos.

Ao olhar para o céu cheio de estrelas, ouve: Tua descendência será como estas estrelas. (Gn 15.4-5). 

Sendo Abraão um bom amilenista, podemos imaginar, quanta aflição o acometeu até se cumprir o nascimento de seu filho Isaque. Porque ele, como bom amilenista, SABIA que descendente da promessa, não poderia ser um descendente (literal) – pois, ainda não havia se cumprida a profecia. E como não poderia ser um filho, o que seria comparado às estrelas do céu? O que Abrão pensou significar descendente na promessa de Deus? E já que não havia nascido seu filho, sua hermenêutica amilenista garantia-lhe que poderia ser qualquer coisa, menos um filho.

Porém, após o nascimento de seu filho, ele, como bom amilenista, PERCEBEU que, após a profecia haver sido cumprida, descendência era descendência mesmo, e que seria numerosa como as estrelas do céu. Apesar de tudo AGORA fazer sentido, um misto de Ffustração e alegria lhe tomou, claro. Frustração, pois seu método lhe levara ao erro quanto ao significado da profecia; e alegria por entender que descendência significava LITERALMENTE descendência. 

Assim, somente após o cumprimento da profecia, Abrão, como bom amilenista, viu que estava errado! Que não deveria ter "interpretado" a palavra do Senhor, bastava-lhe haver aceito as palavras em seu significado comum - literal, como em todas as outras vezes que ouviu o Senhor.

Da mesma forma o método amilenista afirma estarmos no milênio e com satanás em prisão – eufemizam, e dizem "com poderes limitados". (Prisão significar poderes limitados??!!). De onde saiu isto?

Se verdade - satanás está preso - parte das Escrituras precisa ser "revista" para tenha sentido. Senão, vejamos:

Quanto engano há em Pedro ao afirmar que satanás enchera o coração de Ananias (At 5.3);

Engano, maior ainda, em At 26.18, Jesus afirma que satanás tem autoridade para manter pessoas cativas  - mesmo preso? E nisso, errou também Paulo (2 Tm 2.26);

E Paulo, novamente e equivocadamente, em 1 Co 7.5, instrui casais para não serem tentado por satanás (que está preso!).

Em 2 Co 11.14, inutilmente, Paulo afirma que satanás se transforma em anjo de luz. Claro que inutilmente, já que está preso, nenhum efeito isso terá.  

Sem contar com as advertências contra o diabo (Ef 4.27) e a necessidade da armadura de Deus para se prevenir contra ele (Ef 6.11). Acredito que se a abordagem amilenista estiver correta, tais exortações são meramente retóricas. 

E, por fim, em 1 Ts 2.18, Paulo precisa nos explicar que caminho tomava para ir até Tessalônica, pois satanás - que está preso - o impediu.

Mas, Abrão pode nos ensinar muito mais. Após o pedido para imolar seu filho - ainda não cumprido - ele ABANDONOU sua “interpretação particular” daquilo que Deus lhe falava. Como sei? Ao empunhar um cutelo (literalmente) sobre seu filho, ele nos ensina que cumprida ou não a palavra do Senhor deve ser vista em sua literalidade. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sim, Rev. Nicodemus, é preciso de cautela e honestidade.



Tenho assistido, graças a Deus, várias ensinos - pregações, palestras, mesa redonda etc. Grandes homens expondo seus conhecimentos a serviço dos santos. Entre os temas apresentados, a Escatologia, com correntes teológicas distintas, é abundante.

Acredito que tais posições, assim como outros pontos doutrinários, encontrem dificuldades em incluir em seu sistema alguns versos das Escrituras, a despeito de serem identificadas como doutrinas históricas dentro de seu grupo.

Acho saudável as discussões, sempre em busca da exaltação das Escrituras edificação dos santos e glória ao Senhor de toda sabedoria:

Em Quem [em o Cristo] estão, todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, escondidos. (Cl 2:3)

Contudo, assisti (https://www.youtube.com/watch?v=AKcBinEb-3Y) o Rev. Nicodemos afirmar que não há nenhum arrebentamento sigiloso previsto nas Escrituras para Igreja do Senhor. O que não é problema por acreditar que as promessas de Deus para a nação de Israel foram revogadas em benefício da Igreja.

Utilizando-se do texto “Mas vós vede; eis que de antemão vos tenho dito tudo” (Mc 13:23), falou que não o [Arrebatamento Invisível] encontrava ali em Marcos 13 ( capítulo inteiro). 

Tomando por base o termo: “vos tenho dito tudo”, acrescentou – parafraseio: “Se até aqui Ele [Jesus] nos disse tudo, e o arrebatamento não está aqui...” Concluiu: “Não haverá arrebatamento - invisível”.

Isso não faz parte de uma boa Teologia, e está em desacordo com a Doutrina da Progressividade da Revelação. Não há precedente na história das doutrinas cristãs que alguém atribua ou defenda que a partir desse ponto (Marcos cap. 13) as Escrituras são meramente deuteronômicas. E que todo o conteúdo subsequente do texto santo não oferece um novo ensino. 

O texto citado (Mc 13) descreve um cenário de juízo em terras judaicas e sinais desse tempo: o templo e sua destruição, muitos virão tentando ser o Cristo - quem está a espera de Cristo, senão judeus? sinagogas, a profecia de Daniel sobre o templo, Judeia. No verso 18, fala sobre o inverno dando um caráter local para os acontecimentos.

Decerto o texto não fala sobre arrebatamento (invisível), como também não fala sobre Igreja, não fala o destino de satanás, a vinda do Espírito Santo, sobre os dons, o selo dos santos, a pregação aos gentios e outras coisas mais. Mas isso não faz de tais pontos inverdades.

Há um sério risco quando, para defender nossas teses e credos, levantamo-nos acima das Escrituras. 

E ao encerrar ele afirma que é preciso ter cautela sobre o que o assunto encerra.

Sim, Rev. Nicodemus, é preciso de cautela e respeito para com as Escrituras. 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

A novidade e a morte da esperança





A grande dificuldade para redução das incertezas garantindo o “melhor” nas escolhas advém da falta de um modelo.  Um modelo - solução – que, comprovadamente aferido e confiável, transcenda o tempo. Um modelo absoluto.

E essa geração, ávida pela novidade, submeteu-se a profusão dos modelos. Abandonando-se este, e adotando-se aquele, sempre prontos a serem substituídos. E, por princípio, rejeita-se a ideia do modelo atemporal.

Esta ditadura do “novo” determina que a cada momento surja um novo modelo, substituindo aquele que até então havia - considerado verdadeiro, agora não mais. Evidencia que o existente - a verdade atual - está moribundo, apenas à espera de substituição pelo “novo”.

E essa dinâmica - hoje verdade, amanhã mentira - é que constrói os valores mentais e fundamentam as escolhas da vida humana - parece-lhes vantajoso, entretanto lhes nega a paz.

Claro fica que a vida que vivem é premida pela incerteza, pois o frenesi de "verdade hoje e mentira amanhã" não permite perceber o definitivo, o permanente. A vida que vivem, não lhes é permitida a esperança. Pois, a espera do amanhã, do próximo modelo rouba-lhes a vida real. E a verdade permanente não lhes é possível.

O ciclo da novidade exige o fim do modelo e com ele o fim daquela verdade, e assim, todo que era possível naquele modelo se esvai. E sem esperança destruiu o futuro, legitimando o prazer como meio e fim da existência – acreditam buscar a felicidade. 

Nada é permanente, nada é satisfatório. 

Nessa geração a estupidez distribuiu sabedoria e a verdade foi substituída pelo experimento... e tudo se fez novo! Passou a ser imperativo recriar a verdade, o amor, a moral, os conceitos. Tudo é novo, a espera do novo.

Em busca de dar sentido a vida - morte - o absurdo passou a ser aceitável e necessário, romperam-se os limites da coerência. Temos meninos vitalícios, bandidos milionários, trapaceiros honrados, legisladores criminosos e miseráveis refinados. Criou-se a moral gay e a ética meliante.  Os modelos do engano romperam com o razoável, e todos se autorizam a acreditar em tudo ou em nada – que, nesse contexto, são a mesma coisa. 

Contudo, o novo está morto, pelo novo que virá. É a morte foi introduzida na substância da “nova vida”, e a  esperança foi enganda pela ilusão.  

Sem esperanças, restou-lhes a prazer e a espera do novo. Divertem-se brindam a “nova vida” - na verdade, a morte - todos os dias. Essa escravidão da novidade garante-lhes a morte como esperança.

E diz o Senhor: Porque sem mim nada podeis fazer. (Jo 15:5)