"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

A vontade e a natureza humana


O que é vontade?

Muito se tem lido e mais escrito a respeito dessa disposição interior. Dentre as dificuldades que se apresentam para atender a este questionamento, a maior é fazê-la de forma compreensível, sem ceder ao simplismo, nem buscar filosóficas e metafísicas prenhes.


Disciplina que tem sido - sem nenhum lastro - utilizada por "psicólogos seculares", cujas premissas são a inexistência de Deus, do pecado e das verdades eternas. Contrapondo-me por completo a essa "religião dos últimos tempos", não ouso descobertas, tampouco consenso, apenas organizar - mesmo que para usufruto pessoal - valores e conceitos dentro do universo das verdades eternas do Senhor.

Começo por afirmar que vontade é a energia que impulsiona a ação. A motivação e o estímulo são excitações - internas ou externas - que iniciam a vontade portanto, para fins deste texto, dela fazem parte.

A vontade é uma disposição que se dirige para saciar uma necessidade; é, em tese, a busca pelo equilíbrio, pois, tenta atender ou equilibrar a sensação de ausência. Tendo sua origem em uma fonte interna ou externa, mas despertada pela necessidade de algo indispensável, útil ou cômodo – fome, sede, sensações, conforto, estéticas etc.

Sim, mas qual sua amplitude e quais processos estão envolvidos na realização da vontade humana? Mister tornou-se entender sua relação dentro do homem total, levando-se em conta sua constituição, sua natureza e outras faculdades: o intelecto e sentimentos.

Na relação com a natureza humana podemos afirmar que a vontade é sua escrava e não sua senhora. 
Essa (natureza) se impõe sobre aquela (vontade), condicionando-a e subjugando-a, restringindo sua ação e sua área de interesse - determinando seu o escopo. Assim, toda a vontade ancorada está na natureza humana e dela depende. Que, por sua vez se assenhoreou também do intelecto ou razão e dos sentimentos ou percepção. Aceitando tal realidade, podemos afirmar que a vontade é livre, bem como a razão e a percepção.

As faculdades humanas compartilham das nuanças e, ao mesmo tempo, padecem dos caprichos da natureza humana (mesmo que lógico, é necessário dizê-lo!)

Os mesmos instrumentos internos e processos ocorrem na realização completa da vontade, seja para saciar a sede, dar um passo ou mesmo na busca de satisfazer demandas mais complexas, sempre a vontade percorrerá os mesmos caminhos.

A natureza humana impõe-se de forma condicionante e determinante às faculdades  - vontade, razão e percepção.

Neste cenário há um ciclo permanente, em que a vontade oferece-se à razão que julgará - identificará as restrições éticas ou de qualquer outra natureza, adquiridas com base na percepção, valores, experiências etc. Permitindo ou não a consumação desse impulso. Por fim esse sistema responderá ao impulso da vontade, cedendo ou dispersando-a, atingindo o equilíbrio novamente. 

A natureza humana está restrita ao universo físico conhecido, nesse, nenhum impulso    transporá a clausura do mundo natural. A revelação garante-nos que a natureza humana vive sob o império da morte, e sob tal condição inextricavelmente estão a vontade, a razão e a percepção.

A realidade humana contaminada pela morte fez-se incapaz de anseios além das coisas observáveis. Qualquer conceito ou verdade que sugira romper esses limites aborrece-a, impossíveis de serem concebidas, sendo interpretadas como ilusões ou devaneios, isto diagnostica a condição terminal da morte em que se encontra a humanidade. Tal condição é a morte da razão, dos sentimentos e da vontade. 


Nenhuma faculdade tem alcance para buscar a vida além da "vida conhecida", pois a vida está fora do "escopo possível" a natureza humana.

A vontade - abatida e refém da natureza morta - busca atender às necessidades naturais do homem e nessa dimensão e dinâmica encontram a razão e a percepção.

Apenas um agente externo à realidade conhecida poderá recriar a natureza humana sob outra energia fundamental, a vida. 


Há necessidade de infusão da vida sobre a morte, rompimento dos limites conhecidos para que a morte seja extinta, circunscrevendo-se um novo escopo. 

Assim, uma  nova natureza impor-se-á sobre a vontade, razão e percepção, trazendo consigo aspirações além das conhecidas pela vontade morta - que conhecemos.  


Nesse novo cenário as necessidades rompem os limites conhecidos, a vontade anela pelas verdades espirituais, a razão discerne o bem e o mal e a percepção rascunha a glória  eterna. 



Uma nova criação, uma nova disposição, uma nova mente... a vida. 


Graças ao Altíssimo por sua sabedoria e benevolência. 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Além deste tempo, além desta vida


 Com Base no Salmos 73.

O salmista não retarda, e logo inicia com o reconhecimento do caráter de Deus. Estaria ele apresentando a bondade e fidelidade de Deus quanto à nação de Israel e quanto aos verdadeiros israelitas?  Independentemente deste detalhe, afirma a bondade de Deus: "Bom é Deus para com Israel e para os puro de coração".

Feito isso, desce olha para si, não em espelho, mas em suas próprias entranhas. Reconhece sua fraqueza ante os prazeres oferecidos pelo mundo -  transitórios do pecado - antecipando-nos sua luta face às ofertas do mundo.

E passa a detalhar para onde seus desejos e sentimentos lhe conduziram: soberba, poder e aparência ou bem-estar apresentados pelos homens: 
Porque eles não sofrem dores; são e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens.
Não nos traz pormenores sobre suas dores, suas angústias e aflições, decerto as tinha, mas reconhece como a aura de poder, a beleza e sabedoria que acompanham os ímpios o encantara. 

E discorre a respeito das características daqueles: 
Saem de seus corações mais que imagina-se;  De sua boca brotam malícia e soberba; Orgulham-se do mal que praticam e propalam ao mundo suas afrontas contra o Altíssimo. 


Por isso são idolatrados, seguidos por muitos outros que aprendem com eles a desafiar a Deus, que veem o  progresso do mal sem qualquer punição. E dizem: 
"Como o sabe Deus? e: Há conhecimento no Altíssimo?”. Em coro desdenham da justiça e do poder santo de Deus. 
E, por fim, o salmista nomina-os: “estes são os ímpios”.

Sem dúvidas temos que reconhecer que a impiedade não se detém nos meios, em sua busca por resultados, afugentam qualquer ética que dificulte o acumular de riquezas. Os pensamentos ímpios buscam a vantagem.  Sempre tranquilos, não se importam, senão nos prazeres, não hesitam em fraudar. Repito o salmista: “estes são os ímpios”.
Pensara – um dia, lemos:
·         Adianta conservar o coração íntegro ou preciso agir como eles?
·         Preciso manter minhas mãos limpas, ou posso trazer sangue entre meus dedos? 

sábado, 18 de junho de 2011

A Deus pertence o amanhã


Qualquer pessoa que se debruce sobre as Escrituras, crendo ou não, encontrará lá a história a respeito de um Deus pessoal, bondoso e justo... e com imenso poder, poder sobre toda a criação que vemos e sobre aquela que não vemos.
Um pequeno texto pode sintetizar esta afirmação: 

que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade; chamando do oriente uma ave de rapina, e dum país remoto o homem do meu conselho; sim, eu o disse, e eu o cumprirei; formei esse propósito, e também o executarei. (Is 46:10)

E não raramente ouço a frase que é pertinente ao teor das Escrituras: A Deus pertence o amanhã.

É necessário avaliá-la, pois ela carrega consigo - a possibilidade de - muita impiedade. Há, pelo menos, duas perspectivas que devemos considerar. Uma, é aquela que se propõe a afirmar ser Deus o senhor de todas as coisas; outra é aquela que rejeita ou nega a primeira. Para efeito deste texto, ater-me-ei à segunda perspectiva somente.

A síntese do momento que vivemos - os dias são maus - oferece o perfil contextual da afirmação. A despeito da adoção de qualquer das nomenclaturas ou silogismos para rotular a presente geração, algo é posto sobre este momento: vivemos um tempo de visionários. A era do planejamento, do lançamento dos "valores para um mundo melhor". Tal  desintoxicação dogmática funciona como uma nau sobre a ondulação das novidades culturais. Muitos, tomando-se por esclarecidos assentaram-se em seu convés. São aqueles   sempre superiores em seu olhar e falar, mais sintonizados e abertos às novas tendências.

Em contatos - inevitáveis - com representantes dessa geração (são os Y, ou mesmo Z, ou A...) percebe-se a intensa rejeição dos temas pessoais que envolvam a eternidade, submissão ao Altíssimo, as verdades eternas.

Presumem-se construtores do futuro, para isso planejam institucionalmente, desenham o amanhã, contudo, rejeitam pessoalmente a ideia de eternidade. Disso sobrevém a incoerência entre seus sentimentos e práticas - o planejamento das corporações - e a sua perspectiva individual. 


Esse cenário de poder e sabedoria é mantido pela construção de um universo sobre falácias conceituais que, em via de regra, apropriam-se das verdades bíblicas para fortalecer as “verdades Y”, sempre em oposição a Deus. Maltrapilham - não sei se existe tal verbo - os dogmas, os princípios, a ética em busca das "razões para viver". 

Quando questionados a respeito do futuro pessoal, ouvimos “a Deus pertence o amanhã”. Tal resposta não afirma a soberania de Deus, pois este fora está das concepções do homem deste presente século mal, pelo contrário, fugindo de conflitos interiores, sobejam "sabedoria", lançando para o acaso e para irrelevância a questão. Estranhamento fogem do tema dos quais são especialistas.

Nada é mais estúpido que a tentativa esconder sobre o tapete da razão a existência da eternidade. Nada mais irracional que desvincular as escolhas das suas consequências. Contrariando princípios físicos, a lógica e, o que é mais simples e grave, a experiência, assim singram os mares rumo a eternidade sem planejamento.

É preciso reafirmar que as escolhas escoam rumo ao futuro “construído”, nele todos estaremos. 


Somos responsáveis pelos atos praticados e seus resultados diante dos homens e inexoravelmente diante de Deus.

Nenhum planejamento pode negligenciar a certeza do encontro com o Senhor, pois Ele assim o determinou... sim, a Ele pertence o amanhã!

E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas. (Hb 4:13)


sábado, 11 de junho de 2011

Esaú, o poeta.


 Este texto tenta conter a alma de Esaú. Traz reflexos e mantos do versículo a seguir.

Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, 
foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, 
ainda que, com lágrimas, o buscou. (Hb 12.17)


Hoje sei, existem cadeias – eternas.
Prisões onde me falta o ar.

Não há a liberdade.
Meu corpo e alma clamam.
Nem sei de onde provém tanta dor. 

Não há sofismas, não há relativismo.
A liberdade não se mede em pedaços.

Tudo se faz servo da inquietude.
(Por que não sei dos detalhes?)

No choro profundo e contido estão meus amigos - talvez inimigos - fiéis. 
São eles que permitem meu sonho suspeito – nem os tenho.  
Que conflita com as lembranças abandonadas... sofro pequeno.

Deixo-me às inquietudes.
(como se tivesse escolhas!!)
Masmorras - malditas - aprisionam minha mente.

Há paredes em mim mesmo.
Crueza dos sonhos  - não mais os tenho.
O blefe da morte sugerindo a esperança - jamais virá.
Nem sei se o reconheço.


Sigo, como a multidão, para dentro de mim mesmo.
Aprofunda meu desespero.
Não há esquinas nessa rua sem fim.
(Como fugir? Para onde ir?)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Aprendendo a tentação (A responsabilidade do santo)


Aproximou-se de mim um jovem e interessado irmão que faz parte da sala de nossa EBD e me falou que gostaria que estudássemos algo sobre Tentação. À época seguíamos normalmente o estudo das parábolas bíblicas. Senti-me, primeiramente, alegre pelo fato de receber um pedido  sobre um tema de valor espiritual – o que não é comum em nossos dias.

Depois, ao considerar o fato com mais  clareza, reconheci que não estava sendo adequado às necessidades daqueles jovens, pelo menos as dele. Sem dúvida o que ensinava revelou-se insuficiente ou em desacordo. 

Descanso no Senhor, pois sei da possibilidade de revermos como O servimos. Hoje reconheço e agradeço, em meu coração, as palavras do irmão, pois, vindas do céu. Graças a Ele por isso.

À minha mente sempre vem, quando medito sobre tentação, o texto de Tiago.
Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos.

Agrada-me sobremaneira este texto, sua objetividade e clareza em muito já me ajudaram a superar dificuldades pessoais, auxiliaram-me em aconselhamentos, e permitiram avaliar melhor as conseqüências do pecado na vida da Igreja. 
O texto não apresenta as armas que dispomos para o enfrentamento das nossas disposições carnais - a leitura, oração, o Espírito, os exemplos, as promessas do Senhor etc., assim considero apenas o tema dentro do texto lido. Reconheço, ficará a dívida, que espero pagá-la oportunamente.

Podemos afirmar que na sabedoria de Deus a tentação é um processo - não um ato, e bem identificado no texto. Há clareza quanto a isenção da agência divina na participação do mal, e por fim, a responsabilidade pessoal do santo na luta contra as tentações e o combate ao pecado. 

Mesmo sem entrarmos em detalhes, podemos sair de nosso estudo com grande capacidade para identificação, luta e vitória contra o pecado. Mas, somos advertidos a adotar uma posição de cautela,  pois não nos tornaremos imunes à tentação, muito menos ao pecado.  Esperamos que o Senhor nos fale de suas promessas, pois nelas há o fortalecimento, fazendo deste texto nosso guia no combate às nossas disposições carnais.

O v. 13 registra: “Ninguém, sendo tentado”. No termo tentado há a idéia de “tentar para ver se algo pode ser feito; tentar uma experiência para verificar como se comporta”. A experiência sensorial é presente, e a força motriz é a incitação ao pecado.


O texto seguinte: “Ninguém diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta”. Logo, toda disposição para o mal que alimentamos não tem o Santo como agente. O texto retira completamente Deus como agente do mal moral sobre a terra. 

Ninguém que tenha disposição para o mal diga que tal disposição provém de Deus.
Estudiosos e estudantes açodados e racionalistas tomam suas mentes e lógicas (veredas de negridão) como vara para provarem o contrário.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Andando em lugares escorregadios



Eis que estes são ímpios; sempre em segurança, aumentam as suas riquezas. Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração e lavado as minhas mãos na inocência, pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manhã. Se eu tivesse dito: Também falarei assim; eis que me teria havido traiçoeiramente para com a geração de teus filhos. Quando me esforçava para compreender isto, achei que era tarefa difícil para mim, até que entrei no santuário de Deus; então percebi o fim deles. Certamente tu os pões em lugares escorregadios, tu os lanças para a ruína.Como caem na desolação num momento! ficam totalmente consumidos de terrores. (Sl 73:12-19)
Sem qualquer dificuldade é possível perceber a expressão de superioridade que os ímpios desenvolvem (buscam apresentar) frente aos crentes no Senhor. Procuram demonstrar sua superioridade por meio do conhecimento - suas filosofias, das experiências vividas, das sensações compradas, viagens, bens, amigos... mais e mais. São infindáveis, julgam eles, suas vantagens em relação aos servos do Senhor.

Não raramente percebo olhares com certa compaixão pela vida que levamos, eu e minha esposa. Há um misto de desprezo leviano e superioridade rondando a mente dos ímpios.

Na realidade a soberba de seus corações não lhes permite considerar a questão de uma forma mais objetiva.

Poderiam:


considerar que já estivemos na mesma situação que hoje eles se encontram, e garantimos que nenhuma saudade há daqueles tempos (muito pelo contrário)!

reconhecer como é estranho divertirem-se sempre com bebidas (ou coisas mais pesadas). Sugerem que em si mesmos não há felicidade aproveitável!

imaginar que é evidência de infelicidade conjugal o prazer e satisfação (e busca) pelo adultério. A despeito do medo de serem apanhados, desejam ficar casados. 


rever como no uso da mentira alcançam “misteriosamente” a paz! 

explicar para si mesmos a ausência de esperança que os impele a uma vida tão mesquinha!

imaginar que suas divagações sobre a morte, a eternidade nem tem qualquer fundamento, e apesar de falantes nada sabem!

refletir sobre suas posições: agnósticos, gnóstico, evoluídos, quando nem conseguem definir com clareza o que a afirmação implica!

achar estranho a confraternização com homem que prefere homem e mulher prefere mulher, quando repudiam em seus filhos as tendências "esquisitas"! 

reconhecer sua confusa “religião” (catolicismo, espiritismo e demais) propõe e que eles aceitam alguns fragmentos, rejeitando outros - como se fosse possível uma solução self-service!

constatar que tivemos nossas vidas transformadas por um poder que não pertence a homens... e que eles nada sabem sobre esse o Todo-Poderoso, muito menos sobre a vida que não tem fim.  




O que se passa no coração desses que a cada olhar, nos vêem com vidas pequenas, e se apresentam tão altaneiros, tão independentes? Sugerem-se imortais? 

Quando na eternidade, não sei para onde olharão, mas sei, procurarão em derredor, e  nenhum de nós lá estará... nós de vida pequena. 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O jovem cristão e a influência do mundo - II



Como na noite anterior observamos, o texto lido inicia com uma conjunção "portanto", que garante que estamos concluindo argumentações anteriores.

Daremos atenção necessária ao nosso texto, mas de pronto podemos antecipar que ele encerra com a exortação que devemos procurar saber qual a vontade de Deus. Isto trataremos no momento oportuno.
Ao texto:
Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. (Ef 5:1517)

As palavras do v. 15. informam-nos que devemos dar grande atenção, avaliar detalhadamente como andamos, vigília permanente ao nosso comportamento. 

O Senhor oferece-nos a objetividade necessária, lemos (2.10) que devemos andar segundo obras definidas por Deus; (4.1) andar de forma digna ao propósito de Deus para nossas vidas, e por fim diz (4.17) Não na vaidade dos pensamentos dos gentios. Em algumas traduções fala na verdade de suas mentes (dos gentios). Temos obras definidas por Deus eternamente, e para elas fomos chamados e por fim evitar as sendas do raciocínio que outrora nos conduziu, pensamentos que não são os pensamentos do Santo, que levam a caminhos de morte. Eis aqui, temos diante de nós para onde conduzem as influências do mundo.

O texto mais diz: para não sermos néscios. Para não sermos embotados, os tolos operacionais.  Aqueles que muito opinam sobre aquilo que não conhecem. Aqueles que muito agem sem saber qual a vontade do Senhor, e mais, julgam-se baluartes das Escrituras. Foram cooptados pelas influências deste mundo “de sábios de si para si”.

Pelo contrário, somos exortado para agirmos com sabedoria (Cl 4.5):
“portai-vos (andai) com sabedoria com os de fora aproveitando as oportunidades”. 
Sabedoria de palavras, de conduta, de sobriedade, de amizades. Como afirmarmos  venceremos no mundo dos gentios, se nossas amizades são compostas de gentios, se nossos hábitos são dos gentios, se nossos sentimentos e prazeres são de gentios. Nenhuma  oportunidades há para esses que são totalmente gentios, mas em sua bravata pessoal afirma-se cidadão dos céus. Nada desses se aproveitará. A bravata é arma dos ímpios. 

O texto prossegue com “os dias são maus”, que posemos ler: as circunstâncias em estamos envolvidos são adversas à nossa disposição interior, à verdade que ousamos e proclamamos. Não há simpatia ao evangelho autêntico, não há simpatia para com a ética cristã. Se somos tidos como simpáticos quando expomos as verdades do Senhor, com certeza estamos falseando-a. 
Fomos (nossa mente) conquistados pelo mundo, cedemos às influências desse poderoso movimento de idéias e “poderes” da secularidade.

O uso do termo “não seja insensato” traz a idéia de destituído de raciocínio, e logo após afirma: “esforça-te para pegar a idéia, dedica-te” para saber qual é a vontade do Senhor.
De um lado a insensatez de outro a disposição para conhecermos a vontade do Senhor.

Sim! Qual é a vontade do Senhor para cada um de nós nesta noite? Ou seremos tolos para prosseguir na vontade de nossos próprios pensamentos?
É o que veremos a seguir.

sábado, 4 de junho de 2011

O jovem cristão e a influência do mundo - I




O texto escolhido (Ef 5.15-17) inicia com a palavra “portanto”, que bem poderia ser substituída por “consequentemente”. Isto conduz nossa mente para necessidade de entender que nossa leitura é a conclusão do contexto anterior.

Logo, somos forçados a empreender investigação no contexto anterior, pois apenas desta forma nos alinharemos à vontade do Espírito de Deus e evitaremos navegar por mares da nossa vontade, nosso sentimento e inteligência pessoal. Deixemos que o Senhor conduza nossas mentes em direção ao que é prefeito.

O que encontramos nos textos anteriores?

O v.11 diz que
“não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as”.

É imperativo que busquemos entender o que seriam as obras infrutíferas das trevas. A idéia de descobri-la pelo uso de contraste é adequada. O v.8 permite-nos fazê-lo quando registra trevas e luz, e luz no Senhor, criando um claro contraste.
Temos, portanto, a autorização das Escrituras para o empreendimento, e assim o faremos. Cheguemo-nos, pois ao Senhor para o entendimento, para revestirmo-nos da verdade.

Para discorrer sobre a obra infrutífera das trevas precisamos retroceder no tempo e atentarmos para a grande mudança que impôs sobre toda a humanidade. À minha mente desce suave e trágica a abordagem feita à nossa mãe Eva:
“decerto que não morrerás, serás semelhante ao Altíssimo”.

A possibilidade de vantagem pessoal sem esforço tem acompanhado a humanidade deixando em seu caminho toda saga de catástrofes e desajustes pessoal. A desonra é parceira inseparável da desonestidade. 

Mais lemos: E viu a mulher “que a árvore era boa comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento”. Sucumbiu à provação, comeu e deu ao seu marido que também comeu... e morremos todos.

Desde então, vontade, sentimento e intelecto humanos impossibilitados estão de livremente dirigirem-se a Deus, fazerem e terem prazer em sua santa vontade.

Essa disposição fez a humanidade voltar-se para si mesma. Essa nova disposição interna não se permite contemplar a eternidade. Falam, mas dela nada entendem; presos à dimensão da morte, adaptaram-se à morte.

Buscam aqui e agora encontrar a felicidade, de resgatar, mesmo que tateando na escuridão do que lhes “sobrou”, querem resgatar a vida perdida por meio do “ter, sentir, e ser”: a concupiscência dos olhos, da carne e a soberba da vida.

Estabeleceram-se como a instância final do certo ou errado, moral ou imoral, separam-se completamente de Deus. Desconhecendo ou rejeitando a vontade e o caráter de Deus, passaram a ser e ter nos valores por eles criados o padrão da verdade, do prazer e da justiça. 

Rejeitam completamente ao Criador e Sustentador de todas as coisas, estão aptos a sentir prazer em realizar as obras infrutíferas das trevas. - Descritas (em parte) nos vv.3-6.

Assim é o sistema que chamamos de mundo, dele emanam verdades, pensamentos e condutas. As influências que chegam a todos, não apenas chegam, mas nos envolvem.

Agora, o que o Senhor diz em contrate às obras infrutíferas das trevas?

Lemos no v. 8 o termo “luz no Senhor”. Nesta mesma carta encontramos (2.10): ”fomos criados em Cristo Jesus”.

Os textos são complementares e constroem o ensino de nossa união com Cristo, com o propósito de sermos filhos da luz, em contraste com as obras infrutíferas das trevas.

E mais lemos (2.10):
“Criados em Cristo para boas obras, as quais Deus preparou (nomeou) para que andássemos nelas.”

Temos aqui que as obras dos filhos da luz foram determinadas pela mente e pelo caráter de Deus desde sempre. Sim, as obras frutíferas da luz são obras que realizamos em Cristo Jesus.

O texto nos oferece:
“somos feitura dele, criados em Cristo Jesus”.

Uma nova criação em Cristo, um ato regenerador de Deus para
“conhecermos o amor de Cristo que excede todo o entendimento, e sejamos tomados de toda a plenitude de Deus”. (Ef 4.19)

Sim, somos feitos por Deus, obra de sua vontade para transformar nosso sentimento, nossa vontade, nosso intelecto, vivermos à sua vontade. Sairmos de nossa verdade para verdade de Deus, de nossa justiça para justiça santa de Deus. 

Deus nos infundiu uma nova disposição para que desenvolvamos novo sentimento, nova vontade e novo intelecto. Para que possamos rejeitar as obras infrutíferas das trevas, resistirmos às influências deste mundo vil.