"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Senhor de toda a terra

Morar em Manaus tem alguns privilégios, um deles é conhecer missionários transculturais. 

Com seus locais de trabalho localizados no seio da floresta amazônica, tão recônditos alguns deles, que consomem até 30 dias de viagem, percorrendo rios, igarapés, lagos até chegarem lá.

Tive a oportunidade de ouvir um desses. Falava a respeito de suas experiências em meio aos povos indígenas. Contou-nos, que em certa ocasião, na tribo em que estivera, presenciou um índio, já grandinho, urinar - sim, urinar - sobre seu pequeno filho. Aquilo o revoltou profundamente. 
- Uma barbárie, uma selvageria. Desrespeito a uma pessoa que abrira mão do conforto de sua cidade, do convívio com parentes, pais e amigos para unicamente levar-lhes a palavra da salvação. 

A rigor, sua permanência ali apenas os beneficiaria, não necessitava de nenhum daqueles selvagens para viver sua vida. E, em troca, recebia algo tão hostil submetendo-os - ele e sua família - a tão profunda humilhação.

Sem hesitar, foi até o rádio e comunicou o ocorrido à sua base exigindo imediato resgate. Não ficaria em meio àqueles selvagens, que não sabiam minimamente se comportar de maneira adequada. Aquilo não ocorreria nem com um animal em sua terra natal. Transmitida sua revolta e tomada a decisão, ouviu do outro lado que levaria um ou dois dias até que o avião fosse resgatá-lo. 

Em sua espera abriu sua Bíblia e leu: "E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz." (Filipenses 2 : 8)

Sua mente foi varrida por um facho de luz: O Senhor de todas as coisas, o Deus eterno esteve cá entre nós. Não considerou o fato de ser o próprio Deus, a honra devida foi-lhe , mesmo sabendo... veio. 

Habitar em meio de nós selvagens, inimigos seus, hostis, incapazes de minimamente desejar ou realizar qualquer ato que O agradasse. Malditos por justiça, idólatras por vocação.

Ausentou-se de sua pátria, da adoração das miríades de anjos, do convívio estreito com o Pai, com o Espírito. Experimentou as limitações humanas, a fome, o frio, a ignorância e o ultraje dos selvagens.

Esteve aqui, não por um deleite pessoal seu, mas para morrer pelos seus amados selvagens, e morte de cruz.

Tanta humilhação para tornar possível nosso relacionamento com Ele, fazer-nos seus amigos. A rigor, sem precisar de qualquer um de nós.

Foi aviltado, entregue por aquele que com ele comia, difamado pelos próprios irmãos, abandonado por todos na hora da aflição. Açoitado em praça pública, sem culpas, sem dolo, sem pecado algum caminhou até a cruz e nela bradou nossa liberdade: Está consumado. Ressurgiu da morte, subiu aos céus. E a cada dia nos guarda, sem esquecer de nenhum de nós... e virá nos buscar.

Bendito seja o Senhor.

Lá no meio da floresta o coração altivo daquele missionário precisou do pequeno índio para entender as grandezas do Senhor de todo o universo .

Corações altivos são portais da soberba. Em nossas supostas sabedoria e importância queremos aparentar o que não somos, grandes demais, maiores que o Senhor. Vivemos por nós mesmos, não para o Senhor que vive em nós.


Sensíveis demasiadamente ofendemo-nos em tudo, somos refratários às críticas, às exortações, assim, fugimos das trilhas santas do arrependimento. 

"Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou." (I João 2 : 6)

Ao ser tomado por sentimentos de soberba, altivez lembro-me daquele missionário e daquele pequeno selvagem que Deus utilizou para edificação dele e minha. Sou grato ao Senhor por ter ouvido aquele homem.

E mesmo sem ter estado lá, sempre agradeço e necessito daquele indiozinho lá dos confins da terra.

Só o Senhor é Deus e incontáveis são os seus feitos. 


A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

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