"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Estupidez em rede (Viva o Facebook!)


Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; e o que cerra os seus lábios é tido por entendido. Provérbios 17:28

Parece uma volúpia que acometeu a todos. Percebi que as pessoas fazem discursos e textos a respeito de Deus sem a  menor noção da sua personalidade e de seu caráter. E o que é pior, regozijam-se entre seus pares como se estivessem mergulhando nas profundas das “certezas divinas”. Contudo, o que se lê é na verdade um sumário de estupidez.

Resolvi assim, escrever esse texto para levar alguns a reflexão, sei porém, que não lograrei êxito diante desses pelos motivos que serão apresentados ao longo deste post.

Que o Senhor seja bondoso com todos nós.

Em primeiro lugar, é necessário saber o que é estupidez. Dentre seus significados mais comuns, a ideia presente é a falta de senso (discernimento) ou seja, incapacidade de compreender ou julgar algo, e mesmo assim se expressar. Tem anda, seus sinônimos menos conhecidos: estultice ou tolice.

Notadamente, a estupidez decorre da falta conhecimento (ignorância), adicionado à perda de humildade (soberba).

Se possível fosse, teríamos uma equação:

Soberba + Ignorância + Expressão = Estupidez.

Essa característica (quase um atributo) é uma manifestação ou reação “consciente” de um ser. Duro, não é?

Como está posto nas Escrituras:
O tolo não tem prazer na sabedoria, mas só em que se manifeste aquilo que agrada o seu coração. Provérbios 18:2

Uma característica dela é sua necessidade de ser pública, não lhe satisfaz a introspecção, precisa de plateia, da ribalta para se realizar.

Apenas para contribuir um pouco mais, ela também encerra o que é enfadonho, tedioso, além de descomedido, exagerado.

Até aqui nada de tão grave, pois todos nós, de certa maneira, somos estúpidos à medida que manifestamos opiniões sobre algo que não entendemos ou que não conhecemos.

O grande problema é quando há contumácia no exercício da estupidez, ou seja, adotá-la como modelo de vida - transformá-la em estratégia em busca de atenção. 

Como o cão torna ao seu vômito, assim o tolo repete a sua estultícia. Provérbios 26:11

O estúpido credita a si ser o fiel depositário de todo conhecimento, e o que é pior, baseando-se apenas em si mesmo (“reflexão” +“discernimento”).

Em uma geração, em que as redes sociais, enganosamente, transformaram a todos em celebridades e sábios, a estupidez encontrou um campo fértil para seu consumo. Há uma retroalimentação entre o ambiente e o conhecimento (a falta dele, claro) que parece não haver limites.

Por exemplo, pessoas opinam sobre direito, sobre política sem formação; pessoas opinam sobre saúde, doença, terapia sem conhecimento adequado, e da mesma forma opinam sobre Deus, livremente.

Acreditam que a simples divagação é suficiente para credenciá-los para emitir sua  opinião.

Vejamos o que nos cerca: o horóscopo - um estupidez que virou "ciência". Uma farsa que tenta estabelecer o futuro das pessoas, o qual pertence ao Senhor.

Outra, é autoajuda que foi transformada em mantra de intimidade e comunhão com Deus. Por meio dela muitos se fizeram super-homens: Conquistam, curam os males, desejam e nada os detém. E afirmam: Eu creio! (a fé é uma porta aberta onde passam todas as fantasias pessoais)

Nas redes há ofertas de bênçãos de Deus entrecortadas de palavrões e convites de duplo sentido, e uma boa dose de cachaça ou cerveja para consagrar ao Senhor. 
Que Deus entrecortado é esse? É a mente estúpida funcionando.

Há uma profusão de textos em que as pessoas determinam seu próprio universo de interesse e “relacionamento” com Deus. Fazendo do Senhor uma marionete à disposição para todo propósito.

Acreditam que, pelo mero exercício de seu “intelecto e ventre”, suas frases são como portais de verdade e sabedoria. Porém, sua finalidade é simples: impressionar e a seus pares. E o que é pior, repetem-na, pois para os tais, o curtir ou responder ou compartilhar representam o louvor e exaltação pessoal.

É útil, por regra, definir que o registro de opinião deve ser feito sobre aquilo que, antecipadamente, se conhece.

Outra sugestão, para falta de conhecimento o questionamento é a melhor conduta e não a assertiva – isso se a soberba permitir.

Em relação a Deus, é necessário conhecê-lo pessoalmente, conhecer sua palavra, para fugir da estupidez, inclusive a religiosa.

Se há um Deus forjado nas entranhas humanas, esse é apenas resultado das aflições e bravatas que povoam a mente dos homens. E que nada pode fazer.

Contudo, o Deus eterno criador, adverte:

A boca do tolo é a sua própria destruição, e os seus lábios um laço para a sua alma. Provérbios 18:7


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Da ilusão à morte



       O Senhor é quem tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a          subir dela (1 Sm 2.6)

É muito estranha a relação que o ímpio (homem que não conhece o Senhor) tem com a morte.

Vive evitando considerar sua incapacidade de enfrentá-la, demovê-la ou mesmo evitá-la. Sabe-a como ela é: seus detalhes e poderes. O temor que a envolve e sua (má) fama e presença não podem ser ocultadas. 

Como não considerá-la? Somente com o uso da estupidez e soberba, pois elas embalam a “razão” dos tolos. 

Para esse homem (que em sua mente, e apenas nela) passou a ser o centro do universo, tratar de uma questão que o faz consciente de sua finitude e miséria está fora de seu elenco de sabedoria e expertise.

A paranoia que o acomete dá-lhe superpoderes (de mentira, lógico) e por eles surgem as mais diversas soluções (tentativas) para fugir do inevitável.

Em sua fala, despeja seus argumentos (muitas vezes copiados do último post, do último sábio) apontando sempre para temas maiores suas vitórias, suas convicções e suas realizações (uma verdadeira força-tarefa dos seus “selfs”) – como se suficientes para tão grande desafio. 

Em sua soberba, infla-se em “infanto-gigantismo” para se mostrar acima das garras da morte. E sua ilusão se realiza e conduz pelas sendas do Facebook, onde a autopromoção e a futilidade lhe garante sua sobrevida.  

De bisturis e agulhas saem fantasias em inchaços com olhos e lábios do Nemo (o peixinho palhaço), que  estranhamente, sugerem que a "juventude comprada" é capaz de refugiá-lo.

A impossibilidade de negá-la força-o a construir uma estratégia de pô-la fora de sua agenda. 

Até quando pensará o homem que é senhor de seu próprio destino e da verdade?

Para manutenção do engano: “Importa-vos renovar”. O frisson da renovação o remete à próxima ilusão, que o alicia: uma nova conquista é necessária para manutenção de seu mundo de mentiras e fanstasias.  

Deus, que conhece os corações, afirma: a morte é a recompensa por sermos humanos na condição que vivemos: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). 

Não há solução humana para tal tragédia.

É sentença de Deus: a natureza, o que nos permite sermos humanos – o que se conhece por vida - foi feita refém da morte. A morte é parte constitucional da vida que está posta. 

Mesmo com a rejeição ao fato, a natureza comprova a verdade divina: a morte é senhora neste mundo - morrem crianças, jovens, velhos adultos; sábios, estultos.

Tudo foi encerrado pela morte: não há saída, nem os sofismas garantem a fuga.

Não será a soberba ou a falácia que livrará desse corpo de morte. Da morte não é possível esquivar-se, está à espreita, ao derredor. 

Sair da soberba, saber-se pó, reconhecendo que só o Senhor é Deus.

É a liberdade oferecida pelo Evangelho, livre da morte e das ilusões, e o começo da vida verdadeira e eterna.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A vida pede recall



 Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. (Mt 11:28)

Vivemos um tempo em que algumas virtudes passaram a ser defeitos, e que o sentido inverso também se tornou realidade, a insensatez e a soberba são brindadas como se méritos fossem... é a vida que encontramos mundo afora.

A ênfase nos resultados a qualquer custo transformou a vida cotidiana em um naufrágio, em que a tábua da salvação está sempre a um palmo de distância. Nada do que se tem promove paz, abranda os clamores da alma. 

Tudo que se propõe permanente, estável é rejeitado pela aflição coletiva.

O presente é abandonado, pela próxima atração, que sempre está por vir. A volatilidade estabeleceu seu senhorio, fazendo com que o presente seja  descartado.

Esse frenesi aniquilou o passado, a verdade está escondida sob o manto do "tempo depois": não há mais verdades permanentes.

A mentira tornou-se estratégia, criando a “a vida sem compromissos”. A ética pulando de galho em galho, é dirigida pelo prazer, pela vanglória.

A sabedoria deixou a nobreza, abandonou a virtude e agora se assenta na roda da desonestidade. Enquanto isso, a infidelidade caiu no gosto geral, e passou a ser usufruto da vida.

É a vida mundo afora com seus valores. O império da aflição imprime suas marcas e todas as coisas não cabem no tempo presente. Aumenta a pressão, aumenta a angústia, aumenta o auto-engano. 

Um estranho ciclo em que o presente é pouco e o amanhã é apenas uma proposta de fuga. O futuro tornou-se uma semântica coletiva, não mais se aplica ao indivíduo.

A despeito de tudo, o homem segue nessa vida, soberbo e insensato, acreditando-se senhor de seu próprio destino.

Pobre homem e sua pobre vida.

A aflição e insegurança enganam as mentes, nenhuma esperança há, resta-lhe apenas a morte.

Não sentido, não há descanso, nem propósitos, apenas a espera do nada. 

O Senhor dará uma nova vida e um novo sentido.