"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pois quem é Deus, senão o Senhor?



Tenho lido, procurado, e raro encontro a pureza e a santidade que a Tua Palavra semeou por toda a terra. E em lugar dela, a sabedoria humana, com arrogância e sutileza, tem sido apresentada.

Rebusquei nas lembranças, tentei pela história, e por elas atravessei séculos, vi a Tua verdade moldar o tempo, vi varões com estandartes erguidos, saindo em direção aos quatro cantos da terra, proclamando a convicção mais profunda e a submissão incontrolável ao nome do Altíssimo.  Em seus corações estavam impressas palavras de amor, palavras de esperança, sua linguagem eram cânticos sem a torpeza e a vulgaridade que dela se orgulhavam os homens da terra. Saí aos confins à procura desses homens, neles tenho todo o prazer. Onde estarão? Pois sei, também procuram a Tua palavra.

Vidas, vividas na certeza que o Santo esteve aqui entre nós, falou-nos palavras, sopro de poder, vida e paz, suficiente para imprimir a eternidade nas profundezas de nossas almas. Como celebrávamos, nas noites de lua, sob as estrelas, entoando louvores: “O Senhor falou conosco e o fez face a face, grande é o Senhor”. Era como a “luz da manhã ao sair do sol, da manhã sem nuvens, quando, depois da chuva, pelo resplendor do sol, a erva brota da terra” (2 Sm 23:4). Firmada para todo sempre está Senhor a tua Palavra no céu, regozijávamo-nos com o salmista.
Não mais ouço as vozes que aos milhares entoavam os louvores santos exultando o Senhor. Das vozes de outrora, apenas o balido de ovelhas e o mugido dos bois da insolência religiosa. Removeram os limites antigos, limites que nossos pais fixaram, e jamais os restabelecerão. 

Que desencanto ou encanto corrompeu esse cenário? Quero rever esses registros de amor e glória do Eterno.

Em arenas mundiais, o sonido das trombetas jazeu ao cânticos das trevas. Multidões pululam em histeria religiosa, feito gafanhotos, espalham-se por toda a face da terra, aos milhares em marcha cega e razão corrompida, ocupam espaços, criam seus próprios modelos, promoveram e comemoram a morte da palavra do Santo, destruíram os verdes campos da semeadura. Há podridão e fumaça pelo ar, enredam-se em seus desvarios sem qualquer moral, sem nenhum temor, enganam a esperança, esperança natimorta.  Em estupidez mambembe regozijam-se na dureza e morte de judaizante coração, “eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela”. (Jr 6:10). Comerão e beberão e morrerão.  

Mas não somos assim, conosco está o Senhor: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça”. (Is 41:10) A verdade será proclamada, ela descerá dos céus como a chuva serôdia, sim, virá. É a vocação de nossas almas, o sentido de nossas vidas, nada nos deterá.

A pleno pulmões, ergo minhas mãos, aceno para que me vejam: aqui, aqui. Tropeço em mim mesmo, não nas palavras. As multidões em vão obstruem meu caminho, chegarei à frente. Ao redor há confusão, idolatria, caixas registradoras, concorrência gospel, visões, milagres, promoções e indulgências evangélicas. Reafirmo em meu coração: não estive enganado todo este tempo, sei quem é meu Senhor. Eu quero silêncio, já ouvi demasiadamente, já chorei em borbotões ouvindo e vendo o que tem sido lançado contra o nome do Altíssimo. Cale-se toda terra, cessem os sacrifícios imundos, os milagres comprados, a provisão de corações famintos. De nada servem as liturgias com os seios a mostra, a sobriedade pública do adultério oculto; não se acheguem com a unção das trevas, nem ofereçam o sucesso de Judas, mercadejado em troca de sangue inocente.

Ouçam: “Portanto, assim diz o Senhor Deus: Como te esqueceste de mim, e me lançaste para trás das tuas costas, também carregarás com a tua luxúria e as tuas devassidões”. (Ez 23:35).
Começarei pela ignomínia da cruz, da vil cruz, que serviu de brutal moldura para humilhação sofrida pelo Criador e Senhor de todo universo. O regozijo na terra e a celebração das trevas contrastavam com os anjos dos céus, que estupefatos, contemplavam meu Senhor na cruz. “Está consumado”, seu grito de dor foi a minha liberdade; estendeu-se além dos confins das distâncias incontáveis, o universo parou para espiar o espetáculo de sangue e dor, de manto e espinho, de profanação e deboche, e se fizeram trevas sobre toda a terra incrustando de horror e salvação a história dos povos. A santa e redentora morte do meu Senhor, o espetáculo de Deus em favor de miseráveis. Não, nada foi em vão, nada será em vão.

Ele viu o fruto do trabalho da sua alma, e ficou satisfeito com sua posteridade,  percorriam em sua mente miríades de miríades de santos, registro celeste de livros eternos, selos divinos de esperança e glória, oculta em Deus. “Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos”. (Is 53.10). Tua posteridade Senhor, somos tua posteridade. Ah! Senhor meu, Deus meu. Bendito és tu Senhor de eternidade a eternidade.

Nosso Deus desceu à morte, que não pode detê-Lo, ressuscitou e não morre jamais. Em sua inusitada e incompreensível graça, presenteou-nos com Sua vida, vida que não definha. Ouçam mais uma vez:Por isso não estamos desfalecendo; mas, ainda que o nosso homem exterior é lançado em ruína, o interior, contudo, é renovado de dia em dia”. (2 Co 4:16). E mais, “já não vivo, mas Cristo vive em mim”, sorvi tais palavras, santas palavras. Foram substituídas pela ânsia do sucesso pessoal, pela ribalta política, destruídas pelo cristianismo da terra, o fogo profano das multidões, sucumbiram à tentação. Rilham os dentes e avançam com seu poder contra os santos do Senhor, mas nossos olhos abertos estão, e descansam no consolo divino: ”Não temas; porque os que estão conosco são mais do que os que estão com eles”. São dos nossos em seus cavalos e carros em nosso derredor, em nossa defesa.    

Ouçam novamente: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor” (Jr 9:23-24). Não cederei à astúcia humana, ao arremedo da autopromoção, abomino as querelas dos pensadores, do vagar metafísico em torno do próprio ventre. 

Nada tenho em mim, muito menos de mim para falar, falarei do meu Senhor, e o farei pelo Espírito. Minha glória está em conhecê-Lo, o Senhor dos Exércitos. E como o rei Davi O exultarei: “Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque Teu é tudo quanto há no céu e na terra; Teu é, Ó SENHOR, o reino, e Tu Te exaltaste por cabeça sobre todos”. (1Cr 29:11).

Aqui estamos, baluartes da Palavra de Salvação, desafiamos esta geração, que não conhece a palavra do Senhor, reúnam-se todos, filósofos, livres pensadores, evangélicos, padres, puristas, espiritualistas, pastores da usura e lancem suas maldições, seus milagres, suas indulgências, suas perguntas sobre nós. Em nossas vidas está a oferta do brasão da esperança eterna, com o nome do Senhor dos Exércitos gravado em nossos corações.  Proclamemos com a convicção mais profunda e a submissão incontrolável o nome do Altíssimo. 

Exalto meu Senhor com o cântico de Davi:

“Livrarás o povo que se humilha, mas teus olhos são contra os altivos, e tu os abaterás. Porque tu, Senhor, és a minha candeia; e o Senhor alumiará as minhas trevas. Pois contigo passarei pelo meio dum esquadrão; com o meu Deus transporei um muro.

Quanto a Deus, o seu caminho é perfeito, e a palavra do Senhor é fiel; é ele o escudo de todos os que nele se refugiam. Pois quem é Deus, senão o Senhor? e quem é rocha, senão o nosso Deus? Deus é a minha grande fortaleza; e ele torna perfeito o meu caminho. Faz ele os meus pés como os das gazelas, e me põe sobre as minhas alturas. Ele instrui as minhas mãos para a peleja, de modo que os meus braços podem entesar um arco de bronze”. (2Sm 22:28-35).

Bendito e Santo é nosso Deus que com amor eterno nos amou e com benignidade nos atraiu.
A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade.


3 comentários:

  1. Paulo,

    mais uma excelente doxologia que, por vezes, durante a leitura, fez merejar meus olhos.

    Há dois pontos que quero ressaltar no texto:
    1) A santidade, perfeição e justiça divinas em oposição à pecaminosidade, imperfeição e injustiça humana. É necessário que cada vez mais reconheçamos o que somos e quem é Deus, para a cada dia nos humilharmos e submetermo-nos ao senhorio de Cristo.

    2) Não há como conhecê-lo fora ou além das Escrituras. O homem pode ruminar, especular, e até mesmo tentar dissecá-lo, mas o verdadeiro conhecimento, o único meio pelo qual conheceremos a Deus é através da Palavra. Por ela, Deus nos falou exatamente e na medida perfeita do que quis nos revelar.
    Por isso a necessidade de cada um de nós proclamar o Evangelho e clamar pela sabedoria que vem do céu.

    É claro que isso não remete a um modelo de perfeição do crente, Deus nos fez imperfeitos e manteremos a imperfeição enquanto não chegar ao glorioso dia do Senhor; mas mesmo instrumentos falhos, Deus usará para cumprir a Sua vontade santa e perfeita.

    Qualquer tentativa de autopurificação, além de inútil, é uma provocação ao bom Deus.

    Oremos e vigiemos para não cair em tentação e iludirmo-nos conosco mesmo, achando que somos algo além do miserável pecador, necessitado da graça e misericórdia divinas.

    Grande abraço, meu irmão!

    Cristo o abençoe!

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  2. Paulo,

    escrevi "merejar", mas o correto é marejar.

    E, esqueci-me de parabenizá-lo pelas mudanças no visual do blog. No geral, ficou muito bonito e funcional.

    Abraços.

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  3. Amado,

    havia lido marejar, nem precisaria a correção.

    quanto ao blog, foi necessário, o anterior apresentou problemas.

    Fui ao blog do Mamedes, e li sua sugestão sobre as as genealogias judaicas, muito boa.

    grande abraço e minha admiração.

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1. Seus comentários e refutações são bem vindos.
2. Por favor, faça-os sempre com base nas Escrituras, caso contrário, são opiniões pessoais, com pouco valor
3. Não modero cometários, seu temor ao Senhor deve sê-lo
As ofensas pessoais podem ser substituídas por refutações, ajudariam a todos que passam por aqui.

Em Cristo.