"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Natal: expressão religiosa do homem moderno



(Este texto foi baseado - com algumas alterações - em um pedido de minha mãe. Ela solicitou-me  algo a respeito do natal para ser lido naquela noite, pois eu não estaria com ela na data. Segundo informações, foi lido ao final da noite, quando parte de seus convidados já se haviam retirado. Natal de 2009).
Há algum tempo venho tentando entender quais os sentimentos e percepções que povoam a mente das pessoas em relação ao Natal. Considerando que é a comemoração do nascimento de Cristo, mesmo que falaciosa, os elementos presentes à celebração passaram a ser objeto de minha observação. Queiramos ou não, a motivação tradicional da festa é religiosa, pois vem a ser a comemoração do nascimento - a encarnação - de Deus.

Observando-o, entendendo-o é possível concluir que tipo religiosidade é praticada pelo homem moderno? 
Este é um bom exercício e maior, ainda, desafio.

A psicologia da tradição
À parte da grosseria histórica que envolve o fato - a data do nascimento ser dezembro; ter saído da Europa pagã e não dos arredores de Israel; sem referência em textos bíblicos, e sem nenhuma alusão no registro de autores que trouxeram um intervalo de 1.000 de história aos nossos dias, faz parte da vida nacional (e pior, cristã).

Ao fim de cada ano multidões se mobilizam em torno da comemoração - ou celebração - natalina. Sem questionamentos, preparam-se para mais um natal, o mundo se transforma e, magicamente, surgem por toda volta tons de harmonia. É estabelecido um cenário onde há luzes e - incrivelmente - esperança para todos... a se repetir ano após ano.

A natureza do espírito natalino
O primeiro empreendimento é buscar o cerne desta festa: donde surge essa esperança? 
Há duas linhas excludentes entre si, e apenas duas: 
(1) O natal é apenas um simbolismo – árvores, presentes, guirlandas, cenários, e a esperança vem do próprio homem; 
(2) as pessoas julgam que, por meio dela, prestam culto ao Deus criador de todas as coisas, e a esperança vem do próprio Deus.

Em suma: O Natal é apenas um simbolismo de comemoração das conquistas pessoais ou uma manifestação devocional?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Da morte para vida - A salvação de Maria


Igreja Batista Regular Renascer
Manaus
Com base em Jo 20.1-18

Maria segue com os aromas e bálsamos para seu último ato de despedida daquele que julgou ser a esperança dela e de tantas outras pessoas de Israel, mesmo os dispersos. A tristeza e decepção não foram suficientes para demovê-la de completar-lhe a liturgia da morte.
Faz escuro, antecipa-se aos primeiros raios de sol de um dia que não teria fim.
Suas reações são reações de inúmeros que têm depositado uma crença particular em Cristo.

Poderemos com ela conhecer um pouco de nós mesmos, um pouco do que ocorre em nossa volta.

Alguns questionamentos se impõem às nossas mentes:
(1)            Como podemos reconhecer uma obra de Deus?
(2)            Como reagimos diante da grandiosidade de Deus?
São questionamentos que nos permitem adentrar um pouco mais na salvação pela fé que chegou aos nossos dias.

Vejamos, pois:
Lucas (23.55) diz: “as mulheres que tinham vindo da Galiléia com Jesus, viram o túmulo e onde o corpo fora depositado”. E mais: “então se retiraram para preparar aromas e bálsamos”. A ida daquelas mulheres até o túmulo tem um propósito claro: concluir o rito final da morte. Isto nos permite afirmar naquelas mulheres  havia convicção que a morte, em toda sua brutalidade, se abatera sobre o Senhor.

Não apenas Maria Madalena, mas as demais mulheres que o seguiam desde a Galiléia, viram-no morto, preparam-se para, conforme o rito, dar ao Senhor a fugaz dignidade que a morte limita.

Nelas há convicção quanto à morte do Senhor: Sim, o Senhor morreu!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Escatolgia vs. esperança presente

                                                       


A vinda de Cristo, o mundo futuro, a eternidade são temas que estão fora da agenda cristã. As propostas escatológicas causam desconforto à igreja rastejante, que prefere embrenhar-se nas questões sócio-políticas - sem esquecer as ambientais - a contemplar os céus. A exemplo do romanismo, seguem alvissareiros em seu fascínio, ribalta e seguidores sem se deixarem à voz do Senhor:
Como pois dizeis: Nós somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Mas eis que a falsa pena dos escribas a converteu em mentira. (Jr 8:8)

O homem está consolidando seu próprio conceito de Deus. Estabelece sua disposição acima de Deus e, não se submetendo aos Escritos, criou seu Deus, mesmo com temor, segue em sua liberdade religiosa.
Impondo seus conceitos, sua história, orientado por sua lógica e sabedoria, diz o que deve dizer o Senhor sobre o futuro do mundo, das coisas criadas, da eternidade.
A despeito da exortação de Pedro sobre a prontidão ao questionamento de nossa esperança, temos observado que a esperança da cruz tem sido subvertida pelos encantos e falácias do mundo. 
O episódio evangélico volta ao nosso tempo com mais importância e necessidade: "Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas". Os afazeres seculares têm subtraído a atenção e fornecido a desorientação necessária para criação das alternativas doutrinárias para ajuste aos desajustes apresentados.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Apenas creia em Cristo


Igreja Batista Regular Renascer
Manaus, 12,dezembro,2010
Com base em Jo 6.28-40.

O texto lido nesta noite, apesar da distância no espaço e na nossa história, é um fato de nosso dia a dia, repercute nos quatro cantos de nosso cotidiano.

1.    É a luta entre a verdade de Deus  e os caprichos da sabedoria pessoal dos homens. A despeito dos riscos, esses insistem em enfrentar o Senhor dos Exércitos.
2.    São verdades de uma razão sem razão saindo em fúria contra a sabedoria, a bondade e o amor de Deus.

O que veremos expressa a convicção dos milhares que formam a pobre pluralidade religiosa. São os travestis evangélicos, o confuso paganismo católico, espiritualidade sem Espírito dos espiritualistas, a arrogância pueril dos agnósticos e ateus e demais arranjos e modismos religiosos que brincam de ser Deus, sem atinarem para as trevas que se avizinham.

É a mesma disposição que hoje temos no coração de muitos aqui sentados, cujos argumentos são construídos, impedindo-os de conhecer a simplicidade e sabedoria do nosso Deus.

Ah! Como tais corações operam contra si mesmos. Nessa luta, fingem-se fortes, não sabem que, à espreita, a morte lhes sorri, que serão apanhados em sua sabedoria.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Para minha irmã Silvia


Este Texto foi escrito em resposta a alguns questionamentos feitos por uma irmã minha que vive nos EUA. Foi logo após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Silvinha, mana muita saudade de todos vocês.
Estou te enviando este e-mail em resposta àquele telefonema sobre os ataques terroristas que aconteceram aí. O texto abaixo também será enviado para outros leitores. Assim não visa um uma pessoa especificamente, nem um grupo. Mas é um desafio para qualquer pessoa que tenha sensatez, depois de lê-lo considerar sua posição, seja qual for. 

O grande questionamento

Há uma questão que deve ser respondida antes de qualquer consideração:
Que idéia o caro leitor tem sobre propósito da vida?
Dependendo da resposta há considerações a serem feitas:
(1) Se a resposta é que estamos diante de fatos planejados por Deus e que todas as coisas estão sob seu controle e concorrem para um fim, o texto abaixo fará sentido.
(2) Mas se a resposta é que não há um Deus atuante e que estamos soltos dentro deste universo e que somos senhores do destino. Que nada importa. Previno-o que este texto não lhe terá qualquer sentido. Pois se a vida se resume em trabalhar, acumular, gozar a vida e morrer, somos um pouquinho melhor que os animais, e a razão e a lógica não fazem sentido. Logo o conselho que dou é abandonar esta leitura, não passar desta linha.
Para responder àqueles que fazem parte do primeiro grupo este texto foi escrito.

domingo, 28 de novembro de 2010

Que vida é esta que temos?


Igreja Batista Regular Renascer
Manaus, 28,novembro,2010




Havia mulheres que seguiam a Jesus, e após vê-lo no túmulo, Lucas registra (23.56): “Então voltaram e prepararam especiarias e unguentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento.

Restou-lhes o sábado para descansar e no primeiro dia retornar ao túmulo para completar a liturgia da morte e dor.
Nada mais restava àqueles que acompanharam o Senhor, aqueles que vieram de longe ouvi-lo, o silêncio preenchia o ar.
Vidas lançadas fora, desperdiçadas, frustraram-se os planos, sucumbiu a esperança... a morte, mais uma vez, triunfara.

Não há mais um grupo de discípulos em torno do seu Mestre; não mais se ouvirão os discursos celestes de sabedoria e verdade.  Apenas a morbidez de um túmulo e um corpo a ser preparado para eternidade.

Os olhos marejados de lágrimas embotam a visão que caminha penosamente pela solidão escura da madrugada, segue em direção aos portais da morte.

Aqueles passos (e os nossos também) são surpreendidos pelo túmulo aberto, vazio e pelo anúncio angelical: “Por que buscais entre os mortos aquele que vive?” (Lc 24.5). 

Como compreender: Não há ninguém no túmulo!  O que fizeram com o meu Senhor? 

Entre o horror da morte e o absurdo da esperança inusitada anunciou-se a vida. 
A luz celeste alumia o outeiro da morte, trazendo-lhe vida. 
A vida sobrepujou a morte!

É o ponto central da história humana, começara ali a vida. Quem poderia nos explicar? Quem poderia nos dizer o que é isso? De onde poderiam vir palavras para nos desvendar o mistério da morte que sucumbiu, ou mesmo da vida infinita que surgiu? 

As Sagradas Letras nos oferece um sumário de encanto, de espanto e vida. A vida que se impôs sobrenaturalmente à morte que existia. O ânimo de uma vida que expirava foi vencido pelo Espírito da vida que não se esvai. 

São manifestações de poder e graça que chegam desnudando a morte, expondo-a a ignomínia. 

Leiamos Romanos cap. 6, e deixemos que o anúncio dos céus, o anúncio de Deus, aprofunde-se em nossos corações. Através da palavra do Senhor aprenderemos a vida que recebemos, que projeta-se de tão profundo mistério que a razão caminha lenta a procura de vigor celeste para explicá-la.

E o regozijo do meu coração irrompe: Meu Senhor já não morre mais. 
“sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele.” (Rm 6:9)
E as Santas Letras avisa-nos foi nos dado vida, quando estávamos mortos (Ef 2.1-2). 

E mais: 

Se fomos unidos a Ele na morte, também o seremos na ressurreição (Rm 6.6). 

Que vida nos foi dada em Cristo? Que vida é esta que emergiu para afrontar a morte?

1.    A vida que nos matou (6.2); “para ele morremos”
A vida que recebemos matou a morte que entranhava o mais profundo do nosso ser. Que conspirava contra a vida, contra o Santo de Deus. Temamos aqueles que lutam para manterem-se vivos por suas religiões, por seus votos, por seu sucesso.  

2.    A vida que nos transformou (6.4); “novidade de vida”
A vida que recebemos transportou-nos das trevas para o reino de luz de Seu Filho. As coisas velhas se passaram, eis que TUDO se fez novo. Temamos aos que carregam continuamente seu passado, que falam a respeito do céu sem desejá-lo.

3.    A vida que não morre mais (6.5) “Unidos com ele, na morte e na ressurreição”
A vida que recebemos não desvanece, mesmo que o homem exterior esteja à morte, o homem interior se renova a cada manhã. Sustentados pela graça e pela misericórdia do Nosso Deus. Temamos aos vivem na força do próprio mérito e sabedoria; que Cristo é apenas um suporte para atender suas ambições.

4.    A vida que não se submete ao pecado; (6.6) “não sirvamos ao pecado”
A vida que recebemos é plena de liberdade, somos livres para sermos santos, para atender Àquele que nos arregimentou. A liberdade para praticar a justiça de Deus. Temamos àqueles que compartilham com o mundo e sonham com o mundo e tripudiam dos céus, e aqui firmaram suas tendas.

Esta é vida que flui dos céus preenchendo nossas almas, animando nossos corações e iluminando a nossa esperança.
A vida que nos faz contemplar o céu de onde virá meu Senhor, que nos sustenta, ainda que tenhamos de caminhar pelo vale da sombra da morte.

Brademos:  
Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? (1Co 15:55)

Louvemos ao Senhor, pois a nossa vida é a vida dEle. 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O primeiro dia do resto de nossas vidas


A lança da misericórdia e a reedição da desonra imposta foram desnecessárias, o Senhor já se entregara à morte... Jesus está morto. A água e o sangue que saem daquele corpo manifestam o estertor da humanidade vil que compartilhou nosso Deus.

Mateus registra o desfecho final da encarnação do Senhor: “o centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era filho de Deus” (27.54).

Há humano espanto com o que podem fazer a inimizade e o ódio contra Deus.

Os que de longe vieram para ouvir o Mestre deparam-se com um corpo inerte pendurado em uma cruz, desfigurado pelos horror imposto por seus algozes. Mudo é o retrato da obra do coração humano.

Há humano espanto com o que podem fazer a inimizade e o ódio contra Deus.

Morto o Senhor do Universo, findam as esperanças, dilui-se a expectativa da glória prometida pelo Santo de Deus. Jaz, traspassado aquele que havia de redimir Israel. Seu destino em nada difere daqueles malfeitores que compartilharam de seus últimos momentos ao seu lado, nada há naquele corpo inerte que não seja humano.

Ao espanto da cruz surgem os anônimos de até então, José e Nicodemos que intercedem junto a Pilatos pelo corpo de morte do Santo. A dignidade e a liturgia clamam por baixá-lo da cruz e depositá-lo em um túmulo. 
Aproxima-se a celebração da Páscoa, algumas horas separam da escuridão da noite que chega. Há pressa nos judeus, aquele cenário cruento não pode emoldurar as luzes do sexto dia. Às pressas enrolam-no com tecido e o deitam em uma cova, jaz o Deus eterno. 

Consumado está, nada mais resta àqueles que Nele depositaram esperança. Retiram-se todos até a manhã do primeiro dia, para a celebração e submissão à morte, a crueldade da morte. Pobre de nós!
  
Assim ficaria, caso não houvesse santidade, poder e fidelidade em Deus. 

Um novo dia, uma nova vida emergiram daquele túmulo, emergiram de Deus. 


Bendito seja o Todo-Poderoso.

sábado, 20 de novembro de 2010

A vida que vem do túmulo

Igreja Batista Regular Renascer
Culto Noturno
Manaus, 21,novembro,2010

E acharam a pedra revolvida do sepulcro. Entrando, porém, não acharam o corpo do Senhor Jesus. (Lc 24.2-3)

A vida que se apresenta diante de nossos olhos, cantada pelos poetas, que ajuda a compor enredos e se lança como uma celebração, é na realidade o manifesto da desesperança de toda a raça.
Subordinada aos caprichos da morte fez do homem refém, como um leão condenado que em clausura percorre incessantemente os quatro cantos da jaula a espera do sacrifício.

Para esse nada há além do fechar dos olhos. As ambições, o prazer, os sentimentos, tudo será encerrado pelo manto negro da morte. Não há esperança, a morte é o último ponto, é o fim da percepção humana. A frieza da análise fornece-lhe a miséria vivida: nada há além do visível, nada há além do prazer e das conquistas. Quedou-se à morte, adaptando-se a desesperança que pasteurizou a vida moderna.

As advertências divinas foram lançadas fora, o inferno tornou-se infantil demais para consideração, mesmo que sua vida sejam passos rumo às aflições eternas. Perdida a noção de pecado, a moral decai e o homem regozija-se nas sarjetas imundas de seu cotidiano achando-se superior e, paradoxalmente, quase imortal.

Sem regras, sem família, sem pudor... sem Deus, é o quadro da desesperança cotidiana. Rejeita toda abordagem a respeito da eternidade, satisfaz-se com o engano dessa vida fugidia. Esquiva-se dos preceitos divinos, de seu próprio interior, julgando logrará êxito frente ao Juiz de toda terra.  Jeremias traz a advertência do alto: Por que se queixaria o homem vivente, o varão por causa do castigo dos seus pecados? (Lm 3:39).

A morte, queira o amigo ou não, é a justa sentença de Deus sobre todos. A cada dia ela mostra seu poder, sua marca: crianças, idosos, sábios, indoutos, nobres por ela são ceifados.  Ela está a mostra, cemitérios testemunham com suas as infindáveis cruzes a presença da morte, o pranto, as inócuas missas tecem sua textura entre nós, avisando a todos de sua presença. Sim, assim quis o Juiz de todo universo. Por ela o Altíssimo exibe a insuficiência e finitude humanas.

O que a Escritura tem para esse homem, o que ela tem para abrir sua mente e fazê-la ir além da mesquinhez dos dias maus que se apresentam? A morte passeia vitoriosa, garbosa se mostra em toda a criação. Que poderá fazer o homem?

As Escrituras solenemente afirmam: Jesus, nosso Senhor e Deus venceu a morte, é seu Senhor.

Reúnam-se todos os demônios, satanás, católicos, espíritas, sábios, livres pensadores, cristãos professos, apóstatas e toda multidão de pecadores e venham ouvir: Jesus, o Deus eterno, é senhor da vida e da morte. Sim, foi da vontade de Deus, o Pai, que assim o fosse. 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Não tendes nada para comer?


Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe: Nós também vamos contigo. Saíram e entraram no barco; e naquela noite nada apanharam.  Mas ao romper da manhã, Jesus se apresentou na praia; todavia os discípulos não sabiam que era ele. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, não tendes nada que comer? Responderam-lhe: Não. (Jo 21.3-5)

Não tendes nada para comer? Esta pergunta dirigida a um grupo de pescadores que volta de seu turno de trabalho soa estranha, até um pouco estúpida. Como não teriam aqueles homens o que comer após uma noite no mar? Todo pescador sempre volta com o resultado de sua pesca. Mas a resposta dada foi NÃO. Nada havia pescado, sua jornada em busca de peixes, absurdamente, não proporcionara o fruto mínimo de seu labor. 

Aqueles homens experimentados no mar, experimentados em fisgar peixes, não apenas não dispunham de peixes para sua alimentação, mas foram obrigados a expressar a condição em que se encontravam: sem o elemento essencial de sua vida, o significado maior de seus esforços. A razão de toda aquela noite.
A pergunta feita pelo Senhor aos seus discípulos oferece-nos um significado magnífico.

O questionamento feito aos seus discípulos se deu no Mar de Tiberíades, aqueles homens experimentaram três anos de convívio intenso com o Senhor, de ensinos soberbos e profundos, de experiências arrebatadoras que jamais humano algum compartilhara: curas, milagres, o monte da transfiguração e o anúncio das profecias de morte e ressurreição do Deus eterno. 

Haviam estado em um túmulo, em que a morte fora vencida, o corpo que lá jazia à morte, agora vazio, celebrava a vida que prevalecera, conforme a soberania e amor do Altíssimo. Sim, aqueles homens, agora pescadores, voltavam de um dia de labuta, um dia de fracasso e frustração. Não tendes nada para comer? Não. A condução do argumento divino os faz verbalizar a insuficiência humana.

Temos os nossos pares contemporâneos, dentro e fora da igreja, pessoas que ouvem falar das grandezas de Deus, convivem com os santos, vêem a maravilha que o Senhor tem feito transformando vidas, mas continuam vivendo dias de frustração e fracasso.  Não que lhes falte o peixe ou frutos de seus trabalhos, mas lhes falta vida. Não perceberam o significado do túmulo vazio do Senhor, não foram arrebatados pelos santos textos da Palavra. Vivem vidas sem perceberem que nada tem para comer, são pobres, cegos e continuam nus. 

Um dia, o ressoar da voz do Senhor, mesmo estranho, estúpido, chegará: Tens vida para viver? Responderão: Não, nenhuma! 

sábado, 13 de novembro de 2010

Morreu o Senhor


Manaus, 14, novembro,2010
Igreja Batista Regular Renascer

Está consumado! O último brado, depois apenas a liturgia perversa da morte.
Há silêncio em todo imensidão, jaz em uma cruz o Senhor do universo. Sobre aquele corpo está o registro da maldade humana.
As perguntas em profusão são lançadas aos quatro cantos da terra.
1.       Por que morreria o autor da vida?  Aquele em que nele tudo subsiste?
2.       Seria apenas a evidência da maldade contínua do desígnio do coração do homem e que não haverá restrição para tudo que intentam fazer?
3.       Quem, pois construiria o caminho da vida, o caminho da paz? 
4.       O que de Deus podemos aprender que está naquela cruz?


Nas santas palavras do Senhor aprendemos o amor, a retidão e a justiça.  Mas, na cruz a dor, profunda dor.  
Percorramos as sendas de sabedoria do Senhor Deus, deixemo-nos levar pelo Seu Santo Espírito. A Ele tributemos antecipadamente toda a honra, todo louvor, toda glória. 

João 19.30 diz: “Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito”.

O Senhor em Sua Palavra afirma que a morte é a sua sentença contra o pecador. Todos nascidos de Adão estão sob acertada sentença. O salário do pecado é a morte ouvimos de lábios infantis em cada uma de nossas salas. Mas, pergunto-lhes: Quanto ao meu Senhor? Como foi para aquela cruz?
Recorramos à sabedoria de Deus, Sua palavra, nela lemos a respeito de Jesus, o Senhor – Evangelho de Lucas, cap. 1:
“Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai, ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó e o seu reinado não terá fim.”
E mais:
 “este ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus.”

A eternidade santa do Senhor – o Filho do Altíssimo - viria experimentar este mundo caído, este mundo de horror e corrupção.

Escritor aos Hebreus ao contemplar o Senhor da glória registrou: 

Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. (Hb 4:15)

assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação. (Hb 9:28)

Não há como duvidar: O Filho do Deus Altíssimo, o rei eterno é santo. Jesus passou por aqui sem cometer pecados; morreu, está o céu e virá nos buscar em plena santidade. Nenhum pecado, nenhum mal cometeu.
Sendo a morte a justa retribuição para o pecado, temos confirmado que a morte jamais teve poder sobre Ele, assim, Nosso Senhor jamais morreria ou morrerá. Por que morreu então Nosso Senhor?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Unidos contra Cristo ou A convergência do interesse humano


Manaus, 7, novembro,2010
EBD Igreja Batista Regular Renascer

João (19.14-24)
Na leitura sobre a crucificação de Cristo, impossível é não atentar para as motivações presente. A relação entre os distintos grupos tem matiz próprio, um caráter singular.  Os gentios, na figura de Pilatos, os religiosos, representados pelos judeus e a turba acéfala, que sempre é conduzida. Para chegar à cruz houvera suborno, agressão, coação, falsas testemunhas, covardia etc.

Por que tanto por um maltrapilho? Um qualquer? Sem influência familiar, sem procedência. De tão desprezível, que Natanael inquiriu: Poderia vir algo de bom de Nazaré? Sim, nenhum sentido há, na análise fria da história, que justifique as proporções que alcançaram a morte de Cristo. Apenas encontro respostas ao me debruçar sobre o mal que aprofunda suas raízes no coração de toda a raça humana e nos propósitos eternos do Altíssimo. Sim, há mistérios e propósitos na sabedoria e no plano de Deus.

Sim, Deus derramou seu sangue, o Livro dos Atos dos Apóstolos (20.28) registra: A Igreja que Deus adquiriu com seu próprio sangue, sentença eterna do coração do Senhor, assim, haveria de ocorrer na história. Mas por que tamanha ira? Tantos riscos? Repúdio e abandono de todos?

O Altíssimo será conduzido até o madeiro. A cruz que encerrará seu martírio, que sobre ela passará os últimos minutos desta vida o Senhor da glória, objeto do escárnio dos homens. 


A cruz da morte acomoda a vida, a nossa vida.


O que levou ao povo de Israel a rejeitar o seu rei? O seu Messias? Que relação há na crucificação do Senhor com os nossos dias?

É o desafio que o Senhor colocou diante de nós nesta manhã. Que Ele ilumine nossa vereda, faça, como a chuva serôdia à terra seca, chegar sua palavra aos nossos corações, é a minha oração.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

É noite. (A Malafaia, políticos "cristãos", variantes e afins)

Manaus, 4,novembro,2010


É noite. 
Os sons da traição sussurram pela a escuridão, percorrem os parques. 
É noite nos corações. 
Trinta peças de prata por um salvador.

Entregue por um dos meus.
Este enredo de horror e usura voltará. 
Onde estarão os meus, os meus amigos? Todos me abandonaram. 
Este enredo de horror e usura repertir-se-á.

Rodeiam-me por todos os lados, cercam-me com fúria como se malfeitor fosse. 
São gritos, blasfêmias, acusam-me por ser quem verdadeiramente Sou. 
Esbofeteiam-me sem que mau algum tenha feito. 

Rilham os dentes em ódio. 
Não lhes há satisfação, pois me aumentam a minha dor. 
Perfuram minha fronte, sangro, 
os espinhos dilacerantes encravam mais dor, 
sinto as dores de homem. 

Coroa, mantos e canas fizeram-me rei.
Nada sabem os filhos dos homens.

Minha aparência é horrenda, sofro as dores dos homens, 
nada poderá detê-los. 
Transformei-me no escárnio do mundo, 
há prazer e loucura em meus verdugos. 
Não há limite para maldade dos filhos dos homens.

Não sabem que há mais amor e misericórdia no Pai, 
que seu rancor e ódio em milhões de mundos.
Nem todo mal das hostes de demônios desfaria a cruz. 
Nada me demoverá, seguirei.

São os filhos dos homens em sua disposição de morte, 
matarão o autor da vida, 
rejeitaram o Santo.  
Nada sabem, nada sabem.

Vejo a turba em multidão: Sangue! Sangue! 
Suas bocas urdem enganos, semeiam a morte e clamam por justiça. 
Sua justiça e lei: a vil rejeição do Pai.
Tramas escuras pintam a condenação do Santo. 


Antes do Senhor está a glória dos reinos deste mundo.
Buscam a defesa do prazer e do engano usando o nome do Senhor.

Aproximam-se de mim, mãos que derramarão sangue inocente, 
seguem conforme sua disposição, conforme está escrito.

Erguem a cruz, bendita cruz. 
A madeira, mesmo que para morte, 
sustentará a vida por toda eternidade.

Os pregos traspassam minha carne e ossos, 
sinto as dores dos homens. 
Serei levantado, não tardará, 
virão as trevas, para eternizar o amor, 
para encerrar a minha dor.  

Está consumado!

É noite. 
Os sons da traição sussurram pela a escuridão, 
da noite e dos corações. 

É noite. 
Trinta peças de prata por um salvador.
Chegaram aos púlpitos, chegaram a nós.

Este enredo de horror e usura está posto – repete-se - diante de nós.

Sabedores ou não é como tributam ao Senhor.


É noite, 
conforme está escrito, chegou.