"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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domingo, 28 de outubro de 2012

A soberba e a cegueira tentando passar por sábias




Recebi um texto, mesmo sua autora negando, falava a respeito de Deus ou da repercussão das religiões entre ao homens.  Refutei-o – uma réplica – e enviei para autora do texto, formalizando o pedido de autorização para publicá-lo, pois anteriormente já havia sido autorizado. Para surpresa minha, ela alegou motivos pessoais e negou. Aceitei seus motivos, estou apenas publicando o e-mail que enviei posteriormente para ela.


Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer? Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo o coração; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações. (Jr 17:9-10)
Inclui o verso acima pois nele o Criador diz o que pensa as inferências humanas a respeito da verdade e de Si próprio.

Segue o e-mail (com pequenas inserções em negritos para maior clareza): 

"Não há divergências entre seu pensamento e o meu". Disse ela
Nossas posições evidenciam conflitos de ideias e são inconciliáveis, o que não é problema. Convivo em ambiente não cristão há bastante tempo,  reconhecendo o direito de termos nossas convicções em separado. Como espero que conheças algum cristão, de fato cristão que deixe claro a distância que há entre seus pensamentos e a pessoa de Deus.

Uma advertência. Julgo que todos tem direito a suas opiniões, contudo ninguém pode estar equivocado quanto aos fatos. 

"Eu não estava falando sobre Deus". 
Discordo que o tema não seja Deus, mesmo que seja resultado de introspecções pessoais que vc. atribui a Deus, não pode ficar livre de aferições e questionamentos.

Deus e o livre pensamento. Ana é preciso saber que o tema que foi abordado não é objeto de livre pensamento, observações alheatórias da vida, existem informações objetivas da pessoa de Deus - que é uma pessoa, e não um sentimento pessoal e subjetivo.

Seu texto - conhecimento - traz inúmeras inconsistências entre seu Deus subjetivo, que está dentro de cada um, e o Deus revelado nas Escrituras, criador a mantenedor de todas as coisas. E sobre tais inconsistências discorri.

"Não preciso de livros (a Bíblia) para conhecer a Deus". 
A sua NÃO necessidade de livros para relacionar-se com Deus é um contrassenso acadêmico, pois vc. frequenta aulas sobre filosofia - onde utiliza livros e professores etc. com o propósito do conhecimento  objetivo.  Por que com Deus seria diferente? Deus - que é um ser pessoal - esteve no mundo, andou entre as pessoas, nasceu e viveu no tempo e espaço. Não seria Ele possível de aferição objetiva?

O conhecimento de Deus e a razão humana. Deus nos deixou instrumentos racionais para avaliar a veracidade das Escrituras, o empirismo da introspecção é inadequado e presunçoso. 

Provas históricas do Deus das Escrituras. Perceba a permanência da nação de Israel, a consistência histórica e arqueológica das Escrituras, o cumprimento das profecias ao longo da história humana, são argumentos que estão à disposição de todo aquele que quer seguir a trilha da honestidade acadêmica.

Infantilidade de método. Se Deus revelou-se, e de fato revelou-se, as introspecções postadas a respeito Dele são infantis e descabidas.

Criando um Criador (a partir da observação). O tema não é baseado naquilo que cada um pensa do outro, na piedade humana, no amor humano, esses fundamentos servem para falar do homem e não de Deus. 

A sinceridade não é igual a verdade. Por mais sincero que seja seu texto, ele não é verdadeiro. Sinceridade e verdade não são intrínsecas, falo objetivamente. 

"Muitas pessoas escreveram dando-me apoio". 
O fato de receber apoio sobre o texto não dá a ele qualidade ou veracidade. A verdade não está em mim ou em ti, mas em Deus. Apenas Ele (sua palavra) é a única instância para avaliação do que é dito sobre Ele. Posso falar a seu respeito com toda minha sinceridade, mas pelo fato de não conhecê-la, incorro em inverdades, e apenas vc. será instância objetiva para aferir minha sinceridade, se verdadeira ou não.

A soberba não qualifica o pensamento. Quando vc. se propôs a escrever sobre Deus, deveria considerar que é um assunto que desconhece, e isso sugeriria um espírito mais humilde.  Talvez reavaliasse a questão e buscasse informação em fontes de maior qualidade e historicidade, que não está nem no meu, nem no seu coração.

A justiça própria como padrão. Você, em seus argumentos, tem-se oferecido como padrão de bondade e isenção, desconfie dele... a eternidade o provará.

Crítica sobre radicalidade religiosa. Acho que mesmo sob  fundamentos diferentes somos radicais - a expressão adequada. 

"Você quer me levar para sua religião".
Não tenciono, como afirmei anteriormente, conduzi-la a qualquer lugar, meu anseio é defender a verdade de Deus. Você certamente irá para aonde Deus determinou desde toda a eternidade.

Uma advertência: Já estive na condição que estás. E quanto aos princípios que orientam seus argumentos, em épocas passadas os sorvi, e hoje sou capaz de avaliá-los sob o verdadeiro conhecimento de Deus, sei de sua profundidade e consistência.

Um grande abraço  e espero que em novo texto - se é que escreverás novamente - antes tente submetê-lo ao crivo das Escrituras. Volto a lembrar:
"enganoso é o coração"

Paulo

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Estamos contaminados!



"A quem falarei e testemunharei, para que ouça? Eis que os ouvidos deles estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela". (Jr 6:10)

̀
Para tristeza ou vergonha nossa, temos dirigido nosso esforço em busca de consolidar nossa vida aqui em baixo, como se não fossemos cidadãos celestes. Convivemos com naturalidade, sem preocupações com ímpios, os quais com tranquilidade e ignorância transitam sem se darem conta da  condenação eterna que paira sobre suas  cabeças.

Pelo contrário, cada vez mais enveredamos pelos meandros dos temas oferecidos ao mundo, cada vez mais sorvemos as "delícias" da falsa sabedoria, que agora nos encantam.

Grande parte do esforço e dedicação do povo de Deus passou a se concentrar nas demandas fúteis do dia-a-dia. Estamos de mãos dadas e até compartilhamos de ideias e ideais do mundo. 

Brilham nossos olhos quando o assunto é futebol, política, cinema e, por incrível que pareça, até sobre os astros e estrelas queremos saber  - pessoas sem qualquer valor moral, sem nenhum respeito pelo nosso Deus.

Somos soldados, mas envolvidos nos negócios dessa vida (2 Tm 2.4).

Quanto à política partidária, muitos acreditam - dizem até ser instrução do Senhor - que irão mudar o mundo por meio da Igreja. Apesar de estranha tal interpretação das Escrituras, percebo que brota de interesse escuso e de tradições. Poder-se-ia avaliar a decadência moral que grassa em todos os recantos do planeta e reconsiderar que há algo errado na prática desse "pressuposto bíblico".

Essa estranha simbiose do cristianismo e política partidária  só sobrevive por inocência ou desonestidade de seus defensores, pois nenhum outro fundamento pode produzir vida em sistemas tão excludentes.

Desconhecemos os princípios elementares das verdades cristãs. Avaliemos os temas: Justificação, Redenção, Eleição (que é quase um palavrão nesse cristianismo tão centrado no homem), Regeneração e tantos outros. 

Não duvido da existência de burburinhos e notícias palpitantes à época do Senhor e de seus apóstolos: rusgas entre judeus e romanos, encontros subversivos em prol da liberdade de Jerusalém etc. contudo, a esses fatos não foi atribuída importância que justificasse   seu registro nas Escrituras. 

Todo o esforço, toda energia foi dirigida para registro da mensagem de salvação, de santificação, de esperança e morada celestial.

Estamos deixando as Sagradas Letras, trocando-a por cozinhado de lentilhas vermelhas como Esaú (Gn 25.34)

Mas, em nossos dias, contaminados pela “sabedoria” desse presente século, esquecemos  que Deus a fez louca (1 Co 1.20).

Poderíamos corromper o texto para adequar aos nossos dias: “Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se dizem salvos”. 

É uma pena que tenham retirado o texto de Paulo dos assuntos de nosso dia-a-dia.

“Rogo-vos irmãos, pelas misericórdias de Deus, que não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente”. 

sábado, 20 de outubro de 2012

A vaidade matou a esperança




e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu. Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade. (Ec 12:7-8)


Não é recente algo que me tem chamado a atenção: as pessoas vivem sem esperança!

Tenho, de certa forma, tentado entender como essas pessoas organizam seus pensamentos e emoções para considerarem os valores que justificam suas vidas. Ou seja o porquê de viver. Percebe-se que a soberba inebriou a mente humana, levando a todos reconceituarem o que estava estabelecido, as verdades, os significados foram revistos para darem “sentido” à vida. Talvez isso, seja premido pela necessidade de construir uma “esperança particular” dentro de uma realidade onde não há esperança.

Precisamos rever o que é esperança, pois ela foi subvertida pelos humores da vaidade.

A ESPERANÇA. A esperança, obrigatoriamente, pressupõe tempo, uma meta, dependência de outrem e de eventos. A esperança, que sustentou, sustenta e sustentará a vida, é a brisa que sopra dos lábios da promessa. Se ela, a esperança, tem como base a conquista pessoal, o esforço devemos chamá-la de recompensa e não de esperança. A esperança sobrevive e ganha força pelo poder de quem prometeu, por sua capacidade de cumpri-la. A esperança, mesmo que vívida em nosso interior, deve se sustentar em um agente externo.

A OBRIGAÇÃO COMO ESPERANÇA. Se estabelecemos uma meta ou objetivo, onde não dependemos de ninguém, que podemos fazê-lo sem qualquer ajuda externa, que a única dependência que existe é o tempo, isso nada tem a ver com esperança. Pode-se no máximo chamar-lhe de  obrigação.  

OS DESEJOS COMO ESPERANÇA. A esperança conhecida e utilizada em nosso contexto precisou ser fragmentada em pequenas porções de tempo, que seu cumprimento ou não pouco efeito trás sobre a satisfação, assim criou-se a “esperança self-service”, cada um monta seu prato e adiciona o tempero que desejar. A despeito disso, olhamos para o lado e encontramos mais pessoas ansiosas e infelizes. Nesse contexto, confunde-se a esperança, com desejos.

Paradoxalmente, o mundo moderno sedento para realização de seus desejos - esperança, é um vazio da verdadeira esperança. Não encontramos pessoas que vivam e consigam medir sua esperança. Anseia-se o prazer e satisfação da vida do "agora".

A busca pelo prazer, pelo saber, pelo ter transformou a vida que conhecemos apenas em recortes  de satisfação, contudo fez da vida uma existência rumo à solidão, à frustração.

A vaidade contaminou a razão que não percebe que ao pó voltará e lá encerrará sua “esperança”.  

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A vida, apenas um tempo anterior à morte



Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. (Rm 7:18-20)
Grande parte dos problemas que aflige as pessoas, da vida humana, da falta de coerência e angústia são agravados em virtude da ignorância a respeito do pecado. E por crerem que é uma questão de “religião”, e “religião” não se discute, evita-se o assunto. Negligenciamos não dando ao tema a importância adequada, preferindo tratá-lo sob os mais estranhos conceitos e conveniência. 

Essa disposição mental aprofunda mais ainda a crise humana, e isso faz com que a vida passe a ser um caminho sem esperanças, uma existência que apenas antecede à morte. Não deve ser assim, e pode ser diferente.

Primeiro, não podemos atribuir ao pecado a matiz que desejamos, muito menos minimizar suas consequências, caso assim pensemos, erramos e erramos seriamente!

Segundo, precisamos recorrer a uma fonte primária sobre a questão. Podemos consultar TODAS as fontes possíveis, mas cometemos outro grande erro caso não recorramos  à fonte primária do tema. Assim, recorrer às Escrituras – isso não é “religião” -, mas a fonte da vida. Queiram ou não, há o testemunho da história, de milhões de pessoas ao redor do mundo, testemunho de nações, testemunho de Israel e uma infinidade de eventos que garantem às Escrituras a condição de fonte primária a respeito do pecado.

Terceiro, há pessoas bem próximas – que passaram pela experiência de conhecerem verdadeiramente a Cristo – que podem discorrer a respeito do pecado.

Por que nos preocupar com o pecado? Por meio dele vem a morte! Isso é suficiente?Assim, saibamos um pouco mais a respeito do pecado.

A declaração que serve de cabeçalho foi feita por um homem que teve experiências espetaculares – e presenciais – com Deus, tendo a oportunidade de registrá-la, e os homens de sua época autenticaram  sua veracidade, além do que a transformação que foi submetido dá a ele plena autoridade sobre o assunto. Nenhum homem em qualquer época da história humana adentrou tão profundamente à “morada de Deus” quanto o apóstolo Paulo, e é ele quem nos transmite as palavras aprendidas com o próprio Deus.

Suas palavras são de convicção, pois diz: “Porque eu sei”. O argumento inicia com um argumento racional, não fala “eu sonhei”, “em êxtase eu descobri” ou algo semelhante.

Em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum”.
Não há voluntariedade intrínseca para o bem. Não temos uma disposição benevolente. E quando assim agimos, estamos voltados para atender nossos interesses a vontade de nosso coração. Não dirigimos o bem para aqueles que não desejamos, que não apreciamos. De onde partem raios que iluminam nossa mente informando-nos a respeito de “nossa bondade”? Somos traídos pela ação do pecado.

Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.
Nossa consciência reconhece o bem, nos comunica para fazê-lo incessantemente, mas nossa vontade opera contra nossa consciência, realizando o mal que o reconhecemos. Nossa consciência queda-se frente à disposição que brota de nosso mais profundo e injustificável. Sabe-se que não se deve mentir ou enganar, engana-se e mente-se; o adultério é uma vileza contra quem se ama, adultera-se; a desonestidade é cruel, mas é praticada. Não terminaria caso enumera-se todas as vielas de sentimentos dúbios e comportamentos mesquinhos que fazem parte do dia das pessoas.

Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.
Longe de atribuir a outrem seu aprisionamento a uma conduta moral transgressora, o Apóstolo, afirma que sua natureza, por completo está contaminada pelo pecado.
Uma força que emana de sua alma interior, subvertendo-lhe a razão, que obstrui sua capacidade de avançar permanentemente em direção à retidão.

Não há poder humano que arranque de nossas entranhas essa disposição da vontade, essa decadência que nos visita e falsamente constrói uma esperança que se desvai  lentamente a cada lumiar de nossa consciência que nos acusa e deslinda uma vida sem qualquer esperança.

Se Deus é um fato religioso – que não é – apenas Ele é capaz de retirar de nossas entranhas o pecado que lá habita.
Se assim não for, a vida continuará um caminho sem esperanças, apenas um tempo anterior  à morte. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As aflições de um padre



In memorian Irmão Anibal Pereira Reis
Manaus, outubro, 2012


Continuava na busca ardorosa de salvação. Padre sincero, tudo fazia nesse propósito.
Desculpe-me, amigo, esta referência muito pessoal. Não fui um padre qualquer.

Ainda seis anos e meio depois de minha saída do sacerdócio. O clero reconhece o meu valor de padre.

Com efeito, o cardeal Agnelo Rossi – único cardeal brasileiro levado para Roma a fim de trabalhar junto do papa – o cardeal Agnelo Rossi, em carta de 21 de novembro de 1971, dirigida ao atual arcebispo de S. Paulo, Sr. Evaristo Arns, destaca o seu reconhecimento pelo meu valor de padre, dizendo: “Como seu antigo professor e observador de suas atividades como seu bispo que fui, reconheço ser ele um dos sacerdotes mais cultos do Brasil. É invejável sua enorme capacidade de trabalho. Inteligente, culto, é, ainda, teimosamente trabalhador.”.

Essa posição de prestígio em nada me favorecia espiritualmente.

Rezava missas todos os dias e a rezava bem. Rezava o breviário diariamente que é obrigação do sacerdote. Fazia minhas devoções aos “santos” e a tantas “nossas senhoras”. 
Administrava os sacramentos. Benzia imagens. Rezava o chamado rosário. E praticava brutais penitências: punha pedrinhas em meus sapatos para que ferissem meus pés e chicoteava minhas costas com um azorrague porque à custa de meu sangue queria merecer a salvação eterna no Céu.

Em Recife criei mais de dois mil órfãos desamparados e protegi centenas de velhos desvalidos.

Tudo inútil. Meu problema não se resolvia.

Ouvi confissões dos meus fiéis. E o confessionário se constituía na minha maior tortura porque o problema dos meus melhores e mais fervorosos fieis era o meu problema.
É verdade! A maioria dos que se dizem católicos nenhuma preocupação tem com o problema de sua salvação eterna. Há, porém, católicos ardorosos, sinceros e torturados na busca dessa bênção.

Aliás, quanto mais fervoroso é o católico mais angustiado, mais torturado é.

Se me fosse dado começar de novo minha vida desde criança, nenhuma questão faria de passar por todas as experiências que passei. Menos o confessionário.

O padre que se converte a Jesus Cristo, sobretudo se exerceu por muitos anos o sacerdócio, carrega marcas inapagáveis. Ele sente a angústia de saber sobre muita gente, que aflita, vai aos confessionários à procura de perdão, sem nunca encontrar.



[Excerto do livro Cristo é assim! Salva até padre!!; 
autor: Dr. Anibal Pereira dos Reis, ex-sacerdote católico romano; pg. 10-11]

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Uma nova ordem mundial: o homem sem humanidade!



E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça. (2 Ts 2:11-12)

O que texto acima chama de “operação do erro” é, na realidade, um quadro de horror, pois nos antecipa uma nova ordem mundial: humanidade sendo incapaz de discernir entre a verdade e a mentira. E o que é mais grave, o homem passará a acreditar e ter prazer na mentira, mais e mais.

Não devemos entender que tal operação acontecerá de forma abrupta, não! Sua manifestação é gradual, está sendo desenvolvida ao longo dos séculos. Mas, podemos afirmar que seus contornos tornaram perceptíveis diante de nossos olhos.

A certeza de seu cumprimento em toda extensão é garantida pois Deus, o Todo-Poderoso, é agente da operação.Percebe-se com clareza que Deus é quem envia, quem determina e realiza essa operação. E ela se dará no profundo do ser, na disposição mental do homem, em seu intelecto.

Deus repetirá em escala mundial algo semelhante  que já realizou no passado, na história humana. Lembremo-nos do reino da Babilônia, na exaltação de Nabucodonosor, quando da sentença do Senhor.

E serás expulso do meio dos homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer. (Dn 4:32)

O relato posterior diz: “Na mesma hora a palavra se cumpriu sobre Nabucodonozor, e foi (1) expulso do meio dos homens, e (2) comia erva como os bois, e o seu (3) corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe (4) cresceu o cabelo como as penas da águia, e as suas unhas como as das aves”. 

Ao rei foi imposta a natureza animal, passou a viver nos campos, comer vegetais e ficar ao relento, viu-se livres dos atributos que garantem aos homens a humanidade, que nos fazem superiores e diferentes dos animais e de toda criação.

O reconhecimento do rei é registrado - confessado - pelo próprio rei: “Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonozor, levantei ao céu os meus olhos, e voltou a mim o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo.(Dn 4:34). 

Reconheceu o rei estivera destituído de sua capacidade de discernir, recuperara seu entendimento - o que lhe conferia a condição humana.  

E é extremamente duro saber que a humanidade tem lentamente experimentado, de certa forma, a “perda de sanidade” vivida por Nabucodonosor. Pois, como ocorreu lá, o homem desta geração está ficando privado de entendimento quanto às questões  fundamentais da vida... a humanidade está perdendo sua humanidade.

E essa é a causa pela qual Deus envia a operação do erro - agravando o declínio da condição humana: "todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça". 
Os homens preferem a mentira à verdade, tem disposto sua energia, depositado sua esperança... nas coisas fúteis dessa vida. 
Cada um se ufana e se engrandece pelo que pensa, pelo que faz, pelo que tem. 

O medo das verdades absolutas acampou-se nas orgias do pensamento moderno; 
Tudo que é moral passou a ser preconceito; 
As Escrituras foram substituídas por um palavrório confuso e ambicioso; 
A fidelidade é agora um ato de fraqueza; 
A desonestidade aproveitando-se de si mesma chama-se de oportunidade;
E o dolo, o engano tornou-se estratégia. 

Perdeu-se completamente a noção da justiça, da honra, do amor.

A vida comum das pessoas serve apenas de contorno do lazer, da embriaguez e das preocupações extemporâneas; a futilidade, o prazer e a beleza concorrem com o oxigênio para sobrevivência do homem não humano. 

O humano que é o ápice da criação, tem rejeitado seu Criador, por apostar no erro e rejeitar a verdade... ou seja, a humanidade está perdendo sua humanidade.

Sinal que o Senhor está às portas!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Deus perdoa?



“Sem contar que Deus perdoa, a justiça perdoa, e no entanto,a sociedade não perdoa”. (Dr. Emilson Brasil, Advogado)
A frase acima faz parte de um contexto a respeito de atos infracionais de menores - aprendi que menores não cometem crime. 

Tudo começou quando meu irmão – primogênito - Jeferson, mostrou-se a favor da aplicação de pena em menores como se adultos fossem. Emilson Brasil, que também é meu irmão, discordou e justificou tendo como fundamento as leis existentes no país. 

Tomou o ECA e garantiu que lá está a solução para o problema: o menor precisa ser assistido pelo Estado, que deve empreender esforços para fazê-lo um cidadão. Houve nova oposição do primogênito e no contexto saiu a frase que encabeça o texto.

É comum ouvir pessoas lançarem o nome de Deus atrelado aos mais diversos conceitos, vícios e personalidades terrenas. 

A frase de meu irmão, mesmo que não tenha intenção, erra porque transfere certa promiscuidade moral para Deus, que ele certamente não possui. Sei que isso decorre do desconhecimento de quem REALMENTE É Deus, mas leva, obrigatoriamente, à banalização do Altíssimo. 

Jamais conheci um ímpio que entenda o perdão de Deus. E sempre que utilizam tal conceito, os ímpios, o fazem de forma que Deus pareça um juiz venal e aturdido, sem os altos padrões de justiça que possui. 

É mister na "sabedoria deste século" acorrentar Deus, trazendo-o para cá em baixo, para terra, transformando-o em refém dos sentimentos e experiências. É padrão de conduta cada um conduzir sua verdade em triunfo, ouvindo apenas a si mesmo, não lhe permitindo falar... perdendo a oportunidade de ouvi-lo. 

O autoconhecimento que as pessoas tem de Deus é uma grande fraude acadêmica e intelectual. Precisa-se conhecê-lo por meio do único texto, sua autorrevelação: As Escrituras. 

Inicio com o questionamento e estranheza de Abraão quanto à possibilidade de Deus destruir indistintamente tanto justos quanto ímpios em Sodoma e Gomorra. 

Ele apela para o caráter justo de Deus:
Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio, de modo que o justo seja como o ímpio; esteja isto longe de ti. Não fará justiça o juiz de toda a terra?” (Gn 18:23-25)

Pelo relacionamento com Deus, Abraão sabia que o Senhor não condenaria o justo como ímpio fosse, tampouco isentaria o ímpio de sua culpa. 
(Entendamos nesse contexto, justo como aquele que não cometeu delito, e ímpio aquele que cometera o delito. Assim, Deus não perdoa aquele que culpado é).

E o caráter justo de Deus é reforçado em outras passagens das Escrituras: “porque não justificarei o ímpio.Ex 23:7) – justificar deve ser entendido como declarar sem delito. 

Um outro texto garante que Deus não PERDOA o culpado: “O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, são abomináveis ao Senhor, tanto um como o outro.” (Pv 17:15)

Em suma aquele que comete o delito deve pagar pelo que fez. Uma pergunta sobrevém: 

Então o perdão seria um ato de injustiça? Segundo a justiça de Deus, SIM, pois, inocentar o culpado é, sim, um ato de injustiça.

Não podem coexistir em um mesmo sistema perdão e justiça. Se temos este, falta-nos aquele. Pois, se alguém transgrediu a Lei é infrator, e deve ser punido de acordo com a Lei. Ou então, não há justiça, não há juiz, nem o princípio da Lei: "que deve ser feita para afastar a conduta que compromete o convívio em sociedade".

A comparação do Estado com Deus ou com  pecadores ESTÁ EM DESACORDO COM AS ESCRITURAS! 

Pergunto novamente: 
Como anunciam os crentes aos quatro cantos do mundo o perdão que Deus dá ao pecador? Como muitos garantem que foram perdoados por Deus, e mais exibem vidas com padrões novos, apresentam-se como se fossem novas pessoas?
Na oferta do “perdão de Deus” está implícito que alguém pagará a dívida do devedor. Deus perdoa por aceitar o pagamento oferecido por alguém que nenhuma dívida tenha para com Deus. 

Deus em sua justiça oferece o perdão pleo fato de Jesus Cristo ter pago em nosso lugar; Não há perdão simplesmente Deus deixando de punir o pecado. 
Assim, o pecador é perdoado porque Cristo pagou com sua vida, morrendo – pagando - no lugar do pecador - E isso foi aceito pelo Juiz.

Assim, Deus, o Justo Juiz, mostra seu amor, sua misericórdia e se mantém justo, aceitando a justiça que Cristo praticou como justo pagamento da dívida daquele que crê - isso é o perdão de Deus. Em nenhuma outra situação há perdão. 

"e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; (Cl 2:14)"