"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Da ilusão à morte



       O Senhor é quem tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a          subir dela (1 Sm 2.6)

É muito estranha a relação que o ímpio (homem que não conhece o Senhor) tem com a morte.

Vive evitando considerar sua incapacidade de enfrentá-la, demovê-la ou mesmo evitá-la. Sabe-a como ela é: seus detalhes e poderes. O temor que a envolve e sua (má) fama e presença não podem ser ocultadas. 

Como não considerá-la? Somente com o uso da estupidez e soberba, pois elas embalam a “razão” dos tolos. 

Para esse homem (que em sua mente, e apenas nela) passou a ser o centro do universo, tratar de uma questão que o faz consciente de sua finitude e miséria está fora de seu elenco de sabedoria e expertise.

A paranoia que o acomete dá-lhe superpoderes (de mentira, lógico) e por eles surgem as mais diversas soluções (tentativas) para fugir do inevitável.

Em sua fala, despeja seus argumentos (muitas vezes copiados do último post, do último sábio) apontando sempre para temas maiores suas vitórias, suas convicções e suas realizações (uma verdadeira força-tarefa dos seus “selfs”) – como se suficientes para tão grande desafio. 

Em sua soberba, infla-se em “infanto-gigantismo” para se mostrar acima das garras da morte. E sua ilusão se realiza e conduz pelas sendas do Facebook, onde a autopromoção e a futilidade lhe garante sua sobrevida.  

De bisturis e agulhas saem fantasias em inchaços com olhos e lábios do Nemo (o peixinho palhaço), que  estranhamente, sugerem que a "juventude comprada" é capaz de refugiá-lo.

A impossibilidade de negá-la força-o a construir uma estratégia de pô-la fora de sua agenda. 

Até quando pensará o homem que é senhor de seu próprio destino e da verdade?

Para manutenção do engano: “Importa-vos renovar”. O frisson da renovação o remete à próxima ilusão, que o alicia: uma nova conquista é necessária para manutenção de seu mundo de mentiras e fanstasias.  

Deus, que conhece os corações, afirma: a morte é a recompensa por sermos humanos na condição que vivemos: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). 

Não há solução humana para tal tragédia.

É sentença de Deus: a natureza, o que nos permite sermos humanos – o que se conhece por vida - foi feita refém da morte. A morte é parte constitucional da vida que está posta. 

Mesmo com a rejeição ao fato, a natureza comprova a verdade divina: a morte é senhora neste mundo - morrem crianças, jovens, velhos adultos; sábios, estultos.

Tudo foi encerrado pela morte: não há saída, nem os sofismas garantem a fuga.

Não será a soberba ou a falácia que livrará desse corpo de morte. Da morte não é possível esquivar-se, está à espreita, ao derredor. 

Sair da soberba, saber-se pó, reconhecendo que só o Senhor é Deus.

É a liberdade oferecida pelo Evangelho, livre da morte e das ilusões, e o começo da vida verdadeira e eterna.

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Em Cristo.