"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Onde estamos? Ou melhor, a quem servimos?


O dia a dia tem imposto sobre nós momentos de reflexões, dúvidas e mudanças; e consultamos nosso coração para estabelecer os próximos passos. 

Conscientemente ou não, o contexto, as amizades, nossas responsabilidades têm exercido grande influência sobre como pensamos e, consequentemente, na nossa forma de viver. Quem somos, o que queremos ser e como devemos viver tem se adequado aos costumes e regras sociais e nossa manutenção na zona de conforto. 

Percebo quando conhecemos uma nova pessoa, um “irmão ou não”. Ficamos divididos entre a “omissão conciliadora” ou “honestidade separadora”. E o que fazer em tal situação? Falamos sobre a ‘nossa religião” ou sobre as últimas, sobre o pôr do sol – ou qualquer outra inutilidade? Temos optado pela preservação do “bom relacionamento”. Temos nos inclinado a ouvir o nosso coração e ao mundo. Como se não tivesse Deus nos alertado e orientado sobre todas as coisas.

Mas ao abrirmos as Escrituras, lemos as cartas que o Senhor nos deixou como guia e alerta, e é o que lemos.
O qual [Jesus] se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, Ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém. (Gl 1:4-5)

Nesta uma breve oração somos informados que Jesus morreu para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, e a Ele a glória. Essa é uma grande informação, o Senhor quer que nos livremos de nossas inclinações, do nosso coração.

Mesmo que haja uma explanação mais detalhada do Evangelho nos capítulos posteriores, interessa-nos saber que existe apenas um único e autêntico evangelho. Cuja verdade está na morte substitutiva do Senhor com o propósito de nos livrar do presente século mau. Assim, a morte de Cristo e o livramento do presente século mau – abrir mão do próprio coração - são verdades inseparáveis do Evangelho – são fundamento e propósito. Isso coloca nossa “forma de viver” em oposição ao Evangelho.

Quando abruptamente somos surpreendidos e acusados, vv. 6 a 9: passamos para “outro evangelho”. 

Esqueçamos os crentes da Galácia, leiamos por quatro vezes, há uma grave acusação contra nós: passamos para “outro evangelho” - o evangelho da conciliação social, do acerto secular.

Contrariamente a esta posição, todos nós, certamente, acreditamos que ensinamos e vivemos o evangelho que o Senhor, por intermédio de Paulo, deixou em suas sagradas letras. Nenhum de nós acha que passou para “outro evangelho”. E sempre que lemos tal acusação, dela nos escusamos, apontando nosso dedo em direção a qualquer um outro, nunca nos colocamos como reus.

Acredito que precisamos nos incluir entre aqueles que passaram para o “outro evangelho”, ou de certa forma, invalidaremos ou tornaremos vazia, a acusação feita pelo Senhor. Oportunamente manteremos exclusivamente os gálatas presos à acusação.

As Escrituras ensinam que o “outro evangelho” não leva em conta, ou pouco se importa com a defesa de uma verdade única, por outro lado, nosso coração oferece-nos a tolerância necessária para nos manter e também nossos pares em zona de conforto.

Mas, há um detalhe que integra o evangelho e não integra o “outro evangelho”, sendo bem claro na carta: a confrontação - como método de exposição. 

Paulo, ao defender a verdade do Evangelho, confronta Pedro, confronta a Igreja, confronta irmão, confronta judeu, confronta gentio, discorda do propósito da Lei e, assim, se opõe a tudo e a todos que vivem um “outro evangelho”. Parece-nos bem associar o verdadeiro Evangelho à prática de sua defesa, não apenas a convicções interiores.

Onde estamos? Ou melhor, a quem servimos?

Não devemos subestimar a dificuldade de retornar ao Evangelho do Senhor. Reconhecer que passamos para um “outro evangelho” exigirá mais do que nosso coração é capaz de admitir. 

E novamente lemos:
Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. (Gl 1:10)

domingo, 21 de agosto de 2016

O pecado enganando o pecado.


Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente ímpio; quem o poderá conhecer? (Jr 17:9)

Sem dúvida, é possível perceber que estamos fazendo profunda alterações na verdade que o Senhor nos deixou. O termo “estamos” expressa minha convicção que nenhum de nós se encontra fora dessas influências, e que de certa forma, muitos de entre nós, se desviam do combate às “novas verdades”.  

Enganamo-nos em não perceber que a consolidação dessa nova era, passa obrigatoriamente pela revisão de conceitos das verdades bíblicas. A perda e desvio das verdades, levam à construção de novas cosmovisões que conduzem o mundo... e a Igreja do Senhor.

Uma das grandes mudanças impostas à verdade revelada relaciona-se ao pecado. A sabedoria secular estabeleceu-se em meio ao arraial do Senhor. As advertências feitas ao povo de Israel (Os 4.1-6) servem para cada um de nós. Substituímos as verdades do Senhor pelas verdades de plantão.

Tomemos o que as Escrituras afirmam sobre o pecado. Em linhas gerais, o pecado é uma disposição interior e inalienável à nossa natureza. Ou seja, o humano que conhecemos – e somos – tem em sua natureza infundido o pecado – por isso, interior, por isso, inalienável. Tal realidade nos faz adversários e excluídos da realidade divina. Assim, nossa natureza-pecado fez-nos opositores e incapazes de Deus – Seu ser, sua verdade, seu poder, sua justiça.

A negligência no ensino dessa cruel realidade impossibilita o homem a compreender e conhecer a si próprio, suas reais possibilidades, sua incapacidade e, por outro lado, alheio a Deus, desconhece sua real necessidade e dependência dELE.

Mas, temos percebido que o desvio tem oferecido o pecado travestido por facetas brandas e exteriores não fornecendo ao homem a gravidade de seu estado.

Precisamos advertir:
O pecado não pode ser confundido com uma condição religiosa resolvida por mantras sacramentais, por aspersão ou imersão ou qualquer outra solução litúrgica. Muito menos pela dedicação ou guarda religiosa dos sábados, votos, cerimônias. Mesmo que empreendam os mais rigorosos ritos, o pecado continuará, lá no profundo do coração humano, mantendo-o longe do Senhor.

O pecado não é a restrição de desenvolvimento social ou científico. O sábio passará sua vida inteira a pensar e considerar seu conhecimento ou sua bondade, mas lá estará o pecado à sua espreita. E nada que faça o conduzirá ao Senhor.

Comete-se um grande erro em conduzir o pecado em uma outra direção, diminuí-lo em sua profundidade e perversidade.

Deus para livrar o homem de seu pecado não propôs rituais, sábados, conhecimento ou tecnologia, Deus ofereceu-nos a esperança de uma nova natureza.

Na morte de Seu Filho puniu o pecado; em Sua ressurreição trouxe outra natureza, e esta, livre do pecado. O fim do pecado se dá pela destruição da natureza humana que herdamos.

A morte do criador e senhor de todas as coisas, em sua dimensão pedagógica, se apresenta como contraste para aprendermos a gravidade do pecado.

A quem falarei e testemunharei, para que ouça? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela. (Jr 6:10)

Grande é o Senhor. 

sábado, 6 de agosto de 2016

Abraão era amilenista


Ao ouvir que estamos em pleno milênio somos forçados a enfrentar algumas questões a respeito do plano de Deus para a humanidade, sei que não é simples enfrentar ou questionar pressupostos doutrinários.

Quando o assunto é Escatologia, deve-se considerar que há muita dificuldade espreitando-nos. Contudo, mesmo escondidos, existem os esquisitos junto ao burburinho acadêmico. E entre esses, sem dúvidas, está o método aplicado para obtenção da verdade divina - a Hermenêutica.

E parece que foi criada UM especialmente para garantir os pressupostos amilenistas.

Tal método funciona da seguinte forma: Tomemos o texto “Não ficará pedra sobre pedra”.

Em busca do significado da passagem, e de acordo com o uso da hermenêutica amilenista, deve-se saber se tal afirmação – profecia -  já aconteceu (cumpriu-se na história) ou não. Caso tenha ocorrido, a leitura do texto deve ser feita de forma literal. E somente se não fizer sentido, deve-se buscar dentro das Escrituras seu “outro” significado, portanto, pedra significaria pedra mesmo. 

Porém, se o texto ainda não foi cumprido, a abordagem muda completamente, ou seja, o significado das palavras não pode ser literal. Pelo contrário, pode ser qualquer coisa, menos o significado literal do texto. Ou seja, pedra jamais poderia ser pedra. Estranho, esquisito, mas é o que está posto.

É o caso do termo milênio (Ap. 20,2,3,4,5,6,7). Não pode ser milênio (1.000 anos literalmente). Por que? Porque ainda não se cumpriu na história - ou está se cumprindo? 

É incrível, mas é isso o que garante a escatologia amilenista. Dizem: "é preciso tratar os textos escatológicos de maneira particular – mas, isso se aplica apenas aos textos que ainda não se cumpriram".

Isso nos - obriga - arremete a uma experiência muito rica: Pensemos com Abrão – como se lá estivéssemos.

Ao olhar para o céu cheio de estrelas, ouve: Tua descendência será como estas estrelas. (Gn 15.4-5). 

Sendo Abraão um bom amilenista, podemos imaginar, quanta aflição o acometeu até se cumprir o nascimento de seu filho Isaque. Porque ele, como bom amilenista, SABIA que descendente da promessa, não poderia ser um descendente (literal) – pois, ainda não havia se cumprida a profecia. E como não poderia ser um filho, o que seria comparado às estrelas do céu? O que Abrão pensou significar descendente na promessa de Deus? E já que não havia nascido seu filho, sua hermenêutica amilenista garantia-lhe que poderia ser qualquer coisa, menos um filho.

Porém, após o nascimento de seu filho, ele, como bom amilenista, PERCEBEU que, após a profecia haver sido cumprida, descendência era descendência mesmo, e que seria numerosa como as estrelas do céu. Apesar de tudo AGORA fazer sentido, um misto de Ffustração e alegria lhe tomou, claro. Frustração, pois seu método lhe levara ao erro quanto ao significado da profecia; e alegria por entender que descendência significava LITERALMENTE descendência. 

Assim, somente após o cumprimento da profecia, Abrão, como bom amilenista, viu que estava errado! Que não deveria ter "interpretado" a palavra do Senhor, bastava-lhe haver aceito as palavras em seu significado comum - literal, como em todas as outras vezes que ouviu o Senhor.

Da mesma forma o método amilenista afirma estarmos no milênio e com satanás em prisão – eufemizam, e dizem "com poderes limitados". (Prisão significar poderes limitados??!!). De onde saiu isto?

Se verdade - satanás está preso - parte das Escrituras precisa ser "revista" para tenha sentido. Senão, vejamos:

Quanto engano há em Pedro ao afirmar que satanás enchera o coração de Ananias (At 5.3);

Engano, maior ainda, em At 26.18, Jesus afirma que satanás tem autoridade para manter pessoas cativas  - mesmo preso? E nisso, errou também Paulo (2 Tm 2.26);

E Paulo, novamente e equivocadamente, em 1 Co 7.5, instrui casais para não serem tentado por satanás (que está preso!).

Em 2 Co 11.14, inutilmente, Paulo afirma que satanás se transforma em anjo de luz. Claro que inutilmente, já que está preso, nenhum efeito isso terá.  

Sem contar com as advertências contra o diabo (Ef 4.27) e a necessidade da armadura de Deus para se prevenir contra ele (Ef 6.11). Acredito que se a abordagem amilenista estiver correta, tais exortações são meramente retóricas. 

E, por fim, em 1 Ts 2.18, Paulo precisa nos explicar que caminho tomava para ir até Tessalônica, pois satanás - que está preso - o impediu.

Mas, Abrão pode nos ensinar muito mais. Após o pedido para imolar seu filho - ainda não cumprido - ele ABANDONOU sua “interpretação particular” daquilo que Deus lhe falava. Como sei? Ao empunhar um cutelo (literalmente) sobre seu filho, ele nos ensina que cumprida ou não a palavra do Senhor deve ser vista em sua literalidade.