"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Abrindo o Livro de Atos dos Apóstolos - I


Fortaleza - Ce

O livro de Atos dos Apóstolos é um livro de grande importância para a vida doutrinária e prática da igreja. Ele é o registro dos primeiros momentos do cristianismo. As experiências vividas pelos discípulos do Cristo ressurreto e assunto aos céus. A proclamação primeira da divindade do Senhor e a formação da Igreja e ainda, a grandiosidade de Deus na vida do maior escritor das doutrinas cristãs: Paulo.


O Livro de Atos lança os fundamentos de toda perspectiva cristã, tanto doutrinária quanto devocional. A contextualização desta obra não permite negligências, pois seu significado histórico-teológico oferece a textura necessária para manter associados o caráter e a divindade (ser) de Deus com seu o plano e sua ação no mundo (relacionamento). 

A grande diferença existente entre tradicionais e renovados surge devido à contextualização livre imprimida por estes, a ponto de criar para eles mesmos o significado histórico-teológico para cada “necessidade doutrinária”, bem a estilo católico romano. Não adicionam livros, mas criam estórias para atenderem suas novelas doutrinárias. Isso tem levado multidões a uma série de desajustes doutrinários e pessoais que caracteriza a apostasia que presenciamos.

Para evitarmos equívocos devemos considerar o momento histórico que serviu como pano de fundo a todos eventos registrados. Assim, possível será, mesmo que modicamente, atentarmos para sabedoria e poder infinitos de nosso Deus.

Oramos ao Altíssimo para que nossa jornada seja conduzida pelo Seu Santo Espírito e que exercitemos a mente de Cristo, pois a temos.

Temos que considerar inicialmente: 
Como retirar dos textos aquilo que o Senhor tinha em mente quando os registrou?
Como evitarmos que a ânsia por poder e sucesso não conduza nossa mente?
É esta difícil missão que teremos daqui por diante. 

Comecemos por afirmar que o Livro de Atos é onde desembocam as histórias registradas nos Evangelhos. Estes, Os Evangelhos, são rios que correm mansamente para formar Os Atos dos Apóstolos. 


Assim, entender os sentimentos e as motivações presentes nos Evangelhos é a luz que alumiará o Livro de atos, e nosso desafio.

E mais:
(1)     A magnífica e excelsa presença de Deus entre nós com sua doutrina e feitos está registrado nos Evangelhos.
(2)     Atos dos Apóstolos se nos constrói um cenário em que são descritos os primeiros raios que iniciam a proclamação desta verdade.

Nenhuma frase ou qualquer ato podem ser vistos sem que sejam observadas as nuances dos Evangelhos.



É preciso discernir que os Evangelhos mesmo encadernados com tanta proximidade e intimidade aos livros do Novo Testamento, ele é judaico, tem sua alma veterotestamentária.  
Temos então, um cenário de rica textura do mundo judaico: os sentimentos, as cerimônias, festas, práticas civis, leis, a cultura, a geografia, seus dominadores e por fim a recalcitrante esperança judaica: o Messias.

Percorremos as páginas dos Evangelhos e nada encontramos sobre os gentios. Nenhum fato descrito, lá nada vai além das fronteiras de Israel, nada do mundo exterior é objeto da atenção dos escritores sagrados. Destas páginas percebemos a intensidade do pulsar dos sentimentos da nação de Israel em torno da expectação da vinda do Messias e da remissão nacional.

Se o Livro de Atos é formado por quatro rios – Os Evangelhos; o Velho Testamento, por sua vez, são milhares de rios que formam um magnífico delta encerrando-se nos Evangelhos.

Tudo que foi detalhadamente pensado por Deus, tudo que foi construído por Deus, todos os momentos, todas as promessas e alianças existentes nos livros da Lei cristalizam-se em um momento da história humana e fundem-se na única pessoa de Jesus, o Cristo de Deus, o Messias - Os evangelhos. 

Como lemos em retrospectiva – os fatos já ocorreram – temos a vantagem de não sermos apanhados por surpresas ao final, mas oferece os riscos que confundirmos as motivações que conduziram a história.  

As motivações que antecipam a vinda de Cristo fazem de Israel um povo sedento por ouvir novamente a voz do Senhor; um povo que ansiava pela consumação das promessas de Deus – ou apenas para verem reduzidas as aflições impostas pelos romanos. 
Por outro lado, temos o poder da “religiosidade oficial” que tenta sufocar o poder de Deus, como se possível fosse. Os grandes grupos - Fariseus e Saduceus - que oferecem ao mundo a expressão religiosa sem, contudo, possuírem a energia vital do relacionamento com o Senhor dos Exércitos.

Percebemos tais motivações em Simeão, que afirma no Senhor sua salvação. Reconhecia em Jesus o cumprimento da chegada do Messias, fim de sua expectação.  

E lhe fora revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; pois os meus olhos já viram a tua salvação, (Lc 2:26,29-30)

Na viúva Ana, o Senhor é a redenção de Jerusalém:
Chegando ela na mesma hora, deu graças a Deus, e falou a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. (Lc 2:38)

No ministério de João Batista, quando de sua autoridade e mensagem, as palavras utilizadas exprimem o sentimento nacional: expectativa do Cristo.
Ora, estando o povo em expectativa e arrazoando todos em seus corações a respeito de João, se porventura seria ele o Cristo, (Lc 3:15)

Sabia Israel que a promessa a respeito do Cristo implicava na permanência eterna entre eles. 
Respondeu-lhe a multidão: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre; (Jo 12:34)

Portanto, a vinda do Cristo é o cumprimento de TODO plano de Deus para as mentes e corações israelitas. Não podemos negligenciar: o ambiente dos Evangelhos faz-se imperativo: Israel sabia e esperava o Messias que era a resposta final de Deus!
Leiamos:
“Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai”; (Lc 1:32)

Percebamos a magnífica sabedoria de nosso Deus ao introduzir um novo elemento em sua doutrina:  Messias e Rei  fundem-se para construir uma única pessoa. Há certeza em toda a nação que pela descendência de Davi será levantado um rei... eterno.

A chegada do filho de Davi, para restabelecer o reino prometido por Deus. 
Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. (2 sm 7.11-13)

Não era segredo para o povo
Por sua vez, Jesus, enquanto ensinava no templo, perguntou: Como é que os escribas dizem que o Cristo é filho de Davi? (Mc 12:35)

Sim. Filho de Davi segundo a carne, mas Deus eternamente.
Este cenário impossível para nossas mentes estava impresso nos corações de um povo bem distante de nós, premido por rivais e dominado pelos poderosos da terra.

Como viriam tais coisas?
(1)     Restauração do reino de Davi;
(2)     Redenção nacional;
(3)     A posse da terra prometida a Abrão e confirmada a Josué;
(4)     A redenção nacional em um novo concerto que o Senhor falou por meio do profeta Jeremias...
(5)     A bênção a todas as nações da terra.

Jesus, filho de José, filho de Maria, filho de Davi, filho de Deus... Emanuel, Deus conosco.

2 comentários:

  1. Texto brilhante. Muito bom .
    Pr Jorgival

    ResponderExcluir
  2. Pr. Jorgival,

    que o Senhor seja louvado, e muito obrigado pela visita.

    Em Cristo

    ResponderExcluir

1. Seus comentários e refutações são bem vindos.
2. Por favor, faça-os sempre com base nas Escrituras, caso contrário, são opiniões pessoais, com pouco valor
3. Não modero cometários, seu temor ao Senhor deve sê-lo
As ofensas pessoais podem ser substituídas por refutações, ajudariam a todos que passam por aqui.

Em Cristo.