"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Encarnação de Cristo – Esboço

Mogi das Cruzes, setembro de 2010


Seria Nosso Senhor, em sua humanidade, diferente da natureza humana criada no princípio? Ou Deus criou uma nova natureza humana para acomodar Cristo e quais suas implicações?
Tais respostas devem emergir obrigatoriamente das Escrituras, jamais produto de conjecturas ou do livre pensar.
Que dispõem as Escrituras para afirmarmos que Deus criou uma nova humanidade para Cristo, desconsiderando Sua criação original?  Há textos que afirmem que Cristo é humano semelhante a Adão? 
É o que pretende responder o texto.

Começo pela declaração do Escritor aos Hebreus:
Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo; (Hb. 2.14)
Há no texto a garantia que Cristo participou da carne e o sangue da família humana. O termo “semelhantemente” coloca, neste aspecto, o Senhor no universo das criaturas de Deus, sem sugerir uma “outra carne e sangue" em particular.
Encarnação do Senhor exige o entendimento do termo. Encarnar implica em existência anterior, conforme Paulo nos fala em Felipenses: “o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar”, assim, o Evangelho de João registra que o “Verbo se fez carne”.  Por outro lado, encarnar refere-se a adquirir – revestir-se - a carne humana, participar da natureza humana.
Em momento algum Jesus deixou de ser Deus, por sua vez, sua entrada nos negócios deste mundo, ele participou da mesma natureza humana - original - de Adão. O texto não O sugere super-humano ou outro-humano.
Nosso Senhor é Deus como o Pai o é, sendo homem também como Adão o foi.  Não há qualquer evidência bíblica que o Senhor tenha vindo ao mundo revestido de natureza super-humana, logo é estranha às Escrituras a tese neste sentido. 
As argumentações a seguir tentam evidenciar a simplicidade do evangelho de Deus e responder a questionamentos pertinentes quanto à natureza humana experimentada pelo Senhor. Sua divindade não é objeto do texto.



A conclusão da Criação 
Sabemos que o ato criador de Deus se desenvolveu por meio de processos, dia a dia, e que chegou a termo. 
Assim foram acabados os céus e a terra, com todo o seu exército. Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. (Gn 2.1:2)
O texto acima é o registro da conclusão do processo criador, "foram acabados os céus e a terra, com todo seu exército". Garantindo-nos que Jesus entrou nos negócios deste mundo subordinado às regras de criação que Ele próprio estabeleceu (comp. Hb 4.10). Não há base bíblica para que a obra da criação tenha sido reaberta para criação do “outro-humano", que seria Cristo.

O Remidor
Ademais, o “Goel”, um tipo de Cristo, obrigatoriamente teria que fazer parte da mesma família, ser irmão, este princípio exige que o Senhor participe da  mesma natureza humana - original - dos remidos. (Conf. Lv. 25.25ss)

O Sacerdócio
O ensino sobre o sacerdócio levítico é contraposto ao de Cristo: “tomado dentre os homens” (Hb 5.1). Torna clara a necessidade da humanidade comum de Cristo e aqueles que apresentaria ao Pai. Como poderia ser representante do seu "diferente"? E mais, o texto em Hb. 4.15, diz: 
Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado
Alinhando nosso Senhor às mesmas vicissitudes comuns dos homens. 
E ainda, “nos dias de sua carne”, “como nós” não sugere outro entendimento que não a mesma humanidade que conhecemos e compartilhamos.  

A continuidade da humanidade de Adão na ressurreição.
A continuidade da natureza humana mesmo após a morte. 
Leiamos:
Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? e com que qualidade de corpo vêm? Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como o de trigo, ou o de outra qualquer semente. Mas Deus lhe dá um corpo como lhe aprouve, e a cada uma das sementes um corpo próprio. (1 Co 15.35:38)
Novamente o Senhor nos dá a esperança de um novo corpo a partir do que já temos, como sementes, semelhante a Adão. Sendo Cristo a primícia dos que dormem, obrigatoriamente o primeiro e o último Adão são da mesma semente, ou seremos, após a ressurreição, humanos da forma que nunca o fomos. 

Sua impecabilidade
Devemos considerar para questão a totalidade da pessoa de Cristo e não a hipótese de uma “nova humanidade” garantindo-lhe a impecabilidade. 
Aprendemos que o pecado é transmitido aos filhos pelos pais (Doutrina do Realismo – conf. Rm 5.12 e Hb 7). Isto em hipótese alguma implica que apenas o macho transfere ao filho a natureza de pecado. Antes, afirma que o processo de reprodução humana - macho e fêmea, à parte do poder do Altíssimo, sempre resultará em um ser com a natureza pecaminosa. Jesus sendo gerado pelo Espírito, nasceu santo, semelhante a Adão, sem a contaminação do pecado original. Isso lhe garante a não disposição para o pecado, conforme lemos:
Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus.” (Lc 1.35).
A pressuposição que Adão, originalmente, tinha inclinação para o pecado fere a santidade de Deus, e o faz co-autor do pecado. As Escrituras garantem que Deus, ao criar o homem, declarou "que era muito bom". Se Adão tinha inclinação para o pecado, conforme sugerem alguns, é contradito pelo Senhor: "Deus fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios". 
A impecabilidade de Cristo não exige uma outra humanidade, "superior" a humanidade de Adão.

A Tentação
A tentação deve ser avaliada pelos processos que são desencadeados, e não apenas na possibilidade de sua consumação. Assim Jesus, foi tentado à semelhança de Adão. Tal provação era-lhe necessária para Nele se cumprisse toda a justiça de Deus. Sua resistência ao pecado não exigiria a adição de uma natureza super-humana.
“Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus. Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna. (Lc 4.12:13)
O Propósito da Encarnação
A encarnação foi o meio pelo qual Deus realizaria toda Sua vontade: às profecias, às alianças, a manifestação do seu amor, juízo; o antítipo de todos os tipos, à Sua revelação plena aos homens.  Não havia expectativa que o descendente de Davi não fosse humano, que o juízo de Deus fosse aplicado em um ser "outro-humano".  



Cumprimento pelo pecador de todas as exigências legais de Deus. 
As idéias de Substituição do pecador, tanto no cumprimento, quanto na submissão às exigências da Lei; 

1. Satisfação, as qualidades necessárias exigidas por Deus para o sacrifício; 
2. Pagamento do preço, a vida, são aspectos que exigiam a encarnação de Nosso Senhor.
É inaceitável a idéia de que Cristo não experimentou toda a ira de Deus. Se Cristo não experimentou todo o juízo de Deus, a justiça de Deus não foi totalmente satisfeita. Deus o fez pecado - Nele derramou todo seu juízo.  
"Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus". (2 Co 5:21) 
Em situação semelhante a Adão, em carne e osso, Cristo, o Último Adão, subjugou a Satanás, julgando-o em sua morte, criando para si um novo povo. 
"Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida". (Hb 2:14-15) 
Reconciliação do homem com Deus 
Colocar o homem em comunhão com Deus, quebrar a parede da inimizade. 
"Porque, se o fato de terem sido eles rejeitados trouxe reconciliação ao mundo, que será o seu restabelecimento, senão vida dentre os mortos?" (Rm 11:15) 


"a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação". (2 Co 5:19) 

Não poderia um "outro-humano" reconciliar-nos com o Senhor Deus.




Pelo exposto, podemos afirmar que:
1. As Escrituras não fundamentam dois tipos de humanidade, uma adâmica e outra de Cristo. 
2. Jesus Cristo, Nosso Senhor, veio ao mundo em carne e sangue, em semelhança de figura humana, para cumprir toda a justiça de Deus, e O fez cabalmente. 
3. A justiça de Deus exige que Jesus seja um irmão para nos substituir.

Pois tanto o que santifica como os que são santificados, vêm todos de um só; por esta causa ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, (Hb 2.11)

A Ele honra, louvor e glória.

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