"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sábado, 29 de outubro de 2011

Ananias e Safira mesmo mortos ainda falam.




Continuamos no Livro de Atos e caminhamos através dos caps. 1, 2 e 3.  Neles foram descritos os primeiros momentos de uma nova história: Deus ressurreto em convivência com homens mortais, o verbo eterno revestido da carne eterna. Logo em seguida sua assunção até locais que não sabemos onde realmente são. O inédito e impensável registrado no primevo momento da Igreja do Senhor, tudo descrito em torno de um monte nos arredores de Jerusalém. 


O Eterno e transcendente pisando o chão e depois chegando às nuvens.

Depois, os capítulos seguintes descrevem o caminhar de homens comuns que viram, ouviram e apalparam o Verbo eterno que se fez carne e esteve entre nós. Agora impelidos pelo Espírito de Deus recriariam um novo enredo para história da humanidade: a proclamação da vida que há em Cristo.

Deus, por meio da proclamação da vida, infunde em multidões a vida de Cristo, vidas  mortais, revestidas pela imortalidade. 
A salvação plena chega ao mundo, a esperança eclode nos corações contritos!


Passamos por esses registros e nos deparamos com a oposição do mundo  aos novos ventos trazidos pelo próprio Deus. O cap. 4.1-4 lemos:

Enquanto eles estavam falando ao povo, sobrevieram-lhes os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, doendo-se muito de que eles ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos, deitaram mão neles, e os encerraram na prisão até o dia seguinte; pois era já tarde. Muitos, porém, dos que ouviram a palavra, creram, e se elevou o número dos homens a quase cinco mil. (At 4:1-4)

Percebemos grupos bastante distintos no contexto: Os pregadores, os opositores, Deus e os que creram.
Essa composição atravessou os séculos, e hoje é padrão das organizações cristãs. 


Estamos cercados por opositores, experimentamos o poder de Deus, convivemos com crentes e com pregadores, apenas os frutos são os indicadores que qualificam os grupos. 


Perdemos em muito se não iniciamos a leitura do Cap. 5 a partir de 4.32. Ao retrocedermos  nossa leitura sabemos que os que creram era um só coração; os apóstolos pregavam as boas novas, repartiam seus bens na medida da necessidade dos irmãos.

É no cap. 4 que Lucas nos apresenta José: “a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé “em judeu convertido, vendeu sua propriedade e entregou o valor aos apóstolos.
E continua, já no cap. 5: entretanto, “certo homem, chamado Ananias com sua mulher Safira, vendeu uma propriedade”.

É significativo o paralelismo feito por Lucas entre os dois personagens: José e Ananias.
A José é dedicado um texto sumário, mas ao introduzir Ananias, diz: Mas ou entretanto; para nos fazer entender que haverá contraste entre um e outro: joio em meio ao trigo.  

Seriam Ananias e Safira crentes? Decerto que não. Pois, os frutos manifestados pelo casal delineiam grupos que se encontram enraizados em nosso meio, mas não são dos nossos. Vejamos em que Ananias e Safira podem nos ajudar.

O mal congregacional sempre envolve mais de uma pessoa.
Nos versos 1 e 2, percebemos o acordo para o mal, pois o casal dissimuladamente resolve encobrir o valor real vendido.

Vida sem vida, aparência religiosa
E ainda, vivem vidas de aparência religiosa. Pessoas que não discernem a graça de Deus e a gratidão devida. Pois, são incapazes de saber que primariamente relacionam-se com Deus, e não com homens simplesmente.

Mensageiros de satanás e a vantagem pessoal
No v. 3, encontramos a orientação de satanás para construção de seus planos.
Em busca de vantagem pessoal as pessoas seguem as ordens das trevas, satanás.

Como tratá-los
É obrigação da Igreja eliminá-los (não a semelhança do texto) para causar temor aos ouvintes e a Igreja (v. 11).

Como pois, dizer: 
“Não poderemos deixar de falar das cousas que vimos e ouvimos”.


Ananias e Safira mesmo mortos ainda falam no meio de nós.

sábado, 22 de outubro de 2011

Transmissão do Pecado - Esboço Teológico



O PECADO ORIGINAL OU PRIMEIRO PECADO
Há dois significados para este conceito. PRIMEIRO, refere-se simplesmente ao pecado de Adão no Éden, o pecado original. SEGUNDO, a Bíblia ensi­na que o pecado de Adão envolveu toda a raça humana.
Em Roma­nos 5:12 Paulo afirma que através da desobediência de Adão o peca­do e a morte se tornaram realidade para todos os homens “PORQUE TODOS PECARAM”, isto é, todos pecaram em pecado de Adão (Rm 5:14-19; 1 Co 15:22). O pecado praticado por Adão, o primeiro pecado humano é o pecado original, mas as suas implicações não apenas vieram sobre Adão.
O pecado de Adão FOI IMPUTADO a toda raça. ADÃO FOI O CABEÇA FEDERAL DA RAÇA HUMANA, sua ação foi federativa, bem como ESTÁVAMOS EM ADÃO SEMINALMENTE.  Logo seu pecado, não só repercutiu sobre ele, mas foi além do indivíduo, passando para toda raça. Ou seja de Adão herdamos a natureza pecaminosa e a culpa. 
Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. (Rm 5:12 )
 Em Adão, todos morrem, assim também todos SERÃO VIVIFICADOS EM CRISTO. (1 Co 15:22)
IMPUTAÇÃO
O significado da palavra  é  debitar, atribuir responsabi­lidade ou ainda, lançar na conta de alguém. É a transferência de virtudes, características, méritos ou penalidades para outrem, sem que esse tenha tido qualquer participação ativa no ato original. Um exemplo clássico deste conceito está na Epístola a Filemon. Paulo as­sumiu a dívida de Onésimo junto a Filemon.  
Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como se fosse a mim mesmo. E se algum dano te fez, ou se te deve alguma coisa, lança tudo em minha conta.  (Filemon  17,18)
Há ainda nossa justificação, onde nos foram creditados os méritos (a justiça) de Cristo.
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), (Gálatas 3:13)
 
A TRANSMISSÃO DO PECADO
O REALISMO [ OU SEMINALISMO]=Toda raça herdou a natureza pecaminosa e o FEDERALISMO a culpa.

O REALISMO, A NATUREZA
Tomando Romanos 5:12 de modo literal. “Todos pecaram em Adão” significa que todos nós estávamos presentes e envolvidos quando Adão pecou: a natureza hu­mana genérica universal, que abrange a natureza individual de todos os homens, achava-se presente seminalmente  “em Adão”. Há no Novo Testamento essa ideia em Hebreus 7, onde Levi, muitos décadas antes de existir estava nos lombos de Abraão. Este é o conceito do Realismo na questão da transmissão do pecado, expressa a ideia de que todos nós estávamos pecando com Adão. Este conceito está associado à depravação da natureza humana.
Ausência de Justiça original e a presença positiva do mal.

FEDERALISMO, A CULPA
Toma como base o paralelo entre Adão e Cristo (Rm 5:2-19; 1 Co 15:22,45-49). Trata da culpa e não da natureza. Como estamos em Cristo, estávamos com Adão. Trata mais da justiça praticada por um e por outro,  isto é, liderança representativa, ou federal. O principio é idêntico: em vista de nossa união com Adão, sendo ele o nosso representante, somos pe­cadores culpados; devido à nossa união com Cristo, pela fé, somos declarados pe­cadores justos.                

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.




Tive no mês passado o privilégio de ouvir as considerações do Pr. Antônio da Rocha a respeito dos inimigos da Igreja. Em sua abordagem ele tratou dos inimigos internos – os falsos irmãos.

A seguir tento reproduzir uma síntese de sua pregação - sem sua autorização introduzi alguns pontos, pelo que espero ser perdoado.

Falou que esses tais comprometem o crescimento qualitativo da igreja pela ignorância manifesta, e ainda, pelo  vida que levam comprometem seu crescimento quantitativo.

Lembrou-nos como Paulo combateu os falsos mestres, assim não podemos prestigiar heréticos. E citou diversos exemplos de lobos televisivos.

Questionou-nos a respeito da doutrina da separação doutrinária - princípio básico entre  Batistas Regulares. Como estão, em sentido contrário, muitos conciliando o mundanismo com a pureza devida a Cristo, trazendo para seu coração, lares, e tentando convencerem os pastores da "eficácia" de outros grupos.

Abordou algumas heresias que foram introduzidas no primeiro século da Igreja, e que combatidas àquela época, hoje são proclamadas a pleno pulmões dos púlpitos mundo afora, e que muitos de nós já as colocamos em nossos corações.

Houve completa ruptura com a História, com a doutrina, as novidades soltas pelo ar são as bases para nova fé.

As pessoas querem vir para igreja para se sentirem bem, serem notadas, manifestarem seus próprios corações corruptos. 

Os aconselhamentos não podem corrigir, orientar, mas sim, encontrar o ponto de desconforto e retirá-lo. Até mesmo crescimento cristão, se incomodar, deve ser evitado para não causar constrangimentos. 

E o povo da igreja - até crentes - tem a obsessão por boas vindas, por cânticos de agradecimento por estarem ali. 

Falou que a ganância, sofismas e carnalidade são a motivação do frenesi “evangélico” de plantão, e tem conduzido multidões. 

Os piores inimigos da Igreja estão dentro da própria igreja.

Ao final de sua pregação, veio a minha mente:
Ao anoitecer reclinou-se à mesa com os doze discípulos; e, enquanto comiam, disse: Em verdade vos digo que um de vós me trairá. E eles, profundamente contristados, começaram cada um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor? Respondeu ele: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá. Em verdade o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! bom seria para esse homem se não houvera nascido. (Mt 26:20-24)



Como uma falsa virgem, enganamos nosso próprio coração, e abraçados estamos com o mundo... como falsa virgem.

A massa levedou!!!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Livro de Atos - A glória devida



Os primeiros capítulos do Livro de Atos exige que lembremos do que suspirava aquele momento: os estertores da Páscoa, onde a multidão de peregrinos vindos dos quatro cantos da terra se dispersa por toda Jerusalém, e muitos dos que ali estavam buscavam “novidades espirituais” para levar em sua bagagem de volta.

Ao final do discurso de Pedro, o soar dos ensinos judaicos, onde as obras pessoais primaziam, são desafiadas. Em Atos 2.37 essas pessoas compungidas perguntam sobre o que deveria ser feito.

A prática judaica das oferta, abluções, sacrifícios ficara desconexa, aqueles homens realmente não sabiam qual o próximo passo a ser dado.  A arrebatadora verdade trouxe   Jesus e o Espírito Santo em substituição aos valores fincados durante séculos. 

Iniciado estava o  plano de Deus definido no capítulo I do Livro. Àqueles ouvintes nenhum poder especial fora proposto, senão a experiência interna de paz, e a missão de proclamá-la. (A reconciliação efetiva com Deus por meio de Jesus Cristo!).

Mentes “hábeis” introduzem e permitem a egolatria necessária para oferecer a quem quiser o poder e as experiências não autorizados pelo Senhor.

O texto segue e diz que aceitaram a palavra, perseveravam na doutrina, na comunhão, no partir do pão e nas orações... em cada alma havia temor... e que muitos sinais e prodígios eram feitos  por INTERMÉDIO DOS APÓSTOLOS. 
É relevante o registro de Lucas restringir tais poderes apenas aos apóstolos, pois não lemos a participação de TODOS os discípulos com poder para sinais e prodígios.

E o v. 47 afirma que o Senhor é quem acrescentava  os salvos, reafirmando que são Atos de Deus por meio dos Apóstolos.

Sob tal perspectiva corações são desnudados, pensamentos são refutados e sentimentos e ambições aninham-se à desonestidade.

O que os leva a enveredar por tais sendas? Donde surgem outras orientações, outras conclusões?

Atos 4.2 diz que os religiosos da época estavam “preocupados com o ensino da ressurreição”. 

A simples proclamação da ressurreição implicava na perda de status transferindo toda glória a quem dela é digno; no extermínio do engano religioso e das vantagens pessoais. Eram grandes as perdas frente à simplicidade da proclamação do Evangelho de Cristo.

São grandes as perdas frente às verdades do Senhor. 

Os mesmos sentimentos e disposições presentes nos “senhores da religião judaica”  alicerçam o cristianismo de enganos e conquistas pessoais e bravatas coletivas que vemos.

Foram esses descritos pelo Apóstolo: 


Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem,traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses.(2Tm 3:1-5)

sábado, 8 de outubro de 2011

Atos do Apóstolos - Uma perspectiva


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Com facilidade identificamos abordagens ou perspectivas conflitantes existentes a respeito do Livro de Atos dos Apóstolos. 

Sem qualquer pretensão real, poderíamos adicionar ao título “por meio do Espírito Santo”. E tal pretensão já esteve entre os santos por volta do século II. 

Decerto, alguns desenvolvem ou adotam perspectivas sem considerar o conteúdo do livro. Há importância na questão? (perguntaríamos). Acredito que sim, pois a perspectiva orienta a compreensão, e por ela vem o conhecimento, e dele a prática. 

É deste Livro que jorram princípios e fundamentos que estabelecem a linha a dividir tradicionais e pentecostais. Estes com poder e aqueles com reservas.

Reconheço e confesso não empreender uma abordagem rebuscada para encontrar o que o escritor pretendia quando nos deixou este maravilhoso texto. Mas, ofereço textos que permitiriam construir a perspectiva que ofereço. 

Primeiro, entendamos sua importância. O Livro de Atos é uma ponte que une (conexão histórica e teológica) os Evangelhos às Epístolas. Sua inexistência  implicaria na completa desconexão entre a morte do Senhor (Messias) e a pregação de sua ressurreição. Este vazio retiraria do Cristianismo sua solidez e coerência histórica e doutrinária. As especulações – que já grassam com ele – seriam monumentais sem sua existência.

Segundo, entendamos seu propósito. Estamos frente a um texto a respeito da história de Cristo – O Cristianismo - e primeiros momentos dessa proclamação. Não há em Lucas a pretensão de promover esse ou aquele apóstolo como centro dos eventos descritos, senão a Jesus.

Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo quanto Jesus começou a fazer e ensinar, até o dia em que foi levado para cima, depois de haver dado mandamento, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; (At 1.1:2)


E da narrativa lemos em At 1:5: “Porque, na verdade, João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias. Sem que aqueles homens soubessem além do necessário, Deus lhes capacitaria com um único objetivo: “Testemunhar de Cristo” (At 1.8). 

O que competiria àqueles homens a partir de então era contar a história de Emanuel – Deus conosco. Esta é a perspectiva – ou a disposição mental – que deve orientar nossa leitura: Atos de Deus por meio dos Apóstolos. Não mais um título, mas sim, a perspectiva adequada para sabermos o que diz o Senhor. 

Devemos deixar nossa disposição idólatra, nossa egolatria em locais inalcançáveis em dias de leitura do Livro de Atos dos Apóstolos.