"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sábado, 8 de maio de 2010

Eis aqui tens o que é teu.




















Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu. (Mt 25.24:25)

O título deste post foi extraído da resposta dada por um despenseiro do Senhor. Que avaliou sua missão sob uma ótica restrita, sem perceber outras possibilidades reais. É o que acomete a todos.

Cada cosmovisão, e aí incluo a perspectiva escatológica, adotada produz uma disposição mental que leva a desdobramentos, e estes por sua vez, sustentam valores cotidianos da vida cristã. É comum, sem nos apercebermos, formularmos cenários que rejeitam ou alteram conceitos básicos das Escrituras. Ou seja, a visão de futuro exerce um poder sobremodo forte sobre conceitos, preceitos e princípios da fé. Logo, esta expectativa nos aproxima mais ou menos da secularização. A despeito disto, a fidelidade do Senhor tem sido evidenciada pelo cuidado, bondade e longanimidade para com o seu povo. Nisto devemos dar glórias ao Altíssimo. Pois somos o que somos, e mesmo assim, Ele nos tem fortalecido.

Isto posto, podemos avaliar uma posição sob duas perspectivas de futuro com seus valores e conceitos.

A idéia de um reino terreal construído pela Igreja para Cristo.  Implica obrigatoriamente no envolvimento das mentes salvas nos movimentos complexos e sempre pecaminosos da política partidária.

Perspectiva 1. Tal intromissão na vida secular representa mundanismo para os que entendem que o mundo vai de mal a pior, e que Cristo não necessitará de ajuda da Sua Igreja para construir Seu reino. Assim, seria mundanismo e não contribui para o Reino.

Perspectiva 2. Já para os construtores do reino, a conduta apolítica representa apatia e perda de ideais legítimos a serem alcançados pela Igreja do Senhor. Assim seria desleixo com a obra do Senhor e não contribui para o Reino.

São padrões de conduta inconciliáveis, tomando-se por base cosmovisões distintas. É sensato avaliarmos nossa conduta pessoal e, posteriormente a análise do outro, e isto sob a luz das sagradas letras.

Quando passamos a avaliar a “outra” doutrina estamos alicerçados em “nossos” fundamentos, o que nos impede realizar tal análise despidos de tendências. Já li uma avaliação de todas as perspectivas escatológicas em apenas cinco linhas, cujo autor estabeleceu um índice de coerência a cada uma delas: “ruim”; “fraca”; “muito boa”; “possível”. Era perceptível, sua cosmovisão era a única verdadeira.


Esquecemos que abraçamos um sistema de credo cristão por motivos meramente circunstanciais, ou seja, fomos a aquela igreja por convite, iniciamos com um amigo de trabalho, ou na rua de casa, ou pelos nossos pais etc. Poucos, pouquíssimos, fizeram sua opção doutrinária debruçando-se sobre os textos com a hermenêutica adequada, permitindo que o Espírito o conduzisse a toda verdade. Falo do bojo doutrinário, e não do refinamento interminável feito ao longo dos anos em que desfrutamos da companhia e da intimidade do Santo. Dificilmente, alguém passou a ser batista vindo de solidez presbiteriana, tampouco a via contrária foi percorrida. Mas, em maioria, somos batistas ou presbiterianos por um evento inicial totalmente fora do rigor acadêmico. Consubstanciamos os valores de nossos pares.

O desdobramento da história lançará luz sobre aquilo que ainda é profético. Esperar em Deus é uma atitude humilde. É possível que ao assumirmos possibilidades e negarmos outras estejamos expondo nossos corações acima da vontade santa do Senhor. Enterrando talento.

A sistematização das doutrinas, que é bem necessário, nas denominações tradicionais do cristianismo implica na consolidação de valores históricos. A atitude contrária, de derribar os marcos outrora fincados, é uma característica com viés pentecostal, a qual devemos ser prudentes. Entretanto, quando opinamos a respeito das doutrinas tradicionais, as quais não abraçamos, não hesitamos em  em lançá-la por terra. Não permitimos outras possibilidades.  

Santos têm asseverado pontos doutrinários além da revelação, estendendo ou engessando os atributos de Deus tentam conferir-Lhe maior glória ou poder, como se fosse possível ou mesmo necessário. Sabemos, ou imaginamos, que Deus é muito mais que o revelado. Mas nossa crença não pode, para qualquer propósito, ir além da revelação. Ou seja, o Deus Ontológico é o Deus da Revelação.

Esse cenário me remete ao texto de 2 Tm 3:2 por duas questões, isto é, sob minha perspectiva escatológica.
(1) Há no texto, dentre outras, duas características comuns do homem dos últimos tempos: amantes de si mesmos e soberbos. O ensino alerta sobre o equívoco quanto à avaliação pessoal (Rm 12.3) e seu desdobramento natural, que é superestimar seu valor coletivo (Fp 2.3).
(2) Comumente este tem sido aplicado para avaliar o mundo em nosso derredor e excluindo aos santos. É ingênuo pensar que tais características não estão presentes entre o povo de Deus, contaminando corações e levedando nosso meio.

O ardor de nossos corações está sendo moldado pelas "virtudes" destes últimos tempos, fazendo-nos supor sermos servos fiéis além dos "outros".
A aparência demonstrada leva a conclusão que estamos fartos, sem necessidade de talentos; suficientes para tão pequena obra. Portanto, devemos orar para que o Senhor nos conforme a um caráter mais humilde. 

O desfecho final da parábola certamente não se aplica aos santos.


Ao Deus eterno imortal, honra louvor e glória por toda eternidade.

2 comentários:

  1. Paulo,

    um texto realmente muito bom e reflexivo.

    É verdade que não estamos isentos de pressupostos, nem de cosmovisões, e é verdade também de que não há neutralidade. Quando se vai à Escritura, devemos fazê-la de forma humilde, mas sem temer encontrar ou descobrir aquilo que Deus quis revelar.

    Infelizmente, muitos se achegam a ela mais temerosos do que humilde, da mesma forma que muitos se aproximam mais orgulhosos também. Temos de entender que Deus é Deus, está muito além da nossa compreensão, mas naquilo em que se revelou, revelou-nos para que, dentro de nossas limitações, o conhecéssemos. Ir além ou ficar aquém da Escritura não é sábio, nem prudente, e refletirá um ou outro pecado: orgulho, para os primeiros; medo, para os últimos.

    Porém, o importante é que, mesmo sem o conhecimento completo do Senhor, é possível honrá-lo e glorificá-lo com nossas limitações. João o Batista disse: É necessário que ele cresça, e que eu diminua. Enquanto Paulo falou: Já não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim. À medida em que o nosso "eu" diminuir, e o Senhor crescer em nós, desprezaremos os detalhes para ficar com o principal: amá-lo e servi-lo com todo o nosso coração e entendimento. Mesmo o entendimento precário, mas suficiente, glorifica a Deus. Na cruz, o "bom" ladrão, em questão de segundos, teve o entendimento suficiente para glorificá-lo, e receber a salvação. Ele não tinha o conhecimento exaustivo que, por exemplo, Pedro tinha, mas isso não fez diferença, pois a salvação não é nossa, nem depende de nós, mas apenas e exclusivamente de Deus.

    Creio que há princípios bíblicos claros que não podem ser desprezados, com o perigo de assim agindo estar-se enganado quanto a ser filho de Deus. A inerrância, infalibilidade e inspiração divina das Escrituras é uma, pois, sem ela, como conhecer Deus e a sua salvação? Sem reconhecer Cristo como Deus e homem, também. Sem reconhecer o Espírito Santo [a doutrina da Trindade]. Sem reconhecer nossa pecaminosidade. São alguns exemplos; mas há outras coisas que não são essenciais, como se o batismo válido é por imersão ou aspersão (o ladrão na cruz não se batizou, e naquele mesmo dia estaria em comunhão com Deus no paraíso).

    Porém, uma coisa é certa, o que temos, o que recebemos, o que conhecemos, e mesmo o que não conhecemos, nem temos ou recebemos, acontece somente por Deus. Ele é o doador de todas as coisas, sejam materiais e espirituais; e, cada um, recebe na medida da sua vontade, segundo o seu propósito, para a sua glória.

    Grande abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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  2. Irmão,

    vou postar o comentário.

    Que Deus seja louvado.

    Em Cristo

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1. Seus comentários e refutações são bem vindos.
2. Por favor, faça-os sempre com base nas Escrituras, caso contrário, são opiniões pessoais, com pouco valor
3. Não modero cometários, seu temor ao Senhor deve sê-lo
As ofensas pessoais podem ser substituídas por refutações, ajudariam a todos que passam por aqui.

Em Cristo.