"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Maldito homem que sou...


 Mogi das Cruzes


  “Maldito homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24)


Lembro-me, quando ímpio, como era desgastante perscrutar algumas áreas da vida e, por outro lado, o ambiente no qual estava imerso era incapaz de oferecer as respostas que meu coração exigia. Os únicos recursos eram a falácia e loquacidade, que entorpeciam, por pouco tempo, as aflições da minha alma.


Mesmo a construção dos questionamentos era por demasiado complexa, o raciocínio cogitava e enredava argumentos que chegavam a um ponto de de tanta fragilidade que urgia abandoná-los. Assim, estava em um ciclo de questionamentos, considerações e frustrações ininterrupto e, ao mesmo tempo, desafiador. Mesmo sem respostas seguia vida – ou morte? Não sabia – afora.


Reproduzia as especulações dos sábios, essas com mais rebusque, caminhavam pelas mesmas veredas da inconclusão que eu já conhecia. Nelas não estava a verdade buscada.

Percorria os poetas, esses circunavegavam com suas muitas palavras, apenas por pouco tempo. Serviam apenas para o engano de corações adolescentes e mentes pueris.
Não havia na realidade posta as respostas para acalmar a alma de um questionador em busca da verdade - em fuga da aflição.

Como poderia eu romper com a própria natureza, que me escravizava e encontrar a verdade? Nem este argumento era capaz de construir. 


Como poderia saber que a verdade não estava disponível ou alcance, mesmo não pertencia ao mundo?  

Como poderia a razão humana – meu único instrumento de busca - ser neutra, se escrava? Incapaz de encontrar o que não conhecia? Não poderia elaborar um questionamento de tamanha estranheza e magnitude.

  “Maldito homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”(Rm 7.24)

Busquem sábios, poetas ou sonhadores, nenhum deles será capaz do questionamento: Cadê a verdade?

As dimensões experimentadas pela razão afirmam sua incapacidade estrutural e sua naturza, e nós rejeitamos tal evidência. Nossa razão não cogita a necessidade de  reconstrução – um novo nascimento, uma nova mente, uma nova razão. 

Importa-vos nascer de novo, diz o Senhor! (Jo 3.7)


Como a razão poderia abrir mão de si mesma para se tornar plena, tornar-se de fato razão? Impossível para razão humana cogitar tal possibilidade. 

Como poderia reinventar-se? Pois, autônoma se pensa? Como poderia libertar-se de tão grande peso - de si mesma? Se escura está para verdade?


Que aflição é essa que nada a sacia? A cada manhã a própria mente, que se mostra incapaz, revolta-se e se acusa.


O Homem – ah! o homem - no silêncio de seu desespero, vocifera: “A realização pessoal movimenta-me”. Para onde? Questiono. 


  “Maldito homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”. (Rm 7.24)

O relato de Deus admoesta a todos: a razão humana é agente e, ao mesmo tempo, obstáculo para compreensão e solução da questão.  


Vítimas de si mesmos, banqueteiam-se na fugacidade e no engano. Jamais por si mesmos questionarão:


  “Maldito homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”(Rm 7.24)

Hoje sei que  só há esperança quando se encontra a verdade. 

Render-se é a palavra de ordem.

"Vinde todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei". (Mt 11.28)

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