"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ossos dos meus ossos ou a história do amor - Parte 3


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 Manaus, Ago/2014
Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea.

Vimos anteriormente que há uma ditadura da novidade, processo de cauterização das mentes, exigindo a todos uma autonomia surreal: romper com a história, com o tempo. Segundo ela até o momento nada fez sentido, outorgando a todos uma liberdade sem limites, não há fronteiras para satisfazer a vontade humana. O homem, enganosamente e forçadamente, sente-se senhor de seu próprio destino.

Essa dinâmica asfixiou a realidade, mudou os conceitos, os valores e isso atingiu o amor, que, travestido de instinto, é o chavão para satisfazer todo tipo de interesse e vocação.

Posto está um cenário de instabilidade, onde tudo está sendo revisto, reinventado, e o amor é um na categoria dos sentimentos humanos. 

É preciso afirmar que o amor não é uma oportunidade na vida, mas uma forma de viver.

O resgate do verdadeiro amor, por ter sua fonte em Deus, depende exclusivamente de conhecê-Lo, pois só assim podemos conhecer e viver o amor. Sem o que o amor é apenas uma semântica esteriotipada.

Este texto relata a primeira experiência humana do amor

Na leitura do Genêsis  (cap. 2.18-25), vemos que o Senhor, para nosso ensino, após passar toda a criação frente ao homem, diz: "Está incompleta". Deus ao contempla-la, percebe-a imperfeita. Faltava-lhe algo além do querer, sentir ou saber do homem. 

Não fora encontrada uma companheira (literalmente, que ficasse perto) para o homem!

Há questionamento em Deus: 
Como poderá o homem viver sem que Eu lhe promova seu melhor bem? 
A quem as estrelas do céu e a luz do luar iluminarão? 
A quem as águas banharão? 
A quem os olhos do macho poderiam contemplar e encher-se de carinho e afeição?
A imensidão celeste precisava contemplar o amor de Deus.

Sim, toda a criação ansiava a manifestação do amor do Criador.

Para Deus a beleza e perfeição do cenário não poderiam aconchegar apenas o homem com seu saber, com seu poder... mas em solidão.

O que poderia Deus inserir na esfera criada que completasse a beleza necessária e diferente de tudo que existia extirpasse a solidão de Adão?

O que o amor de Deus faria em favor do homem?  - O amor se cumpre pelo bem ao outro, pois não visa seus próprios interesses!

Deus, até então ocultara, para encanto e formosura da criação, manifesta todo seu amor ao homem dando-lhe a mulher

agora o homem ao contemplar o entardecer poderia vê-lo em igual beleza na mulher; as curvas e sombras das mais belas montanhas, também estaria na mulher. Toda a beleza de além das estrelas, do sol, do mar correspondiam naquela que Deus lhe trouxe. 

Para  homem, para o universo a mulher é a primeira expressão do amor de Deus.

Revoadas de pássaros tomam os céus glorificando o Criador, os sonidos de todas as harmonias tributam honra ao Senhor, as testemunhas celestes embevecidas contemplam aquela que encerra e aperfeiçoa a criação... eis aqui a mulher.

Adão percebe-se diante da prova de seu amor , o que Deus lhe fez. Não há em Adão conquistas, não há vanglórias, não há sugestões, nada além do amor, do amor de Deus.

Adão balbucia o amor: Osso dos meus ossos, carne de minha carne, será minha, pois de mim foi tomada.

Percebeu Adão o primeiro ato de amor... a mulher, a quem deveria proteger, amar e compartilhar seu ser.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ossos dos meus ossos ou a história do amor - Parte 2



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1Co 12:31 Ademais, eu vos mostrarei um caminho sobremodo excelente.

Em busca de respostas
O amor, como sabê-lo?  Como vivê-lo? O cuidado com essas resposta separa os sábios dos tolos. O simplismo, a soberba ou comodismo intelectual, tem permitido às pessoas conclusões infantis e perigosas a respeito de questões fundamentais da vida.

Como já exposto anteriormente, as orientações demandadas pela razão tem sugerido criar tudo a partir do zero, na tentativa de desconectar o homem moderno da história e do pensamento. 

O amor e questionamentos em torno dele estão associados a esse contexto, a essa forma de "pensar". É perigoso e inócuo tentar descortiná-los apoiando-se apenas na validação da experiência pessoal - pseudo conhecimento - ou na pena dos poetas e inquiridores do presente século.

Devemos esquadrinhar as possibilidades que envolvem o amor, devemos esculpi-lo em busca de sua verdadeira dimensão e natureza - que não está em nós.

A eternidade do amor
Antes de penetrarmos na natureza do amor, é necessário que o coloquemos na dimensão do tempo, tentarmos indicar seu princípio, sua fonte. E inicio nas profundezas do Velho Testamento onde um homem - O profeta Jeremias - registrou:

"Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí". (cap. 31; v. 3).
A partir do texto observamos que ao manifestar seu amor, o próprio Deus, oferece-nos um atributo do amor, a eternidade. Isto posto, nos garante que o amor é anterior a existência do tempo, do homem, da desventura, da morte.

A fonte do amor
De fato o amor NÃO tem origem no coração do homem. E isso é coerente com a reflexão e experiências humanas. Acredito que uma mente sã, concordará que não constituímos o que somos. A estrutura que nos constitui tem sua origem fora dessa dimensão conhecida. 

Mesmo sem sabermos os detalhes fundamentais do amor, sentimo-nos movidos por uma disposição bondosa em relação a outras pessoas sem identificarmos como surgiu ou de onde surgiu. 

Poder-se-ia perguntar: "isso" não seria intrínseco ao homem? Intrínseco não significa procedente. Intrínseco quer dizer que está ali, não obrigatoriamente que nasceu dali. Tome por exemplo a água que temos em nosso organismo, é-nos intrínseca, mas dela não somos a fonte.

O amor não procede de nós mesmos, muito menos dessa dimensão que apalpamos, não saiu das entranhas humanas. Antes que todos nós existíssemos, o amor é, motivo suficiente para se reconhecer que o amor obriga-nos a abandonar suposições, conceitos e convicções a seu respeito.
Nenhuma fonte natural externa ou interna propiciará o conhecimento verdadeiro do amor. 

A natureza do amor
Nada que herdamos ou pensamos conduz-nos a conhecer o amor. 

Retorno ao questionamento, como sabê-lo? As respostas estão apenas em Deus, sua fonte, e convenhamos, fora da categoria dos humanos, do mundo natural. 

E Deus confirma ao falar sobre o amor como um bem cuja natureza transcende ao que poderíamos chamar de "made in" homem. Pelo contrário, o amor é fruto do próprio Deus. Leiamos:

"Mas o fruto do Espírito é amor..." (Gl 5.22).

É estupidez atribuirmos o amor à "produção independente" de qualquer um de nós. O amor não é, como pensam, uma oportunidade na vida, mas uma forma de vida.

Concluo que amor não provém de nossa "grade" natural, não existe dentro da experiência humana, pelo contrário, sem a intervenção e concessão de Deus não há como sabê-lo, nem experimentá-lo, vivê-lo.  


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Ossos dos meus ossos ou a história do amor – Parte I

1Co 12:31 Ademais, eu vos mostrarei um caminho sobremodo excelente.

O poder das mudanças
Não acredito na evolução como teoria para explicar a vida. Mas, acredito e adoto aqui o termo para conceituar a ideia de um “movimento para diante”, sob o qual tudo está submetido, seguindo em direção do amanhã. A isso chamo de evolução, uma força esmagadora e indomável que se impõe a todos.

De certa forma, por ser geral, promove grandes transformações em nosso derredor. Os processos que envolvem a vida são alterados - aos ímpios não lhes é dado identificar  sua autoria, mas tudo flui passivamente e ordeiramente sob esta "ordem".

A  perda do sentido
Como resultado em tudo há prazo de validade: os conceitos, as preferências, a cultura, a vida de forma geral – pasmem, até para o amor! 
Se bom ou ruim, dois ou três pelotões digladiam-se, sem vencedores ou vencidos. 

A essa dinâmica faz afirmar que o “ontem” representa o errado ou incompleto, ficando contido no “amanhã” a solução de todas as coisas. Por conseguinte, o presente, a vida em que fincamos os pés, passou a ser uma estágio entre um passado nulo, e o futuro - que um dia dia será passado - a ser cancelado. Ou seja, o que vivemos flutua entre duas nulidades! Por que não estaria também o presente encerrado na masmorra da nulidade?!

Não há esperança com base no que foi vivido ou experimentado, não há verdade permanente, o que nos leva ao desespero pior: nada é seguro, tudo é uma gande mentira. Prazer e conforto são benefícios da ignorância secular ou da tolice gnóstica. 

O pensamento deve ser conduzido sob os auspícios da desesperança. O ativismo faz com que tudo seja incompleto. 

A liberdade sem a realidade
Sobre - ou sob? - tal reino a criatura para encontrar sentido à vida deve ousar, singrar mares sobre o lombo do  monstro chamado liberdade de opinião – desconectado da história, sair em busca de uma razão para viver, enfrentar a esperança que dura até o entardecer.  

Não me surpreende pessoas darem suas vidas em escaladas, em saltos para morte, em desgastes além do humano, dos tóxicos e demais frentes na busca do sentido da vida.  

Em uma esquina deste turbilhão, os sentidos das palavras tornaram-se as primeiras vítimas para legitimar a loucura global. Tanto a criação de novos termos, quanto o sentido aos velhos afiguram-se a tarados convivendo com seminaristas, sem escrúpulos ou regras, apenas determinados pela ânsia de seus instintos. 

Assim, sofrem os textos (tanto para serem criados, quanto para serem lidos), sofrem as ideias, perdem-se os sentidos. Tal imperativo condena o passado escrito e pensado dando-lhe um novo sentido - reinterpretado ou revisto. Conclui-se com razoável soberba, que seus autores estavam errados em suas observações e interpretações. E a espiral continuará com novos observadores a questionar os atuais, e por aí irão. Isso faz da verdade um frágil fio e a opinião pesoal um verdugo com tesoura na mão... sempre vitoriosa. 

De todas as direções surgem arautos ávidos em indicar uma nova forma de pensar, de fazer, de viver (o ópio da novidade). É a evolução em processo, que forma ou deforma a mente dos indivíduos. Não há escrúpulos ou regras. 

Dessa saga não escapam os conceitos e valores bíblicos. Pergunte às pessoas, em especial as religiosas, sobre o amor. As respostas serão de confusas até às absurdas. Será impossível estabelecer um conceito único. Resta-nos a fusão de opiniões, de naturezas e propósitos, para vivermos como dicionários: apresentando várias opções possíveis. 

A ditadura do "EU"
Absurdamente o objeto passou a ser escravo de seu observador. É o observador que estabelece quem é o objeto... É a natureza a serviço da divagação humana.  

Nesta trama perdeu-se o conceito do amor, não se sabe o que é o amor. Se o amor fosse de humana procedência, seria fácil transfigurá-lo a partir da experiência pessoal, do gosto individual ou de um gueto.  Mas, o amor não provém do intelecto, sentimento ou da vontade humana.

Não há verdade se adotarmos as regras mentais desse presente século. De onde poderemos trazer valores que sejam por si mesmos verdadeiros, e assim, permanentes? Do criador. 

Há uma saída?
É preciso resgatar os conceitos bíblicos? Acredito que sim. 

É possível fazê-lo? Tenho certeza que não. 

Por que escrever? Empreender uma caminhada pelas sendas da verdade, e o prazer de validar comigo mesmo quão contaminado posso estar e encontrar meus pares (ou não!). 

Nos veremos nos próximos textos.