"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sexta-feira, 4 de junho de 2010

O filho pródigo na perspectiva Dispensacional


A Parábola do Filho Pródigo. Apesar deste título não se encontrar nos textos sagrados, em nosso país, tornou-se tão popular que muitos lhe atribuem “canonicidade”, não sem lhe dar estranhos significados.

O estudo das parábolas bíblicas é um desafio para todo aquele, que com sinceridade, tenta perscrutar o propósito e o caráter de Deus revelado. A pormenorização, a simetria exaustiva e mesmo o distanciamento impõem riscos e restrições, que a ousadia do intérprete, em não os respeitar, pode levá-lo aos devaneios dos livres pensadores, indo além dos marcos fincados pelo Senhor.

Reconheço que a aplicação das verdades santas serve para todo propósito que há debaixo do sol. Quanto ao significado do texto, o que pairava sobre a mente do escritor no registro sagrado, sua pretensão ao seu destinatário, apenas um único significado foi intencionado. O desdobramento da história tem mostrado que apenas uma única verdade se confirma através do tempo.

Não intento polêmicas, e bem sei da impossibilidade de consenso, mas espero que as divergências sejam feitas após a avaliação criteriosa do texto e venham para o engrandecimento do nosso Deus.

Oro ao Santo para que durante esta caminhada conduza nossas mentes e nossos corações cativos a Cristo.

Antes de considerarmos a parábola é preciso desqualificar o ensino que tenta acomodar às Escrituras a possibilidade de unir luz às trevas; Deus as separou eternamente, mas o homem insiste nessa recriação insana. Falo do uso desta parábola para fundamentar a sombria “doutrina do desviado”, saída do humanismo teológico, tenta justificar-se nesta passagem, ousando acomodar nos braços santos do Senhor o pecador impenitente. Vil tentativa encontrada por pais, pastores, amigos, cônjuges que tentam justificar aqueles que permanecem em trevas, porém “um dia aceitaram” Cristo. Foi-lhes estendida a proteção pentecostal da “doutrina do desviado. Sem base bíblica, e contando ainda, com inúmeros textos em contrário, os versos a seguir são suficientes para nos convencer que tal interpretação é antibíblica.

Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8:30-32)

Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. (Jo 8:34)

Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; (1 Jo 2:4)

Quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo. Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus. 1 Jo 3:8-9

O PLANO DE FUNDO DA HISTÓRIA HUMANA

Tomemos por pano de fundo a promessa de Deus feita a Abrão expressa em Gn 12:1-3.

Ora, o Senhor disse a Abrão:. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Dela, a Aliança feita com Abrão, atribuir-mos três dimensões :

1) Pessoal. “abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu”;
2) Nacional. “Eu farei de ti uma grande nação”;
3) Universal. “e em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

Temos, portanto um painel de motivações e compromissos divinos conduzindo a história humana. Toda a perspectiva Dispensacional repousa sobre o pilar do cumprimento literal da Aliança Abraâmica com seus desdobramentos, da Terra e do Reino para Israel, assim temos os pressupostos desta análise.




O CONTEXTO ANTERIOR E UNIDADE DAS PARÁBOLAS

A idéia que subjaz às parábolas da ovelha perdida e a moeda perdida, falam claramente sobre arrependimento. vv. 7,10, e mantendo o tema do resgate de pecadores.
As parábolas anteriores, ainda sustentam que o perdido é parte de um todo que está incompleto, que ao ser encontrado estabelece sua completude.
É lógico, porém não obrigatório, que a parábola em questão preservasse as idéias desenvolvidas no contexto anterior. Mais reforçam os motivos para aceitar tal possibilidade, quando escritor no v. 11 faz uso da transição, “Continuou” (RA); “E disse” (RC).

OS OUVINTES E SEUS SENTIMENTOS

O público que ouvia o Mestre era constituído de publicanos e pecadores, escribas e fariseus. É textual, vv. 1,2, que os escribas e fariseus consideravam-se à parte da realidade dos pecadores. Há outras passagens que registram esse sentimento, a oração do fariseu Lc 18.10. Na religiosidade dos fariseus está presente superioridade frente a outros grupos da cultura judaica. Isto também é verdadeiro ao se tratar de outros povos, conforme podemos ler em Jo 18:28, onde religiosos judeus não entraram no pretório, ambiente de gentios, pois caso o fizessem seriam contaminados. Esta mesma idéia está presente no livro de Atos; quando Pedro é convencido pelo Senhor a mudar de idéia a respeito dos gentios; os gentios representavam animais imundos segundo a imagem mental do Apóstolo.
Temos bases bíblicas para afirmar que Jesus falava para os judeus que consideravam os gentios como imundos.

Ao chegarmos ao final algumas perguntas precisarão ter respostas:
1. Qual o ensino geral da parábola?
2. Quem são prefigurados nos dois irmãos e no pai?

O FILHO MAIS MOÇO

A descrição feita por Cristo do filho mais moço fornece aos seus ouvintes a convicção que se tratava de um não judeu, pois estava em desacordo aos valores defendidos pelos judeus e fariseus ali presentes. “Guardar porcos e comer as alfarrobas (comida dos porcos)”. O cenário proporciona aos ouvintes a condição para estabelecer que aquele filho não se tratava de um judeu semelhante aos ouvintes. O fato de citar terra longínqua define que o cenário é além das fronteiras da Judéia. A devassidão detalhada associada ao mais moço afasta completamente a possibilidade de referenciar a qualquer dos fariseus.

Há demais detalhes, mas o v. 18,21 nos interessa o arrependimento e a confissão de pecados, “Pequei contra ti”. Isto faz com esta parábola garanta a unidade com as duas anteriores, trazendo a lume o mesmo ensino sobre arrependimento. E definitivamente qualifica o filho mais moço como um não fariseu. As ilustrações descritas a partir v. 22 servem para lançar luz sobre todo o restante da parábola:

1. VESTI-O.

A idéia de trajes está ligada a Justificação, o despir da justiça pessoal, as vestes anteriores, e vestir-se com a justiça de Deus, novas vestes. Conforme Ap 19:8 e foi-lhe permitido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro; pois o linho fino são as obras justas dos santos. Comp. com sacerdote Josué (Zc 3.1 ss);Adão e Eva (Gn 3.21).

2. PONDE-LHE UM ANEL
Sinal de autoridade e confiança. José que saiu da masmorra e foi elevado a condição de representante do Rei (Faraó com José, Gn 41.42); Assuero com Hamã (Et 8.2).

3. SANDÁLIAS NOS PÉS

Todos que ouviam a parábola sabiam que a falta de sandálias era a condição própria dos escravos, assim, temos a insinuação de que aquele escravo  passara à condição de filho.

4. REGENERAÇÃO OU NOVO NASCIMENTO
No v. 24 temos a confirmação que o Senhor introduz uma perspectiva estranha aos ouvidos e mentes daqueles homens. “porque este meu filho estava morto e reviveu”. (Ef 2.8). Este mesmo ensino não fora compreendido por Nicodemos em Jo 3.


O FILHO MAIS VELHO

A partir deste ponto, v. 25.

Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
1. SUA DISPERSÃO TEMPORÁRIA

O local onde estivera o filho mais velho: CAMPO.

Nosso Senhor (Mt 13.30 - Parábola do Joio e do trigo) ensina o campo é o mundo. Isto está de acordo com a proficia:
“Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos (Ne 1:8).
 
2. SUA CONDUTA

DESCONHECIMENTO DOS FATOS OCORRIDOS.

Israel, o Filho mais velho hoje, não considera, nem reconhece a nossa adoção em Cristo Jesus, tal situação, está oculta aos seus olhos, veja. Lc 19.42, quando o Senhor falou a respeito de si mesmo a Jerusalém.

“E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo.” (vv. 27 e 28)
CIÚMES.

Não podemos considerar nenhum outro sentimento, pois o filho reclama da atenção dada pelo pai ao filho mais novo. Que está de acordo com: “Pergunto, pois: porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes.”. Mais: A zelos me provocaram com aquilo que não é Deus; com seus ídolos me provocaram à ira; portanto, eu os provocarei a zelos com aquele que não é povo; com louca nação os despertarei à ir”a. Dt 32:21

NÃO ACEITA PARTICIPAR DA FESTA oferecida ao mais moço. Assim se apresenta o quadro atual de Israel em relação ao convite do evangelho, em REBELDIA não aceita sua participação na Igreja de Cristo, a festa dos gentios.

3. A VIDA SOB LEI

No v. 29, não entendendo a expressão exata GRAÇA de Deus, o mais velho baseando-se na relação de obediência do seu entendimento da Lei, questiona o pai por haver tratado o mais moço daquela forma e apresenta sua obediência como mérito diante do pai: “Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua”. Somente o povo de Israel poderia se apoiar na obediência com fundamento de justificação. 

4. REJEIÇÃO DA SALVAÇÃO DOS GENTIOS

O v. 30 nos mostra uma chave preciosa para crermos que os filhos são Israel (o mais velho) e a Igreja, os gentios (o mais moço). O filho mais velho usa “esse teu filho” e não "esse meu irmão". (Ef 2.11-12).

5. A ETERNA FIDELIDADE DE DEUS PARA COM ISRAEL

No v. 31, “Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu”. Que está de acordo com: “Lembra-te destas coisas, ó Jacó, ó Israel, porquanto és meu servo! Eu te formei, tu és meu servo, ó Israel; não me esquecerei de ti. (Isaías 44:21)”



CONCLUSÃO

A parábola ensina que o Senhor preanunciava a salvação dos gentios de acordo com: “Sim, diz ele: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te porei para luz das nações, para seres a minha salvação até a extremidade da terra”. Is 49:6. Mas apresentava-a de forma diferente do proselitismo judaico.

O filho mais moço, impuro aos fariseus, que esteve pelo mundo desperdiçando as riquezas (graça) do Pai, que pelo arrependimento conhece o amor redentor são os gentios, publicanos e pecadores da Igreja do Senhor;

O filho mais velho que ousa viver pela lei, e que não aceita o irmão mais novo é a nação de Israel, a quem o Senhor despertou ciúmes.

A Igreja dos Gentios e a nação de Israel e a figura do pai, o nosso Deus Triuno, que cumpre no presente momento a promessa feita a Abraão trazendo bênção a famílias por toda a terra.

A Ele honra, louvor e glória eternamente.

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