"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As aflições de um padre



In memorian Irmão Anibal Pereira Reis
Manaus, outubro, 2012


Continuava na busca ardorosa de salvação. Padre sincero, tudo fazia nesse propósito.
Desculpe-me, amigo, esta referência muito pessoal. Não fui um padre qualquer.

Ainda seis anos e meio depois de minha saída do sacerdócio. O clero reconhece o meu valor de padre.

Com efeito, o cardeal Agnelo Rossi – único cardeal brasileiro levado para Roma a fim de trabalhar junto do papa – o cardeal Agnelo Rossi, em carta de 21 de novembro de 1971, dirigida ao atual arcebispo de S. Paulo, Sr. Evaristo Arns, destaca o seu reconhecimento pelo meu valor de padre, dizendo: “Como seu antigo professor e observador de suas atividades como seu bispo que fui, reconheço ser ele um dos sacerdotes mais cultos do Brasil. É invejável sua enorme capacidade de trabalho. Inteligente, culto, é, ainda, teimosamente trabalhador.”.

Essa posição de prestígio em nada me favorecia espiritualmente.

Rezava missas todos os dias e a rezava bem. Rezava o breviário diariamente que é obrigação do sacerdote. Fazia minhas devoções aos “santos” e a tantas “nossas senhoras”. 
Administrava os sacramentos. Benzia imagens. Rezava o chamado rosário. E praticava brutais penitências: punha pedrinhas em meus sapatos para que ferissem meus pés e chicoteava minhas costas com um azorrague porque à custa de meu sangue queria merecer a salvação eterna no Céu.

Em Recife criei mais de dois mil órfãos desamparados e protegi centenas de velhos desvalidos.

Tudo inútil. Meu problema não se resolvia.

Ouvi confissões dos meus fiéis. E o confessionário se constituía na minha maior tortura porque o problema dos meus melhores e mais fervorosos fieis era o meu problema.
É verdade! A maioria dos que se dizem católicos nenhuma preocupação tem com o problema de sua salvação eterna. Há, porém, católicos ardorosos, sinceros e torturados na busca dessa bênção.

Aliás, quanto mais fervoroso é o católico mais angustiado, mais torturado é.

Se me fosse dado começar de novo minha vida desde criança, nenhuma questão faria de passar por todas as experiências que passei. Menos o confessionário.

O padre que se converte a Jesus Cristo, sobretudo se exerceu por muitos anos o sacerdócio, carrega marcas inapagáveis. Ele sente a angústia de saber sobre muita gente, que aflita, vai aos confessionários à procura de perdão, sem nunca encontrar.



[Excerto do livro Cristo é assim! Salva até padre!!; 
autor: Dr. Anibal Pereira dos Reis, ex-sacerdote católico romano; pg. 10-11]

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