"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

Visitantes

Posts

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fiquemos de pé.

ENTÃO falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; (MT 23.1-3)



Muitos têm empreendido esforços para entender as causas que levaram o Cristianismo, em geral, ser substituído pelo evangelicalismo. É preciso reconhecer que fomos – e somos - responsáveis. Por outro lado, este mesmo quadro, aponta diretamente para mim: derrotado. E devo reconhecer, mesmo que vencedor em Cristo. Perdemos para os falsários, para os mentirosos, entregamos toda a riqueza do mundo. A Palavra e a história não me deixam esquecer, sei, do sangue derramado. Só o Senhor restabelecerá a dignidade do Seu Nome.

Mas mantendo a guarda, preciso olhar para a Palavra e para o mundo, entender o que houve e o que há. O desafio é saber se posso fazê-lo com simplicidade. Ouso que sim. À conclusão surgirão contrários acalorados, o que a fortalecerá ainda mais.



A negligência aos conselhos eternos do Senhor conduzirá a complexidade, erros, ou mesmo inconclusão. Buscá-la, olhando para o alto, trará refrigério, livrando do incômodo da indecisão.
Quais os elementos no contexto de nosso enfrentamento? O espírito secular que influencia a todos, a dinâmica das regras (uma nova compreensão dos textos sagrados para cada momento) e o misto de gente frente às representações religiosas (humanismo religioso). Um ambiente aonde, por retroalimentação entre estes, há bastante energia, garantindo-lhe crescimento e poder. Este é o ponto de partida.
O desdobramento inevitável produzido por este cenário é fragilidade teológica de nossa geração. A mensagem oferecida destituída de fundamentos bíblicos sedimentou-se ao longo das décadas formando um imbricado teológico de impossível sistematização, mas perceptível prejuízo ao Reino.
Outro desdobramento vem da obra missionária. Mudou-se sua natureza, abandonaram o Cristo. Na nova visão de missões, leva-se para além fronteira uma marca comercial e um punhado de truques pastorais. Diferente da mensagem de salvação, a rigor, inaugura-se mais um ponto de coleta. Assim, destina-se, preferencialmente, a atender os bolsões dos necessitados... os ricos.
Reconheço a devastação que a má teologia unida ao esforço comercial das novas missões causaram ao cristianismo, contudo, é na vida devocional dos crentes que vejo a derrota da Igreja do Senhor.
E neste âmbito chama minha atenção dois aspectos. O primeiro é o problema do método. O Relativismo hermenêutico, que trouxe a base para distorção dos textos e sua aplicação para o alcance de metas terrenas, sem abordagem espiritual. Isto será objeto de outra postagem, se Deus permitir.
O outro aspecto, este, muito mais grave, envolve o homem interior: a disposição mental dos santos, a qual não pode ser dissecada para análise acadêmica, pois reside no profundo da alma humana, assim, de interesse vital. Ela afeta a auto-avaliação, sugerindo o estágio de santificação pensado: a meninice indesejável ou maturidade inabalável. O desvio nesta área traz conseqüências práticas danosas no relacionamento do servo com Seu Senhor. (Rm 12.3)
O que muitas vezes traduz maturidade é apenas o prazer da leitura, mas pouca obediência à Palavra. (Tg 1.22) E tal maturidade, real ou não, permite-nos a liberdade. A liberdade de filmes imorais em nossos lares, para depois passarmos uma manhã “em comunhão” com o Senhor. Prévias dominicais movidas pelo requinte secular para, em púlpitos soberanos, exortamos irmãos “desajustados”. As horas no entendimento dos arranjos da política partidária, mantendo a mente e a Palavra fechadanos. Usando da liberdade que há em Cristo para fazer valer a carne. (Gl 5.13) Maturidade presa aos instintos deste mundo? O Senhor diz: "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." (Tiago 3 : 15)
Além das Escrituras, há abundância de textos produzidos pelos santos, que aparentam ter estado no céu, dada a clareza e verdade expostas. Pessoas – estas sim, ungidas por Deus – a fornecer às nossas mentes “porretes” espirituais para inculcar roteiros maravilhosos rumo à glória futura.
Mas tais manás são ótimos... para serem aplicados ao “outro”. Esse "outro" que nunca está em meu coração, que precisa implodir minha mente sábia para construir a simplicidade de Cristo. Esse “outro” sempre lê por sobre meus ombros; diferente de mim, sempre o vejo necessitado de todos os conselhos celestes. E sempre fora de mim, afirmo que o “outro” não sou eu.
Contrário aos santos, os falsários não têm a Palavra, muitos nem o Espírito. Perdemos para eles,
porque antes perdemos para nossos próprios corações. Sofre a Igreja do Senhor pela maturidade fragilizada de uma vida devocional não vivida.
Lemos e falamos e não praticamos, continuamos sentados na cadeira de Moisés.



Ao Senhor honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

3 comentários:

  1. Paulo,

    o seu texto indica duas verdades na igreja:

    1) De que, talvez, não haja uma época em que se produziu tantos "crentes" fracos, que em nada são luz no mundo, mas vivem um nominalismo que reflete a realidade de suas vidas.

    2) Nós, os eleitos, temos a obrigação de proclamar o Evangelho de Cristo, mas de também vivê-lo. Acontece que falar é mais fácil, muito mais fácil; agora, vivê-lo...

    Eu mesmo vivo uma luta com o secularismo. Chego em casa cansado do trabalho, e tenho algumas opções:
    a)Ler a Bíblia e orar;
    b)Ler um livro cristão;
    c)Estudar inglês ou teologia;
    d)Conversar com minha esposa e filhos;
    e)Assitir ao futebol ou uma série a cabo qualquer.
    Com a desculpa de que estou cansado, acabo, na maioria das vezes, por assitir ao futebol ou a série. Converso um pouco com a esposa e os filhos (entre os espaços publicitários); leio alguns capítulos de um livro ou estudo inglês; e, reservo o fim da noite para a oração e a leitura de um trecho bíblico (não mais do que 30 minutos). Mesmo fazendo o trajeto de ida ao trabalho ouvindo o Evangelho em mp3 me parece muito pouco contato com a Palavra de Deus.

    Isso acaba por se refletir em nossas vidas, de uma maneira em que não praticamos o Cristianismo. Então, deixamos de falar de Jesus paras as pessoas; deixarmos de orar por elas; de auxiliá-las em suas dificuldades; e, nós mesmos, estamos suscetíveis ao desespero, quando os problemas chegam. Em suma, o nosso Cristianismo refletirá em nossas vidas e daqueles que estão próximos, na medida em que temos mais ou menos contato com Deus.

    Cabe a cada um assumir a sua responsabilidade e clamar ao Senhor que nos capacite e nos torne cada dia mais semelhante a Cristo, e que possamos, assim como Paulo, dizer um dia: já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim!

    Abraços.

    Cristo o abençoe!

    ResponderExcluir
  2. Amado,

    e quando eu leio pessoas falando em avivamento eu penso estar em outro mundo.

    Ao olhar em mim, e na minha volta, e em textos que leio, percebo como não compreendemos a Santidade do Senhor.

    Sua graça que nos permite.

    Em Cristo.

    ResponderExcluir

1. Seus comentários e refutações são bem vindos.
2. Por favor, faça-os sempre com base nas Escrituras, caso contrário, são opiniões pessoais, com pouco valor
3. Não modero cometários, seu temor ao Senhor deve sê-lo
As ofensas pessoais podem ser substituídas por refutações, ajudariam a todos que passam por aqui.

Em Cristo.