"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A astúcia de satanás em Lucas 16 - Lázaro e o rico



Após a visita a alguns sites, percebi que o conteúdo do texto (Lc 16.19-31) estava sendo apresentado de forma a negar ou fatiar o ensino ali presente. Utiliza-se de um sofisma perigoso na “oferta” das palavras que o Senhor tinha em mente quando as citou.

Há uma discussão sobre se parábola ou não, e colocam isso acima do conteúdo presente no texto.

Alguns utilizando do conceito perícope garantem ser uma parábola. Dando ao “delimitador da perícope” a autoridade divina de estabelecer que o texto é. Se o ‘delimitador” colocou o texto em meio ao grupo das parábolas, parábola é. Com isso, acreditam, “garantem a exclusividade” a respeito do conteúdo e propósito das palavras do Senhor. Retirando de lá o que lhes interessa e o restante passa a ser desnecessário ou fora de propósito - antibíblico.

Há um grande esforço para não aceitarem o que é dito no texto. A tentativa é de afirmar que não há consciência após a morte ou garantir que não há punição eterna. Deixam de lado a literalidade do texto, para evitar incômodos doutrinários. Ou seja, forjam as Escrituras para encontrar aquilo que a mente e o coração “anelam”. Buscam um “princípio” que subjaz ao texto para dar sentido ao texto. Reconheço que tais abordagens são lícitas, mas para usá-las devemos descartar qualquer possibilidade de literalidade do texto.

Parábola ou não, a proposta é negar a existência de vida - e sofrimento - consciente após a morte. Alguns defensores acreditam que atribuindo ao texto o caráter de  parábola, equivocadamente, excluem do texto QUALQUER possibilidade de ensino sobre o tema.

A seguir alguns argumentos apresentados por pessoas que visam garantir a impossibilidade do texto ensinar sobre vida consciente após a morte.

O Céu e o inferno se encontram suficientemente próximos para permitir uma conversa entre os habitantes de ambos os lugares (versos 23-31).
O texto não fala sobre céu e inferno. E sim, sobre um local para onde vão os mortos. Quanto a distancia, nada se pode afirmar em contrário. Pois, não temos outras informações que contradigam essa interpretação.

É preciso acreditar também na vida após a morte, enquanto o corpo jaz na sepultura, continua existindo de forma consciente uma espécie de alma espiritual que possui “olhos”, “dedo” e “língua”, e que inclusive sentir sede (vv 23 e 24).
Sim, devemos acreditar que há vida consciente entre a morte e a ressurreição – estado intermediário. Moisés e Elias estiveram com o Senhor. E é muito provável que Samuel tenha estado com Saul. O apóstolo Paulo em Fp 1:22-23 diz: “Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor”. Percebem que o “viver na carne” é um paralelo de estar com Cristo... que é ainda melhor”. Não faz sentido estar com Cristo “dormindo, inconsciente” ser melhor. E ainda em 2 Co 5.8 sobre a confiança de deixar o corpo e “habitar” com o Senhor.
         
O Céu certamente não seria um lugar de alegria e de felicidade, pois os salvos poderiam acompanhar de perto os infindáveis sofrimentos de seus entes queridos que se perderam e até mesmo dialogar com eles (versos 23-31). 
Esse é um pressuposto infantil e, novamente os defensores “colocam” o céu no texto sem que ele esteja lá. Ademais, desdenham de Deus (Lc 18.27). Na ressurreição, quando no céu estivermos, vendo ou não nossos amados que partiram sem Cristo, lembraremos deles. E Deus É QUEM GARANTE que lá não haverá choro, nem morte, estando perto ou não das pessoas que amamos e rejeitaram nosso Salvador.

Os fatos descritos na passagem são deixados de lado: vida, escolhas, morte, sepultamento, juízo, dor, chamas, verdade. E oferecem a exclusividade de uma mensagem para judeus ricos, pois, esses depositavam sua confiança no dinheiro - que está de acordo com outras passagens das Escrituras. Não nego tal possibilidade, rejeito, entretanto, sua exclusividade. E, principalmente, por recorrer a argumentos tão pobres para refutar os demais ensinos da passagem.

Se o Senhor desejasse apenas ensinar a respeito do perigo das riquezas, poderia ter encerrado sua mensagem no v. 23 com o seguinte texto: "mas no hades estava em tormentos".  

Outra questão é que há no texto um fato a ser considerado: Se o “Abraão” é o personagem bíblico, conforme tudo indica (v. 24). Há uma historicidade inegável. Quando falo da historicidade, falo de espaço e tempo reais. E Jesus afirma que Abraão manteve o diálogo com o home sem nome - o rico. Se concluirmos que isso não ocorreu, isso não é uma estória - parábola, MAS SIM UMA MENTIRA PROFERIDA PELO SENHOR.

Isto sim está completamente em desacordo com as Escrituras.

Quem de entre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, porque não credes? (Jo 8:46. comp. HB 4.15)

O que podemos aprender é que pessoas, em suas ilusões espirituais - conduzidas por sua própria carne, buscam nas Escrituras legitimar suas “orientações” de forma a satisfazer seus anseios e aflições religiosos.

Apenas Deus poderá, em sua infinita misericórdia e bondade, livrar essas das garras de satanás. 

7 comentários:

  1. A respeito da distância, acho válido considerar o versículo 23, onde diz que o homem sem nome viu AO LONGE Abraão. Acredito que possa ser uma informação contradizente aos que acham "céu e inferno" suficientemente próximos para um diálogo.
    Estarei orando sempre pelo senhor, amado pastor. Em dias de tanta apostasia é confortante poder ler a respeito das escrituras de forma autêntica e crítica em relação ao "evangelho" barato que se vende atualmente.
    Ore por nós!

    Em Cristo,

    Leonardo Marques

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    1. Certamente, longe ou perto viu o homem em danação o filho de Abraão no seu seio (Prefiguração das. Ou benesses do Céu...) Porem àquele, certamente não o viu. Mas "talvez", Abraão "pudesse" ouvi-lo gemer, sim! Lá nas profundas do Inferno. Pelo menos é este o único exemplo bíblico de alguém pedir "parabologicamente" a ajuda dum Santo de Deus para tirá-lo do Inferno.
      Mas mesmo que tivesse vivo, esse tal iria para o mesmo lugar, o Inferno. A menos que aceitasse a Jesus como seu Salvador e Senhor pessoal. Senão, nem Abraão, o maior Santo de Deus o tiraria de lá. Abraão foi claro. Claríssimo ao dizer dentre outras palavras: Não podemos passar para esse lado, nem você passar para este. E que os católicos se manquem das mentiradas dos padres. Senão...

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    2. Amado muito obrigado pela visita e comentário.
      Na verdade, há alguns pontos a serem considerados no texto:

      1. O texto diz que avistou de longe, portanto, há garantia de contato visual;
      2. Não há dúvida quanto a ouvirem um ao outro;
      3. O texto original não diz que ele está no inferno - algumas traduções "entendem" que é o inferno;
      4. O homem sem nome não pede para sair de onde está, mas sim por refrigério;

      que o Senhor seja bondoso conosco.

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  2. Obrigado irmão pelo comentário e pelas orações.
    Que o Senhor nos guarde.

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  3. Toda parábola de Jesus. E até as demais. Tem como fito ensinar "indiretamente" acerca de algo direto, explícito ou radical. É uma forma poética de levar o ouvinte às paragens ainda intocadas da sensibilidade plena. Acontece que falsear a teologia é a praxe àqueles que preferem ir para o Inferno para agradar as doutrinas internas ou específicas da sua Denominação, a ir para o Céu cedendo total obediência a Palavra de Deus. Seja, estes pegam do exemplo dado, que geralmente é "Relativo". Então relativizam, igualmente daquilo que o exemplo quisera absolutizar... Ou seja, transparece que estas pessoas estão mui bem determinadas a desmentir o Próprio Jesus. Sim! Preferem ouvir "Salomão" o homem mais sábio da Terra. Mas será que Salomão de fato negou os tormentos e a existência do Inferno? Debalde! Mas mesmo que fizesse seria por ignorância. Afinal disse Jesus: "e eis aqui quem é maior que Salomão".

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    1. Amado se é uma parábola os fatos descritos não são reais - históricos.
      E Abraão não manteve esse contato e tudo é apenas uma alegoria... e Jesus ao citar o nome de Abraão como se ele tivesse falado e vivido essa experiência, sem tê-la vivido, Jesus estava mentindo.

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  4. Obrigado pela visita e comentários.

    Há duas questões importantes a serem consideradas:
    1. O texto descreve um fato ou uma suposição?
    2. Todo o ensino deve ser considerado ou retirar dele apenas até certo ponto?

    As respostas definem a questão.

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1. Seus comentários e refutações são bem vindos.
2. Por favor, faça-os sempre com base nas Escrituras, caso contrário, são opiniões pessoais, com pouco valor
3. Não modero cometários, seu temor ao Senhor deve sê-lo
As ofensas pessoais podem ser substituídas por refutações, ajudariam a todos que passam por aqui.

Em Cristo.