"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Soberania e responsabilidade: Conciliação


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Eduardo, bom dia.

Em resposta ao teu questionamento, como conciliar o controle a soberania e a predestinação dos acontecimentos com a responsabilidade dos homens, dos seus atos, faço algumas considerações, mesmo que resumidamente,  espero que o nome do Senhor seja engrandecido e que possa te ser útil.

QUANTO À CONCILIAÇÃO DAS VERDADES BÍBLICAS

O que precisamos saber
Devemos asseverar a existência do conflito: soberania divina e responsabilidade humana.  A questão não decorre de imaturidade do leitor, ou de outro agente externo, mas sim, de uma realidade da verdade revelada de Deus.

Gostaria de afirmar da minha incapacidade em conciliar tais verdades.  Decerto, nem tentaria, ao preço de caminhar nas sendas do Humanismo Teológico. Pois, esse, impondo a soberania da razão à revelação destrói conflitos e grandezas próprios da palavra de Deus – que está além da compreensão humana.  

A oferta de soberania de Deus sem responsabilidade humana, ou da responsabilidade humana sem soberania divina não tem sua origem em Deus, conforme está escrito:
“Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. (Tg 3:15)”
Uma definição conceitual é proposta de forma a garantir que ambas as verdades sejam mantidas e se expressem conforme presente nas Escrituras, o Paradoxo. Ou seja, as Escrituras contêm claros conceitos que “achamos que sejam excludentes ou contraditórios entre si,” ambos devem ser ensinados e cridos por serem partes inquestionáveis da verdade de Deus. Como diz Hoekema:
“Nem parece possível harmonizar estes dois pensamentos aparentemente contraditórios: Deus é totalmente soberano sobre nossas vidas, dirigindo-nos segundo sua vontade, e que, entretanto, seja requerido de nós que façamos nossa própria decisão, sendo totalmente responsabilizados por ela.” (Salvos pela graça, pag. 11).

O que precisamos fazer
O que é cristão e santo é perseguirmos o que as Escrituras dizem a respeito de ambas verdades e nelas crermos, sem que uma exclua a outra. Presente tais verdades, resta-nos reconhecê-las como tais. Acredito ser adequado à nossa vocação submetermo-nos às Escrituras. 

Iniciemos com o texto a seguir:
“De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”. (Fp 2:12-13)
 A ideia geral do verso é orientar a respeito da conduta cristã. A frase “Efetuai a vossa salvação” garante que a forma como vivemos é responsabilidade de cada um salvo.  

Enquanto o texto “Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuarsegundo a sua boa vontade” fala claramente que Deus em sua  soberania é quem move a vontade e a ação humana.

 Coexistem, portanto,  na mesma instrução, para um mesmo propósito, sem que uma verdade negue a outra: responsabilidade humana e soberania de Deus.
“Criar soluções pessoais” que neguem ou alterarem o que é claro nas Escrituras não convém aos santos.

A responsabilidade humana e soberania divina coexistem em um mesmo sistema, fazendo parte de uma única verdade.  Ao afirmarmos uma não necessitamos negar a outra. Não precisamos, não podemos conciliá-las, posto que inconciliáveis. Decerto, que nossa incapacidade não pode transformar uma em verdade e outra em mentira.

Mesmo que não entendamos, que não saibamos, de alguma forma ambas são conciliadas na mente de Deus. Não devemos pecar contra o  Senhor lançando-nos como seu conselheiro, melhorando seus pensamentos e sua palavra. Pois, nos é proibido:
“Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”. (Is 55:9)
“Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro?” (Rm 11:3) 
Suficiente apenas mantermos a humildade para reconhecermos nossa incapacidade em conciliá-las, e afirmarmos que ambas são verdades de Deus úteis para nossa santidade.

Negá-las em qualquer sentido, faz Deus mentiroso, e sugere que a verdade está em nós.

A astúcia de satanás induzirá a afirmar que “isso se dá apenas após salvos, antes não”.

Passemos então, para outros textos das Escrituras em que, lado a lado, estão a responsabilidade nos atos humanos e a soberania nos atos de Deus.

Ao que precisamos nos submeter 
Grande parte do corpo das verdades bíblicas apresenta Deus soberano em seus atos. Lemos sobre o direito (soberania) de Deus em destinar tudo conforme seu querer, sem que o homem – qualquer um - possa contestá-lo ou detê-lo.

“E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4:35)

Outro texto garante que Deus é o Senhor do destino de todos os homens. A ilustração do poder do oleiro (Deus) sobre o barro (os homens) para destiná-los ao que sua vontade santa definir: uso honroso e uso desonroso, mostra sua soberania sobre todos.

“Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso?” (Rm 9:21)

Há muito mais do que Deus, mas acredito na suficiência destes para nosso propósito.  

A pregação
As advertências contra o pecado na mensagem bíblica evidenciam a responsabilidade humana diante de Deus. A pregação feita por Pedro, sob determinado aspecto, enfatiza a responsabilidade moral dos homens. Caso contrário, a pregação seria uma grande mentira. Advertir pessoas que não são responsáveis como se responsáveis fossem, seria o mesmo que lançar palavras ao vento.

O questionamento daqueles homens – “Que faremos, irmãos?” só tem sentido por serem eles responsáveis diante de Deus (seus atos, consciência etc.)

A resposta do apóstolo – “Arrependei-vos” - deixa claro que o homem é responsável por seus atos e precisa fazer escolhas morais.

“E, ouvindo eles isto [a pregação de Pedro], compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?  Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, ..”. (At 2:37-38)

As parábolas do Senhor

Na parábola do joio e do trigo, fica claro que o Senhor fala sobre homens, embora sementes. Há distinção entre seus frutos, o que faz o homem responsável por si (natureza, atos etc.). De outra forma não poderíamos entendê-la:
“Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro”.(Mt 13:30)
O juízo de Deus (soberania na aplicação de sua justiça) tem por base as características intrínsecas (responsabilidade humana) das sementes semeadas. Uma para utilidade, outra para queima.

A sentença
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna”. (Gl 6:7,8)
O texto acima utiliza o termo semear para falar de conduta, enquanto que ceifará se trata de juízo. Convém-nos afirmar a responsabilidade humana ao lado da soberania de Deus, duas verdades que caminham juntas nas Sagradas Letras.

O que precisamos concluir 
Estão postas duas verdades nas Escrituras, lado a lado, a ideia de resumi-las (excluindo uma ou outra) em um sistema fechado e validado apenas pela razão humana,  traz poluição para o entendimento e impossibilita a percepção da suficiência das Escrituras; do caráter e da bondade de Deus, de Sua graça e, mais, negligencia a natureza de pecado do homem, e constrói uma base falsa para santificação e serviço.  

Reconheço haver pontos doutrinários (Escatologia, Eclesiologia, etc.) em que ensinos permitem – mesmo que temporariamente - com mais de uma posição possível. Entretanto, especificamente a respeito da doutrina de salvação, qualquer  ensino que negue o poder de Deus ou a responsabilidade humana é oriunda do próprio satanás.

Suficiente apenas mantermos a humildade para reconhecermos nossa incapacidade em conciliá-las, e afirmarmos que ambas são verdades de Deus úteis para nossa santificação.

Fico à disposição do irmão para questionamentos e dúvidas.

Que o Senhor seja engrandecido.


Paulo Brasil

3 comentários:

  1. Obrigado pela resposta Pastor!
    Muito bem esplanado e esclarecido! :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nossa gartidão pelo privilégio de podermos falar das grandezas do Senhor.

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  2. Parabéns pelo Blog. Deus ti abençoe.
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1. Seus comentários e refutações são bem vindos.
2. Por favor, faça-os sempre com base nas Escrituras, caso contrário, são opiniões pessoais, com pouco valor
3. Não modero cometários, seu temor ao Senhor deve sê-lo
As ofensas pessoais podem ser substituídas por refutações, ajudariam a todos que passam por aqui.

Em Cristo.