"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

Visitantes

Posts

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Andando em santidade - A caminho do céu





Manaus, 26 setembro,2010
Igreja Batista Regular Renascer





Como FILHOS DA OBEDIÊNCIA, NÃO VOS AMOLDEIS às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, TORNAI-VOS SANTOS TAMBÉM VÓS MESMOS EM TODO O VOSSO PROCEDIMENTO, PORQUE ESCRITO ESTÁ: SEDE SANTOS, PORQUE EU SOU SANTO. (I Pe 1.14-15);

O tema sugere a idéia de continuidade: andando, e sua forma natural é para frente.  Logo, surgem em minha mente quando caminhava pelas trilhas de areia em meio às gramas ralas do interior do nordeste, sob uma claridade e transparência de um céu bondoso. E como leio “em santidade”, imagino-me naqueles caminhos, caminhando e lentamente sendo suspenso, subindo aos céus em direção ao meu Senhor. “Subindo aos céus”, é isso que minha mente deixa transbordar ao meu coração. Uma caminhada para o alto, em direção às mansões celestiais, com um céu tão claro que me permite perceber agora a beleza de um dia que decerto virá.
E quando falo assim, penso no prazer dos céus, eternamente com o Senhor. Esta convicção, esta certeza de estar com o Senhor preenche minh´alma.
Sei que a mente de pessoas aqui sentadas acusam-me de demasiada pretensão. Confesso-lhes que se há alguma pretensão, não foi colocado em minha mente, em meu coração por mãos humanas, mas sim, impressa pelo poder do Altíssimo. É dEle que vem o poder de manter viva a esperança de Sua companhia eterna. É dEle que vem a disposição de proclamá-la além dos eirados das minhas meditações.
A Ele honra, glória e todo o louvor de eternidade a eternidade.

Porém, outras mentes que compartilham da mesma convicção, tais palavras são como bálsamo celeste derramado pelo Espírito de Deus em seus corações.
Não posso esquecer que há ainda, aquela que pouco importa o que ouvirá, para com esse que o Senhor seja abundantemente misericordioso com sua alma.
Se o tema dispõe minha alma para pensar em caminhada aos céus, é necessário reforçarmos nosso entendimento a respeito do que é santidade.
O termo santidade envolve mais que um aspecto, apesar de apenas um único conceito, a simplicidade exige que o definamos como: "aquilo que mostramos de nossas vidas para as pessoas". A construção desta exposição pública da vida do salvo é feita por meio de seu conhecimento, suas meditação, sua comunhão com o Senhor. A união destes três movimentos é a santificação, assim a santificação é o processo contínuo que leva à santidade. 
A pergunta prudente de quem não conhece o Senhor é: por que considerar o tema?
Porque é uma grande oportunidade para conhecer melhor a si mesmo, conhecer as possibilidades de uma vida digna diante de seus filhos, diante da esposa, do esposo, diante dos pais, diante de todo o relacionamento que estamos inseridos.
Assim, devemos dar dois passos:
Primeiro, é preciso saber-se.  Quem sou? A identificação de quem sou, garante a importância do tema.
O Senhor responderá por meio das palavras de Abraão, quando esse tentava por em prova a misericórdia do Senhor, (Gênesis 18:27): “Disse mais Abraão: Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza”. Sim, cada um que aqui está não passa de pó e cinza. Nada somos, e se pensamos de forma diferente, operamos em erro, e apenas a misericórdia de Deus poderá presentear-nos com a sanidade necessária para entender a fragilidade e fugacidade da nossa existência quando comparada ao eterno Deus. Nenhum dos que aqui estão passam de pó e cinza, do pó saímos, ao pó voltaremos.
Segundo, é necessário e urgente sabermos que é Deus. Voltemos ao texto lido, nele está escrito: “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: SEDE SANTOS, PORQUE EU SOU SANTO.”  Nosso Deus é santo.
Cabe aqui uma breve explicação sobre o que a Bíblia afirma sobre o que é ser santo. Contrário aos pergaminhos malditos do catolicismo romano que ensinam que seus bonecos de gesso suspensos nas arquibancadas infames em suas  centrais de idolatria são “os santos”. 
Santo, segundo a Palavra da Vida, é um atributo exclusivo em Deus, e somente nEle. Santo, não é uma condição, mas sim, um estado que faz parte do ser de Deus, e significa separado de qualquer desvio moral. Ou seja, em Deus não há pecado, logo Deus é santo, santo, santo. Nele não há pecado algum, santo é sem pecados. 
Já iniciamos nossa caminhada em santidade.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sem o sangue do Senhor


Manaus, setembro, 2010
Diariamente, estando eu convosco no templo, não pusestes as mãos sobre mim. Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas. Lucas 22:53 


O texto de Lucas permite-nos afirmar que o Altíssimo deixou às suas criaturas caídas a possibilidade de manifestarem sua disposição interior em relação ao seu Santo: “é a vossa hora e o poder das trevas”. Uma seqüência de eventos culminaria na condenação e morte do Senhor.
Quem são as pessoas que conduziram o Senhor a cruz? Quais as acusações feitas contra Ele? Encontramos ainda seus seguidores, suas práticas em nosso meio?

Deixando de lado a bruxaria católica das hóstias e da missa, que por blasfêmia ímpar, prometem repetir continuamente o sacrifício do Senhor. (Mesmo que o escritor aos Hebreus afirme: “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, Hebreus 10:12”). E olhando para nosso arraial afirmamos que, mesmo sendo um escândalo, desfilam em meio dos santos, homens que continuam a negar o Senhor. E mais, esses tais afirmam-se salvos em Cristo.

Assim, à parte dos planos do Sempiterno, preciso encontrar um ponto e iniciar nas Escrituras a caminhada para encontrar pessoas, características e condutas que permitam a identificar seus pares em nossos dias.
Leio em Marcos 14:21: “Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!”. O texto que reafirma a responsabilidade humana na morte do Senhor aponta para Judas, aquele que traiu o Senhor. E por ele devo iniciar.

Judas, quem foi Judas? Um dos doze, conhecedor, mesmo que nominal, dos ensinos do Mestre; co-participante dos prodígios; homem, com ministério apostólico, era o tesoureiro. Próximo ao Senhor, escolhido para que fossem cumpridas as Escrituras. O homem deixado à sua própria sorte é descrito pelo Ap. Paulo: “homem natural NÃO ENTENDE, NEM ACEITA as coisas de Deus. Pois elas se discernem espiritualmente”.
A ausência da capacidade para entender ao mundo espiritual é a morte. Judas, a despeito, da proximidade, da participação, dos ensinos é um homem morto. Para ele o convívio com aquela realidade trazia-lhe frustração; do mundo espiritual, sem vida, nada dele compreendia, nada dele vivia, nele não obtinha prazer. O texto: “Mas Deus vos deu vida estando vós mortos em vossos delitos e pecados”, não rompera suas barreiras naturais, não emergira em seu interior com o poder dos céus, mas estava em meio aos apóstolos, apóstolo era. Contudo nada daquilo, da forma que se apresentava, fazia sentido. Tudo não passava de um grupo de pessoas, cuja virtude era a possibilidade de serem utilizadas para atender seus interesses, suas ambições materiais. Sua mente e seu coração carnais explodiam de descontentamento, de insatisfação face as liturgias mortas, práticas nominais, nada disso  lhe fazia sentido. Sua ânsia de modificar aquele ambiente, acrescentar-lhe mais pragmatismo, envolver com as questões mais prementes. No discurso antiquado do Senhor não comportava suas convicções. O enfrentamento fora inevitável com o Senhor:  “Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo (Mateus 26:10)”. A devoção e consagração ao Senhor estava totalmente fora de sua percepção, isso lhe mostrou a impossibilidade de sobrepor-se aos valores do santo Evangelho. Seus resultados, seus interesses, sua visão pessoal foram obstruídos pelas verdades do Senhor. O Senhor precisaria sair para que ele triunfasse. Repassa em minha cabeça  o hino:
“Tão perto do reino, mas sem salvação.
Tão perto, porém sem Jesus, sem perdão”.

A única alternativa em sua mente natural era afastar a verdade do Senhor, roubá-la para auferir vantagens dela, e assim o fez.
Judas é um homem obstinado, com aptidão de satisfação pessoal, e muita ambição. Seus atos o levaram a inconseqüência e ao remorso. Este é o retrato da vida religiosa de Judas.
Estas características imprimem o ideal religioso de uma multidão de pessoas que enganados manifestam sua fragrância sentadas nos bancos, nos púlpitos, no êxtase do canto gospel, no ecumenismo político-religioso, nos discursos dos pensadores livres, nos bailados sensuais, no rebolado e palmas d o mundanismo litúrgico, nas novas doutrinas, na definitiva identidade com as trevas, sem o sangue do Senhor.
Construíram um deus para atender às suas mentes carnais. Nada lhes importa, senão a conquista do mundo, a evidência, o poder, os prazeres... transitórios do pecado.
Esses, em multidão incontável, passearão em trevas eternas e cada um ouvirá em sua própria consciência: aquele que traiu o Senhor... a mesma reputação de Judas, a mesma responsabilidade.
Hoje traem, e continuarão traindo o Senhor, a igreja sem arrependimento, sem sangue do Senhor, cujo nome é Aceldama.

domingo, 19 de setembro de 2010

Pecado Original - Esboço



Manaus, setembro, 2010

Este texto é apenas um esboço sobre a realidade que envolve o primeiro pecado ocorrido na esfera humana. A relação entre a desobediência de Adão e os demais atos humanos que se seguiram. Há dois significados para este termo:
O primeiro, refere-se simplesmente ao pecado praticado por Adão no Éden, o pecado que originou os demais. O segundo, o pecado de Adão que envolveu toda a raça humana, o pecado que trazemos em nossa natureza.


Em Romanos 5:12, Paulo afirma que através da desobediência de Adão o pecado e a morte se tornaram realidade para todos os homens “porque todos pecaram”, isto é, todos pecaram no pecado de Adão (Rm 5:14-19; 1 Co 15:22). Aquele pecado, é o pecado original e sobreveio sobre todos.
O pecado de Adão foi imputado a toda raça, pois como representante da raça humana, sua ação foi federativa [1], pois estávamos todos nós em Adão seminalmente.  Logo seu pecado, não só repercutiu sobre ele, mas foi além do indivíduo, passando para toda raça. Ou seja, de Adão herdamos a natureza pecaminosa e a culpa. 
Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. (Rm 5:12)
O conceito de Imputação torna-se fundamental para o entendimento desta doutrina. Imputar significa atribuir algo alguém, lançar em sua conta, isto inclui privilégios e mesmo penalidade. É a transferência posicional de virtudes, méritos ou penalidades para outrem, sem que o objeto dessa ação tenha tido qualquer participação ativa [real] no ato original ou gerador.  O objeto da imputação não é possuidor de "fato" dos valores que lhe são imputados.  Um exemplo clássico deste conceito está na Epístola a Filemon. Paulo as sumiu a dívida de Onésimo junto a Filemon.  
Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como se fosse a mim mesmo. E se algum dano te fez, ou se te deve alguma coisa, lança tudo em minha conta.  (Filemon 17,18)
Este conceito fundamenta nossa justificação, onde por uma declaração de Deus, foi-nos  creditado os méritos de Cristo.

 Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.(2 Coríntios 5:21)
Voltando à nossa questão perguntamos: como se dá a transmissão do pecado?
Existem linhas teológicas que oferecem a resposta. Aqui defendo o Realismo [ou Seminalismo] para transmissão do pecado como natureza e o Federalismo, para culpa. Ambas levam ao mesmo ponto: Toda raça herdou a natureza pecaminosa e a culpa resultantes da transgressão de Adão.

O Realismo.Tomando Romanos 5:12 , literalmente diz: “Todos pecaram em Adão”, significando a nossa presença (humanidade) e envolvimento quando Adão pecou: a natureza humana genérica universal, que abrange a natureza individual de todos os homens, achava-se presente seminalmente “em Adão”. Este conceito, embasado na solidariedade da raça, tem seu fundamento na paternidade de Adão de todos os seres humanos. Há no Novo Testamento esse princípio em Hebreus 7, onde Levi, muitas décadas antes de existir, estava nos lombos de Abraão. Este é o conceito do Realismo na questão da transmissão do pecado (natureza), expressa a idéia de que todos nós estávamos pecando com Adão. House concorda:
A união entre Adão e sua posteridade é biológica e genética, de modo que Adão incorporava todos os seres humanos em sua entidade coletiva, e assim natureza todas as pessoas são co-pecadoras com Adão. [2]
Federalismo. Toma como base o paralelo entre Adão e Cristo (Rm 5:2-19; 1 Co 15:22, 45-49). Trata da culpa e não da natureza. Como estamos em Cristo, estávamos com Adão. Trata mais da justiça praticada por um e por outro, isto é, liderança representativa, ou federal. O princípio é o mesmo: em vista de nossa união com Adão, sendo ele o nosso representante, somos pecadores culpados; devido à nossa união com Cristo, pela fé, somos considerados [declarados] pecadores justificados. House diz:
A união entre Adão e sua posteridade é devida ao fato de que Deus o nomeou como cabeça representativa da raça humana. O que Adão fez é debitado à sua posteridade. [3]
Todos morremos no pecado de Adão, e pela fé, todos vivemos na justiça de Cristo. 


[1] Adão foi o representante de toda a raça.
[2] H. W. HOUSE, Teologia cristã em quadros, p. 95.
[3] H. W. HOUSE, Teologia cristã em quadros, p. 95.

domingo, 12 de setembro de 2010

Escatologia Individual - Esboço


Mogi das Cruzes, setembro,2010

Escatologia Individual

A MORTE

A Escatologia individual considera aquilo que é dado como certo na existência das pessoas. Logo, o primeiro ponto a ser considerado é a morte. O adágio popular leva o homem a saber que "da morte ninguém escapa". Mesmo que a experiência objetiva da morte não seja estendida a todos, conforme às Escrituras, podemos afirmar que em regra geral todos se depararão com ela. 
Compreendê-la, pois, é de vital importância dentro do propósito da Escatologia individual. Devemos, primeiramente, identificá-la, quanto possível por sua dimensão: 
(1) a dimensão física ou natural que todos podem observá-la; 
(2) a dimensão espiritual onde, pela Revelação e a experiência dos santos na regeneração, pode-se  efetivamente compreendê-la.
O texto de 1 Tm 5:6:
 “entretanto, a que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta.”
oferece o ensino de morte e vida em uma mesma pessoa. O contexto mostra que pessoas que vivem desordenadamente, à parte da santidade exigida por Deus estão vivas sob determinado aspecto, mas mortas sob outro. Necessário é definir sob qual aspecto há vida, e sob qual há morte. Recorreremos ao livro de Gênesis para caminhar em direção a compreensão do texto supra. A seguir a advertência divina feita a Adão (Gn 2.17): 
"mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás". 
Há eventos que ocorreram que permitirão concluirmos: 

(1) Adão foi expulso do do Jardim, conforme Gn 3:24: 
"E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida".
Depreende-se que a partir desse momento o homem ficou privado da árvore da vida, uma dimensão da morte aqui nos é revelada. 

(2) Lemos ainda em Gn 5:5: 
"Todos os dias que Adão viveu foram novecentos e trinta anos; e morreu."



O contraste entre os termos "viveu e morreu", oferece-nos com clareza que a morte de Adão ocorreu conforme observamos em todos os nascidos. 
Ao primeiro evento, atribuímos o nome de morte espiritual, pois ocorreu quando da quebra da unidade entre o Autor da vida e o homem. Morte que Adão experimentou imediatamente após sua transgressão, o que, por sua vez, nos obriga afirmar a existência da vida em sua dimensão espiritual.
Ao segundo, chamamos de morte natural ou física, ocorre quando quebra da unidade constitucional do homem, a saber, parte material e parte imaterial da criatura. Morte essa que Adão experimentou mediatamente após novecentos e trinta anos de vida, o que nos obriga afirmar a dimensão da vida física ou natural. Em relação à morte natural, 
Salomão retratou-a no livro de Eclesiastes, com a visível separação do corpo (pó, referenciando-se à origem do corpo) e do espírito. 


“e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. (Ec 12:7)


Nossa existência é uma herança passada de geração a geração desde de Adão, portanto herdamos de nossos pais as duas dimensões da existência - natural e espiritual. Nascemos, estamos vivos na dimensão natural, mas mortos, na dimensão espiritual, o que está de acordo com o texto inicial, e ainda com: 
"Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente".(1Co 2:14) 
Assim, a morte espiritual é evidenciada pela rejeição das verdades bíblicas, em virtude da incapacidade natural do homem em discerni-las. Logo mesmo viva (natural) está morta espiritual. Esta condição é também conhecida como Depravação Total. Sendo comum a todos descendentes de Adão, conforme Rm 5:18, que diz: 
"Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida." 
Observe o contraste entre "juízo para condenação" e "graça para justificação e vida".  Podemos concluir que a morte espiritual é ausência de relacionamento com Deus, que toda a humanidade herda por natureza. 
O restabelecimento da vida é feito por um ato exclusivo, livre e soberano de Deus que é a Regeneração (União com Cristo), que como consequência produzirá a fé.  
Portanto, vida e morte NÃO devem ser entendidas como EXISTÊNCIA e NÃO-EXISTÊNCIA, mas sim, como união ou separação de Deus, ambas com existência, ou seja, com consciência. A vida é a existência em unidade com Deus, portanto morte é a existência separada de Deus. Compartilha desta posição Erickson :  
“A morte e a vida, de acordo com as Escrituras, não devem ser entendidos como existência e não-existência, mas como dois estados de existência; não é como costumamos imaginar, extinção.”[1]


O ESTADO INTERMEDIÁRIO
Este tópico trata do intervalo de tempo entre a morte física e a ressurreição, à guisa da Revelação.
temos dificuldades nesta doutrina, a primeira é a escassez de material escriturístico para sua plena sistematização. A segunda, é a perspectiva da Teologia Liberal que influenciou todas as gerações a partir da segunda metade do século XIX, que apontava contrariamente à ressurreição física, contudo afirmava  a imortalidade da alma. Doutro lado a Neo-ortodoxia veio com um conceito de ressurreição necessária, que apregoava que a existência humana exige corporalidade, o que implicava na não existência da alma separada do corpo. 


O Liberalismo, com sua NÃO RESSURREIÇÃO, e a Neo-ortodoxia com a IMPOSSIBILIDADE DA EXISTÊNCIA REAL FORA DO CORPO são os dois falsos conceitos que contribuem negativamente para a aceitação desta doutrina.
Devemos tomar como ponto de partida uma verdade das Escrituras: Há um estado intermediário e que ele é inadequado ou transitório, mas real. Pois o apóstolo expectava por um revestimento, onde é clara a alusão ao corpo ressurrecto. 
"E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial; ..[..]..  , para que o mortal seja absorvido pela vida". (2 Co 5:2-4)
Na ressurreição dar-se-á este revestimento (1 Co 15), quando receberemos um corpo aperfeiçoado, eterno. A existência deste estado é claramente mostrada no Evangelho de Lucas 16.22-24.


"Aconteceu morrer o mendigo ..[..].. morreu também o rico e foi sepultado ..[..]... estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama".

Vemos que ambos, Abraão, o rico e Lázaro, passaram pela morte, porém se encontram em situações totalmente diferentes. O rico demonstra consciência mesmo pós a morte: Reconhece Abraão, expressa seu tormento, suplica por algo que amenizasse sua dor e sabe quem é Lázaro e de que ele seria capaz de fazer. Esta passagem permite afirmar da existência de vida consciente após a morte. Podemos inferir que a condição do rico, pelo menos, era de desencarnado.

"..[..].. morreu também o rico e foi sepultado".(v. 22)
Concluímos que o estado Intermediário, ou seja o intervalo de tempo entre a morte e a ressurreição é caracterizada por vida consciente. E pessoas que neste estado se encontram gozam do consolo e a expectação da ressurreição, enquanto outros se encontram em tormentos. Erickson diz :


"Entre a morte e a ressurreição, há um estado intermediário em que crentes e incrédulos experimentam, respectivamente a presença e a ausência de Deus." [2]
[1] M. ERICKSON, Introdução à Teologia Sistemática, p. 484.
[2] M. ERICKSON, Introdução à Teologia Sistemática, p. 493.

sábado, 11 de setembro de 2010

O que o Senhor tem a nos dizer?


Mogi das Cruzes, setembro, 2010


A Igreja do Senhor, enquanto aqui no mundo, sempre enfrentará desafios, sejam esses de natureza espiritual, sejam de natureza material ou terrena, hoje está posto o cristianismo virtual.  Tal desafio, em parte, advém da nova realidade  criada pelo progresso tão necessário da tecnologia. E com ela o novo conceito de distância - virtual - impôs à Igreja local uma revisão de seus métodos de ação. Pois o que garantira pelos séculos certa harmonia doutrinária, o espaço geográfico, foi alterado completamente. 
Essa realidade de então possibilitava a seletividade da fonte doutrinária, o que conferia à igreja a autoridade necessária para proclamar todos os desígnios do Senhor sob sua ótica denominacional mediante textos sagrados e consagrados. 
O surgimento de tendências doutrinárias divergentes era tratado com a firmeza necessária para impedir as heresias e manter a igreja pura. 
Era incomum a fusão doutrinária, o ecumenismo era apenas uma intenção papista que rondava o arraial dos santos.




Sabíamos que o Premilenismo em meio Reformado era heresia, bem como, o Amilenismo junto aos Batistas. Assim caminhou a Igreja, com bastante clareza doutrinária. 
Afirmo que isso, por si só, não era o selo da verdade, mas tal realidade colocava arreios contra a babel doutrinária, trazendo as Escrituras para centro de toda discussão a respeito de Deus, minimizando as influências das trevas.
Os crentes, de forma geral, sabiam explicar a razão de sua esperança. Isso possibilitava o ensino, a disciplina, a orientação, a identificação dos desvios. Os erros eram isolados e a capacidade crítica tinha mais qualidade, a transigência era pecado. Desta feita, havia pouquíssima contaminação pelos ventos doutrinários, que sempre bateram contra a Igreja do Senhor. Havia uma relação de fidelidade doutrinária entre os membros e suas igrejas - denominações.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A salvação do Pe. Fábio - Repostagem



"... minha salvação não depende do que as pessoas pensam de mim, mas sim, do que Deus sabe a meu respeito". (Pe. Fábio, religioso católico romano). [paráfrase]



(Este post contém a análise do texto acima)

"Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia." (I Coríntios 3: 19)

Tornou-se um padrão religioso nestes últimos dias a criação de líderes. Todo arranjo que deseja reconhecimento precisa entronizar um desses. A rigor, esses não chegam a tal status pelo conhecimento de Deus, pela vida pessoal ou por qualquer atributo espiritual.  Os critérios ou atributos que os leva a aclamação estão dissociados do ideal cristão. Pelo contrário, muitos são blasfemos, ímpios, mercadores de fé, adúlteros, efeminados. E, em regra, a multidão de seguidores não possue percepção alguma do que realmente é cristianismo. Isto ao longo da história cristã tem oferecido o combustível essencial para criação e crescimento das seitas. Em pauta o catolicismo romano.

O papismo com sua inextirpável história, seus pares políticos e sua teologia é a materialização das obras das trevas. E de forma espetacular, durante séculos, expropriou o cristianismo. Apresentando em seu currículo de abominações as adições ao Canon Judaico – judaico, mesmo; corrupção de reis; associação ao nazismo; matança e permissão para matar; condenação sem julgamentos; prática de crimes sexuais e pródigios na mentira. 
É uma folha vasta de dolo, crueldade e conduta obscura em nome de deus - deste século.

Portanto, um texto vindo de lá jamais contribuiria para o engrandecimento do nosso Deus, o Deus das Escrituras. Desprovido de verdades divinas, deveria ser deixado de lado, mas merece nossa atenção. Não pela autoria – definitivamente os papistas nada sabem das Escrituras, e sim, pelo dano causado a quem poderá fugir das sendas da insensibilidade para com Cristo. Por isto, abordo este sumário soteriológico do absurdo, intentado pelo sacerdote, por amor aos que estão em trevas.

Aos que o lerem, ira ou curiosidade.  Oro ao Senhor para que seu Santo Espírito desperte a curiosidade necessária e que a ira seja contida. 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O ópio do mundo




Mogi das Cruzes, Setembro, 2010 

Olhemos ao nosso derredor, debrucemo-nos sobre o mundo que não conhece o Senhor, vejamos o que se nos apresenta, senão um cenário de vida e morte. As pessoas saem em busca de suas vidas, e morrem a cada momento. Morrem em suas lutas, morrem em suas decepções, em suas conquistas, em seus amores, em suas esperanças, em suas verdades, em suas mentiras. 
Trilham caminhos de morte. A morte, suave e poderosamente, desliza em todas as direções, ocupa-lhes todo o ser, o profundo da alma, da mente, toda disposição. 
Uma mortalha indestrutível cobre a humanidade, que estúpida, inventa o prazer nessa clausura, sem atentar para o preço a ser pago por essa vaidade.
Somos espectadores, nós Igreja do Senhor, da mais poderosa maldição. Ela surge com o nascer de sol, anunciando a mais um turno de desesperança, e que se completa nas trevas noturnas, trazendo consigo o encanto fugaz, em que se acendem os viços, é o ópio do mundo... consomem-se os dias, e anos, as vidas.
A consciência, a razão, as entranhas, sem sucesso, apalpam as paredes úmidas e escuras do desespero silencioso da angústia humana. A seu modo procuram a vida, e nada podem fazer para interromper o horror desse mundo recluso, senão o prazer do pecado na espera da morte, é o ópio do mundo.
Nada debaixo do sol virá a interromper o ciclo da vida que se esvai.  Não há solução humana que desfaça, muito menos que arrefeça tal realidade. 
Percebam nos sábios, padres, espíritas, políticos, pastores evangélicos com suas sanhas monetárias. Esses que ofereçam aos labirintos da vida sem o Senhor as últimas palavras de poder, romantizem o ar com mais belas poesias, a última verdade, os mais belos cânticos, reúnam-se todos e ergam a melhor plataforma política, as mais profundas reformas sociais unidas ao engodo religioso, ou sem ele, curem todas as doenças... e nada mudará, o homem terá o pecado como sala de espera da morte.
Inadvertidos e resolutos, seguem, zombam, choram, vivem e morrem sem esperanças. 
O pecado falsamente os faz insensíveis a esse mundo sem sentido, faz-se seu guia em direção ao nada. 
Os grilhões da melancolia trará um novo (que é o mesmo) dia, até que o sol decline trazendo-lhe o encanto da noite e o descanso da morte, quiçá descanso fosse. 
Reféns da morte, não desejam o resgate possível, lutam contra a bondade do Altíssimo.
O que fazer para alterar tal realidade? Em nós nada, mas em nossas mãos temos as palavras da vida eterna. O que o Senhor de todo Universo tem a falar sobre esse mundo? Tudo tem a falar meu Senhor.
Há nos registros santos luz suficiente para iluminar mentes e corações, trazer esperança e saciar a sede de justiça, isto garantimos.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Glossário da Apostasia - Agosto 2010

Mogi das Cruzes, setembro, 2010

Os conceitos apresentados foram formados a partir de declarações, testemunho de apóstatas famosos e não famosos e possíveis respostas a questionamentos sobre "suas práticas de fé".
Adicionei comentários e opiniões minhas. Apesar de alguns conceitos serem risíveis, minha intenção é alertar ao verdadeiro povo de Deus sobre os riscos que há nas concessões.

"... Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?" (I Coríntios 5 : 6)

Adultério. Mantém a prática, mas defendem-se com base bíblica, como sempre extorquindo-a: "Não julgueis para que não sejais julgados"; ou o famosíssimo "o diabo é sujo". Quando não, "vocês são uns fariseus".

Arrependimento. Significa ser apanhado em "falta" sem tempo de fugir. E movidos pelo Inspírito ameçam: "me aguardem". 



  
Bíblia. Apesar de significar livro, e ter sido, originalmente, feita para leitura, ganhou novo propósito, foi repaginada - substituíram suas páginas por cédulas. 
Assim, ficou mais útil para apostasia, virou porta-cédula. 
É uma nova forma de entrar em terra estranha. Ardilosamente,ou satanicamente,  "preserva" o papel - moeda. Que o Ministério Público chama de evasão de divisa, sonegação fiscal - nomes que só podem vir de satanás, que é sujo. 
Como efeito colateral, se aberta a "Palavra" e encontrada "a mensagem central", pode-se receber um convite  -  compulsório, decerto - para aumentar permanência fora do país, longe dos "irmãos". E mais, ser obrigado ao uso de adereços de tornozelo, muito utilizado em criminosos em liberdade vigiada... o diabo é sujo. E, apesar de gratuitos, são bastantes desconfortáveis para atravessar o "deserto" das calúnias. E novamente o diabo é muito sujo.

Brasil para Cristo. Falácia religiosa, com total independência das Escrituras, com propósito de aumento de reduto eleitoral. Fonte da bancada evangélica com seus escândalos.

Cantores gospel. Boa voz e toda ignorância e irreverência são exigidos. Cantam qualquer coisa - de piton, a pitada - e para si mesmos, pois, de acordo com o lema da igreja, todo mundo precisa ganhar seu dinheirinho. E vão eles faturando e sendo faturados. São ecumênicos, vejam o Valadão.

Cristo. Um mantra que utiliza o nome do Senhor. Serve para - como um balde de longas cordas - tirar qualquer coisa do fundo do poço. 

Danças gospel. Alegam que Davi dançou, mas a origem  de dançar na igreja observa o adultério de Davi. Alegam que é para dar ao culto mais movimento, assim o remexer - serpentear é mais adequado - dos corpos glorificam a Deus. É a mensagem sem palavras... e sem o Espírito Santo. O louvor da vergonha e da profanação.

Dente de ouro. Respondem que é bênção, a manifestação clara da mão de Deus sobre a igreja. Não sabem explicar porque Deus abençoou com prótese (ouro em lugar do esmalte). Tem a mesma autenticidade do evangelho pregado e vivido por eles.

Doutrina. Coisa de homem, mata o espírito. Logo, não é para o bem da igreja. Igreja boa é igreja sem doutrina. Bom mesmo é lucrar com a piedade.

Estender-lhes à destra da comunhão é pecado. A Apostasia, neste caso, seria passiva. Foge também destes.

Que Deus seja louvado.
O homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado. Saúdam-te todos os que estão comigo. Saúda tu os que nos amam na fé. A graça seja com vós todos. Amém. (Tito 3.10-11,15)

A Ele, somente a Ele, glória, louvor, gratidão, honra para todo o sempre.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Encarnação de Cristo – Esboço

Mogi das Cruzes, setembro de 2010


Seria Nosso Senhor, em sua humanidade, diferente da natureza humana criada no princípio? Ou Deus criou uma nova natureza humana para acomodar Cristo e quais suas implicações?
Tais respostas devem emergir obrigatoriamente das Escrituras, jamais produto de conjecturas ou do livre pensar.
Que dispõem as Escrituras para afirmarmos que Deus criou uma nova humanidade para Cristo, desconsiderando Sua criação original?  Há textos que afirmem que Cristo é humano semelhante a Adão? 
É o que pretende responder o texto.

Começo pela declaração do Escritor aos Hebreus:
Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo; (Hb. 2.14)
Há no texto a garantia que Cristo participou da carne e o sangue da família humana. O termo “semelhantemente” coloca, neste aspecto, o Senhor no universo das criaturas de Deus, sem sugerir uma “outra carne e sangue" em particular.
Encarnação do Senhor exige o entendimento do termo. Encarnar implica em existência anterior, conforme Paulo nos fala em Felipenses: “o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar”, assim, o Evangelho de João registra que o “Verbo se fez carne”.  Por outro lado, encarnar refere-se a adquirir – revestir-se - a carne humana, participar da natureza humana.
Em momento algum Jesus deixou de ser Deus, por sua vez, sua entrada nos negócios deste mundo, ele participou da mesma natureza humana - original - de Adão. O texto não O sugere super-humano ou outro-humano.
Nosso Senhor é Deus como o Pai o é, sendo homem também como Adão o foi.  Não há qualquer evidência bíblica que o Senhor tenha vindo ao mundo revestido de natureza super-humana, logo é estranha às Escrituras a tese neste sentido. 
As argumentações a seguir tentam evidenciar a simplicidade do evangelho de Deus e responder a questionamentos pertinentes quanto à natureza humana experimentada pelo Senhor. Sua divindade não é objeto do texto.