"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

O lamento de Esaú


Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou. (Hb 12.17)

Hoje sei, existem cadeias, prisões, locais onde me falta o ar, não há a liberdade que meu corpo ou alma clamam, nem sei de onde provém tanta dor. Não há relativismo na questão, não há partes na liberdade, tudo é definido pela inquietação que age como uma síndrome. Onde o choro profundo e contido são meus amigos fiéis, o grito é meu sonho suspeito, e bem sei, nada me levará de volta ao abandonado, sofro baixinho.
Deixo-me às inquietudes, aos grilhões, às masmorras, que malditas aprisionam minha mente e oprimem o pensar. As paredes de mim mesmo corrompem os sonhos que não mais os tenho, nem sei se reconheço o blefe da morte sugerindo a esperança que nunca virá.

Sigo caminhando, como a multidão, para dentro de mim, aprofundo meu desespero em busca da primeira esquina de uma rua sem fim. Não percebo se há luz por sobre a minha cabeça, pois meus olhos se fizeram reféns das sarjetas e decantam as lágrimas do possível que se desfez. A vida, parece desistiu, emudeceu contemplando os traços das escaras em minha alma.
Dói meu coração, dói minha alma. As lembranças, diante de mim como casais dançantes, vão e voltam, numa valsa de pranto e dor.
Quantos louvores ouvi, quantas aleluias foram entoadas. Até meus lábios falseavam na presença magistral de Deus. Deus estava lá, isso ouvia de bocas santas, lábios diferentes. Que luz era aquela que forte e profunda enchia o local como se nada estivesse a me esperar e tudo parasse aguardando por alguém que nunca entendi, nunca experimentei, mas eu ouvia louvores e os sons das aleluias.
Não sei quando cheguei às calçadas do prazer e dos sonhos reais; não sei quando degustei a torpeza e o prazer por ela. As noites escuras, cercadas de sorrisos leais me levaram para onde eu não sabia, mas queria chegar. Foram tantos os passos, tantos abraços e tanto cansaço para me levar, e me afastando, de longe, se perdiam o som dos louvores e das suaves aleluias. Ah! Eu já havia chegado lá, nem sabia que jamais poderia voltar.

Hoje sei, existem cadeias, prisões que não podem me libertar.

A Senhor honra, glória e louvor eternamente.

4 comentários:

  1. Paulo,

    caramba!

    Faltam-me palavras, que abundam no seu texto poético.

    Grande abraço!

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  2. Amado,

    sempre muito amável.

    Aproveito novamente para agradecer a Deus pelo texto do Audível; todos deveriam ouvi-lo.

    Milhões de Aleluias ao Senhor.

    Em Cristo

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  3. Prezado irmão Paulo,
    Graça e Paz.

    Seu texto é lindo.
    Estávamos assistindo a festa de abertura da Copa na (maravilhosa África) África do Sul, e então li seu texto, que me remeteu ao triste período da segregação racial, quando tantos morreram em cadeias, por causa do racísmo e da intolerância.

    Vi muitos africanos, judeus, e tantos que sempre sofreram por causa da irracionalidade humana.

    Perdoe-me por não ter lido antes, estou em falta!

    Um forte abraço,
    Pr. Menga

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  4. Pastor Menga,

    sempre estará a tempo.
    Não esqueça de postar outros no Soberana Graça.

    Em Cristo.

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1. Seus comentários e refutações são bem vindos.
2. Por favor, faça-os sempre com base nas Escrituras, caso contrário, são opiniões pessoais, com pouco valor
3. Não modero cometários, seu temor ao Senhor deve sê-lo
As ofensas pessoais podem ser substituídas por refutações, ajudariam a todos que passam por aqui.

Em Cristo.