"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sábado, 11 de junho de 2011

Esaú, o poeta.


 Este texto tenta conter a alma de Esaú. Traz reflexos e mantos do versículo a seguir.

Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, 
foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, 
ainda que, com lágrimas, o buscou. (Hb 12.17)


Hoje sei, existem cadeias – eternas.
Prisões onde me falta o ar.

Não há a liberdade.
Meu corpo e alma clamam.
Nem sei de onde provém tanta dor. 

Não há sofismas, não há relativismo.
A liberdade não se mede em pedaços.

Tudo se faz servo da inquietude.
(Por que não sei dos detalhes?)

No choro profundo e contido estão meus amigos - talvez inimigos - fiéis. 
São eles que permitem meu sonho suspeito – nem os tenho.  
Que conflita com as lembranças abandonadas... sofro pequeno.

Deixo-me às inquietudes.
(como se tivesse escolhas!!)
Masmorras - malditas - aprisionam minha mente.

Há paredes em mim mesmo.
Crueza dos sonhos  - não mais os tenho.
O blefe da morte sugerindo a esperança - jamais virá.
Nem sei se o reconheço.


Sigo, como a multidão, para dentro de mim mesmo.
Aprofunda meu desespero.
Não há esquinas nessa rua sem fim.
(Como fugir? Para onde ir?)


Quase não percebo a luz.  
Sobre a mim, manchas tingidas pelas trevas.
Oferecem-me o pavor.

Meus olhos tentam as sarjetas.
Escondo as lágrimas
 – como resgatar o possível que se desfez?
A vida – o que seria? – desistiu?

Restaram as escaras da minha alma.
(testemunhas eternas).

As lembranças surgem diante de mim.
Como casais dançantes, vão e voltam.
Tentam uma valsa estranha, sombria.
 Separados, pranteiam... e dançam e pranteiam.

Tento resgatar a minha mente.
Quantos louvores ouvidos.
Aleluias entoadas.
Meus lábios falseavam à presença magistral de Deus.
Deus estava lá.
 Ouvia de bocas santas, lábios tão diferentes.

O que ocorria?
O que profundo enchia o local?
Tudo estava ali. 
Como se tudo parasse a espera de alguém.
(nunca entendi, nunca experimentei!!)
Mas, me deleitava em louvores.
O som das aleluias flutuava ao vento.
Tudo ficou para trás.
(Faltou-me algo)

Às calçadas do prazer.
Aos sonhos (ir) reais.
Degustei a torpeza.
Todo seu encanto me enlaçou.

As noites escuras frenéticas.
Os abraços leais me conduziram.
(para onde deseja chegar.)

Tantos foram os passos.
Tantos os abraços, o cansaço.
Tantos os prazeres.

De longe se perdiam o som,
os louvores,
as suaves aleluias.
(faltou-me algo)


Ah! talvez entenda!
Jamais poderia voltar.

Hoje sei,
existem cadeias eternas,
prisões... 
incontrolável é o choro.


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