"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O método e a mente cristã


Após algumas considerações resolvi, mesmo havendo que o faça melhor, escrever sobre uma questão básica da fé, o método para leitura-compreensão das Escrituras.
Somos, por natureza, conduzidos pelos nossos pressupostos, que invariavelmente, em relações às verdades espirituais, estão equivocados. Esta “liberdade acadêmica” sempre promoveu divergências doutrinárias. 
Mas, sendo Deus rico em misericórdia, pelo muito amor que nos amou permitiu a Hermenêutica. Uma forma de leitura-compreensão para minimizar os prejuízos causados pelo livre pensar.
O que poderia agradar mais às hostes do mal, senão a desqualificação da Hermenêutica? Assim, seriam manifestadas as convicções dos corações, que sabemos é desesperadamente corrupto. Outro não foi o encaminhamento natural do cristianismo que não alterar ou mesmo revogar as regras e princípios hermenêuticos. Não podemos tributar tal façanha apenas à nossa geração. 
A questão envolvida é: Existe um método definido para leitura bíblica, de forma que ouçamos a voz do Senhor? Ou ainda, há riscos no livre escrutínio das Escrituras ? 

Gostaria de iniciar refutando a idéia de "iniciados" para entendimento das Escrituras, e ainda a soberba católica que prega a autoridade única de seus  sacerdotes  do entendimento das Letras. 
Por outro lado, reafirmo, com toda convicção, a crença pessoal no sacerdócio do crente, sendo livre o acesso ao Senhor e às Escrituras. 
Mas a questão aqui não envolve pessoas, mas sim método.  
Iniciemos tomando o Éden, lendo a palavra do Senhor:  
Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gn 216:17  
Agora leiamos produto da astúcia da serpente, que adotou uma nova hermenêutica para o texto: 
Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Gn 3:1
  Foi introduzido o termo "toda a árvore do jardim" em lugar do que era apenas a "árvore do conhecimento do bem e do mal". E que é mais grave é que tal interpretação teve aceitação de 50% da população da terra e trouxe conseqüências desastrosas sobre todos nós. 
Eva reage criando seu próprio método, adicionando ao texto valores de seu coração:
... disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Gn 3:2-3 
De fato Deus apenas dissera: "Não comereis". Eva adicionou ao texto, "nem tocareis" . Nada sabemos sobre suas motivações, é possível que tenha “entendido algo subjacente". Ou apenas manifestar seu próprio coração.
Somos vítimas do método, que operou pela mente oportuna de satanás e Eva.
E a hermenêutica do Éden prevaleceu, e todos morremos... e pela morte veio a sabedoria humana.  
Contrário a hermenêutica do Éden, podemos afirmar que a leitura-compreensão é regida por critérios permanentes e eternos, ela não pode se separar do caráter e da sabedoria do próprio Deus, ou pagamos por isso.  
No registro dos textos sagrados, primeiro forma-se a letra, depois a palavra e, por conseguinte o significado completo. Na comunicação, Deus ofereceu-nos o significado completo, por meio de palavras e com uso das letras. 
Isto fundamenta e garante a Revelação e Inspiração bíblicas. 
As palavras registradas nas Escrituras, sopradas por Deus, respeitaram as características de cada escritor, mas em nenhuma passagem do registro bíblico foi obtida pela interpretação de qualquer um deles. Houve a apenas o registro, e em muitos casos, nem  para eles foram escritas.
Desta salvação inquiririam e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada, indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. 1Pe 1:10-11 
Deus Se comunicou conosco por meio das palavras utilizadas por homens.  Submeteu-Se às características próprias da palavra falada. Coube aos homens apenas entendê-las em seu sentido natural.  Decerto temos as questões de tempo e espaço (histórico-gramatical), mas sempre foram comunicações dentro da capacidade de entendimento de "com quem se falava". 
Portanto, a Hermenêutica é serva das regras de linguagem estabelecidas pelo processo de comunicação do Senhor com as suas criaturas, jamais o contrário. E a Teologia, por sua vez, serva da Hermenêutica.
Isto posto, afirmamos que a sistematização e posterior, adoção das regras e princípios hermenêuticos é fundamental para saúde espiritual do servo.  É como sabemos o que Deus falou, jamais como achamos que Deus falara. Há a questão do Distanciamento, ao qual devemos respeitá-lo.
Quanto mais simples e natural for a interpretação do texto, respeitando-se as particularidades supra, mais compreender-se-á o que o Senhor falou. 
A multiplicidade dos métodos utilizados para compreensão das Escrituras construíram  o complexo doutrinário ofertado pelas diversas correntes cristãs. Muitos deles tão frontalmente excludentes que sugerem textos completamente diferentes. 
Assim como a serpente e Eva, muitos têm adicionado “informações subjacentes”, o resultado é a particularização e criação de grupos a cada esquina a cada tempo. E com isso, revoga-se a construção histórica das doutrinas. Quebram-se paradigmas por meio de solução trazidas do mundo secular, sem esperanças.
Neste caso a obtenção da verdade não advém da maioria, e sim, da metodologia.
Todas as vezes que alteramos o sentido natural de uma palavra, devemos fazê-la escravizados ao contexto, às passagens paralelas ou algum outro aspecto, nunca ao cunho teológico ou denominacional. A teologia não pode definir o significado das palavras, isto pertence ao campo da Hermenêutica. 
Quando assim o fazemos, estamos incluindo as “subjacências” a Palavra do Senhor, afirmando o que Deus falou, mas por meio de nossas mentes.   
O método definitivamente nos orienta ao encontro da verdade, quanto mais particular formos em nosso método, mais ouviremos nossos próprios corações, e menos a palavra do Senhor. 
Que o Senhor seja bondoso, a Ele honra, louvor e glória. 

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