"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A família segundo Deus: Introdução


É comum ouvirmos – de líderes, pastores e cristãos em geral - ou lermos orientações para casais, casamento, filhos... família, sem que haja a correta e necessária separação entre o que o mundo atribui ao termo e o que Deus planejou, criou e revelou nas Escrituras. 



Comete-se um grande erro quando, a partir do que vemos e sabemos, a respeito de família que está diante de nós, acreditamos ser o modelo original de Deus. 

Para que entendamos o que se passou ou quais mudanças houve, precisamos recorrer as Escrituras, pois nela temos todo o ensino a respeito da grande mudança que sobreveio à “família de Deus”.

No capítulo 19 de Mateus, Deus nos deixou um precioso texto a respeito da família em dois diferentes momentos da história humana. Entendê-los é fundamental para nos alinharmos à mente de Deus e separarmo-nos da “sabedoria deste século”. 

Vejamos o que Deus nos ensina:

O argumento inicia-se com fariseus que desejam testar o Senhor a respeito do repúdio da mulher pelo marido – em nosso tempo, podemos chamar de separação dos pais, portanto sobre família. 

Em resposta à questão, Jesus diz (v. 4): [Deus] “fez no princípio macho e fêmea os fez”. O termo “princípio” reporta-nos ao momento da história em que Deus criou sua família – “macho e fêmea os fez”. 

Em seguida, v. 5 explica-nos quando ocorreu “o princípio” (v. 4):
“Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”. 
Não há dúvidas a respeito do tempo que se refere o termo “princípio”: precisamente momento da criação da mulher realizada por Deus – livro de Gênesis 2.18-24.

É sempre bom lembrarmos que o contexto da criação utilizado pelo Senhor é ANTERIOR ao pecado de Adão, é ANTERIOR à morte. Um tempo do qual não há registro material – exceto as Escrituras. Sem morte, sem dúvida, a natureza humana completamente diferente da que hoje temos e conhecemos. 

Ainda sobre o tema (v. 8), Jesus afirma que Moisés permitiu a separação em virtude da “dureza de coração” dos hebreus. O termo dureza de coração ao longo das Escrituras é uma metáfora do pecado. 

No contexto, o termo "Moisés" deve ser entendido como o próprio Deus. Pois, se refere a autoria de textos do Velho Testamento. Portanto, Deus foi quem concedeu ao povo o “direito” de separa-se.

Que fato fez com que Deus no princípio afirmasse que o homem e mulher fossem uma só carne, para que depois, por meio de Moisés afirmasse que homem e mulher já não fossem uma só carne? O que explicaria? O motivo? Algum evento ocorrera entre o “princípio” em Gênesis e o tempo da “carta de divórcio” de Moisés em Deuteronômio para que Deus permitisse tal carta. E o texto responde: a dureza de coração do povo – o pecado. 

E, depois volta a afirmar que não foi assim desde o “princípio”. Ou seja, no “princípio” não havia necessidade de tal instrumento pela ausência da “dureza de coração”. Leiamos assim: a família de Deus é anterior ao pecado. A família que subsistiu, sob o pecado e a morte, não é a família de Deus. 

Sim, estamos diante de uma detalhada e esclarecedora descrição sobre a grande mudança que ocorreu com a família criada por Deus no “princípio” e a família do “tempo de Moisés”: os efeitos do pecado no mundo, inclusive na esfera familiar. 

Só assim podemos entender o que Deus construiu segundo seu caráter e sua santidade que ficou no Éden e o que vemos. Portanto, é correto trazer à discussão os efeitos do pecado sobre a humanidade e consequentemente sobre a família. Mesmo parecendo pessimista, as Escrituras garantem que a família criada por Deus sucumbiu ao pecado (Rm 3.23).

A correção conceitual será feita somente se submetida ao conhecimento de Deus e de Seu propósito para família. É vã a busca de soluções ou conceitos originados no humanismo em geral, na psicologia, na filosofia e nas religiões, decerto, de lá nenhuma utilidade será obtida. 

Não que Deus tenha sido “incapaz” de preservá-la, mas repousa sob mistérios a escolha livre de Adão pelo mal. E ainda o fato da total incompatibilidade entre Deus e o primeiro Adão, em que Deus puniu a todos: homem, mulher, natureza, o próprio satanás, trazendo a morte como pena pelo pecado.

Em Cristo, e apenas Nele, Deus, de certa forma, nos remete ao princípio, em que podemos olhar para nossas esposas e dizer: Carne de minha carne, ossos de meus ossos... recriada em santidade e trazida por Deus. 


A Ele toda honra e glória.

A família segundo Deus: Introdução


É comum ouvirmos ou lermos – líderes, pastores e cristãos em geral - orientações para casais, casamento, filhos... família, sem que haja a correta e necessária separação entre o que o mundo atribui ao termo e o que Deus planejou, criou e revelou nas Escrituras. 


Comete-se um grande erro quando, a partir do que vemos e sabemos a respeito de família, acreditamos ser o modelo original de Deus para o mundo. 

Para que entendamos o que se passou ou quais mudanças houve, precisamos recorrer as Escrituras, pois nela temos todo o ensino a respeito da grande mudança que sobreveio à “família de Deus”.

No capítulo 19 de Mateus, Deus nos deixou um precioso texto a respeito da família em dois diferentes momentos da história humana. Entendê-los é fundamental para nos alinharmos à mente de Deus e separarmo-nos da “sabedoria deste século”. 

Vejamos o que Deus nos ensina:

O argumento inicia-se com fariseus que desejam testar o Senhor a respeito do repúdio da mulher pelo marido – em nosso tempo, podemos chamar de separação dos pais, portanto sobre família. 

Em resposta à questão, Jesus responde (v. 4): [Deus] “fez no princípio macho e fêmea os fez”. O termo “princípio” reporta-se ao momento da história em que Deus criou sua família – “macho e fêmea os fez”. 

Em seguida, v. 5 explica-nos quando ocorreu “o princípio” do v. 4: “Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”. Não há dúvidas a respeito do tempo que se refere o termo “princípio”: precisamente momento da criação da mulher realizada por Deus – livro de Gênesis 2.18-24.

É sempre bom lembrarmos que o contexto da criação utilizado pelo Senhor é ANTERIOR ao pecado de Adão, é ANTERIOR à morte. Um tempo do qual não há registro material – exceto as Escrituras. Sem morte, sem dúvida, a natureza humana completamente diferente da que hoje temos e conhecemos. 

Em um segundo momento – Mt 19.8 – e ainda relacionado ao questionamento feito pelos fariseus, Jesus afirma que Moisés permitiu a separação em virtude do pecado – “dureza de coração”. 

No contexto, o termo Moisés deve ser entendido como o próprio Deus. Pois, se refere a autoria de textos do Velho Testamento. Portanto, Deus foi quem concedeu ao povo o “direito” de separa-se. 

O motivo? Algum evento ocorrera entre o “princípio” em Gênesis e o tempo da “carta de divórcio” de Moisés em Deuteronômio para que Deus permitisse tal carta. E o texto responde: a dureza de coração do povo – o pecado. 

E, depois volta a afirmar que não foi assim desde o “princípio”. Ou seja, no “princípio” não havia necessidade de tal instrumento pela ausência da “dureza de coração”. Leiamos assim: a família de Deus é anterior ao pecado. A família que subsistiu, sob o pecado e a morte, não é a família de Deus. 

Sim, estamos diante de uma detalhada e esclarecedora descrição sobre a grande mudança que ocorreu com a família criada por Deus no “princípio” e a família do “tempo de Moisés”: os efeitos do pecado no mundo, inclusive na esfera familiar. 

Só assim podemos entender o que Deus construiu segundo seu caráter e sua santidade que ficou no Éden e o que vemos. Portanto, é correto trazer à discussão os efeitos do pecado sobre a humanidade e consequentemente sobre a família. Mesmo parecendo pessimista, as Escrituras garantem que a família criada por Deus sucumbiu ao pecado (Rm 3.23).

A correção conceitual será feita somente se submetida ao conhecimento de Deus e de Seu propósito para família. É vã a busca de soluções ou conceitos originados no humanismo em geral, na psicologia, na filosofia e nas religiões, decerto, de lá nenhuma utilidade será obtida. 

Não que Deus tenha sido “incapaz” de preservá-la, mas repousa sob mistérios a escolha livre de Adão pelo mal. E ainda o fato da total incompatibilidade entre Deus e o primeiro Adão, em que Deus puniu a todos: homem, mulher, natureza, o próprio satanás, trazendo a morte como pena pelo pecado.

Em Cristo, e apenas Nele, Deus, de certa forma, nos remete ao princípio, em que podemos olhar para nossas esposas e dizer: Carne de minha carne, ossos de meus ossos... recriada em santidade e trazida por Deus. 


A Ele toda honra e glória.

sábado, 17 de setembro de 2016

SABE, porém, isto... (2 Tm 3:1-5)


SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. 2 Tm 3:1-5

Os termos no texto devem chamar nossa atenção. Notemos: “Nos últimos dias", "Homens amantes de si mesmos", "Soberbos", "Desobedientes aos pais", "Incontinentes", "Mais amigos dos deleites que de Deus”. 



Não podemos negligenciar as instruções do Senhor, pois é a partir deles que perceberemos o cenário assustador que estamos inseridos. São as coisas que hão de vir - e que já estão. São características humanas que moldam o cenário descrito pelas Escrituras.  

Essa nova ordem alimenta-se da ruptura com o passado, organiza-se coletivamente, mas expressa o coração das pessoas. 

Nele os homens por amarem mais a si mesmos romperam com valores baseados no amor – família, amigos etc.

Pela soberba, colocam-se como prioridade e pouco caso fazem de seus pares ou compromissos, romperam com solidariedade.

Romperam com os pais, por esses representarem a autoridade e o passado, mas estão ávidos por uma autoridade - nova e externa - que lhes seja moderna e lhes garanta o rompimento com as estruturas estabelecidas.

Não há afeição natural, assegura o Senhor, romperam com os limites da natureza humana.

Diz ainda, que romperam com as pessoas de bem. Sim, romperam com Deus - a moral, a ética, a história... toda a verdade de Deus.

Um aspecto que agrava ainda mais esse cenário: a associação do termo, "mais amigos dos deleites do que amigos de Deus", com o termo, "tendo aparência de piedade entretanto negando a eficácia dela - da fé".  

Não se poderia achar em apenas duas frases a descrição mais completa e perfeita do cenário em que se encontra a Igreja do Senhor. Pessoas sem temor ao Senhor, vestidas de religiosidade, nominam-se servos do Altíssimo. Contudo negam-na, pelo fato dessa fé não lhes permitir arredarem os pés dos deleites - muitas vezes ocultos - não autorizados pelo Senhor.  

É o coração do homem cooperando e se regalando com o mal. Sua satisfação e busca do prazer, a paixão por si mesmos pela rejeição da Verdade. 

Os emissários de satanás - oportunistas do mal - dirão que sempre foi assim, que o Cristianismo é alarmista e retrógrado, sempre à procura dos indícios do “fim do mundo”.

Os inimigos da cruz, que conosco convivem, já trazem esse perfil, e alimentam o coração de seus filhos para que assim vivam, tentarão dissimuladamente introduzir e incentivar tais condutas na Igreja do Senhor.

É bom atentarmos para a Palavra do Senhor, anteciparmo-nos ao discurso do mal, percebermos suas nuances, pois nele está o fundamento desse cenário. 

"Sabe, porém isto" diz o Apóstolo  reforça-nos a ideia de prontidão para alertar a Igreja a respeito do contexto que vivemos – a maldade do coração do homem construindo o mundo até que... "manifeste o homem do pecado, o filho do perdição”.

Alertemos a todos e afastemo-nos destes.


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O batismo salva. Ou não?


Surgem, vez por outra, questionamentos a respeito do batismo. Sua eficácia, seus valores etc. Deixando de lado sua forma, para não incomodar os irmãos que aspergem água sobre seus seus batizandos, vamos verificar algumas particularidades e relacionamentos entre o batismo e a salvação dos crentes. 

O batismo, de fato, salva ou não salva? 

Para responder a este questionamento é preciso entender o que vem a ser e qual a história do batismo nas Escrituras, em especial no Novo Testamento.

E eram por ele batizados no [rio] Jordão, confessando os seus pecados (Mt 3:6). 
E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e [com] fogo. (Mt 3:11)

O texto de Mt 3.6 traz o primeiro registro do batismo no Novo Testamento. E esse foi realizado por João ("O Imersor", segundo André Chouraqui; judeu, especialista em línguas semíticas, tradutor do Ev. de Mateus)

Muita importância há nele, pois seu contexto esclarece um aspecto fundamental sobre o batismo. João afirma que “seu” batismo eram apenas sombras, pois viria um “outro batismo”. Ele diz: “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo... (Mt 3:11)

Sim, João anuncia um batismo, ainda a acontecer, que seria feito, não em água, mas no Espírito. Isso nos ajuda a entender a natureza transitória de sua obra.  Sim, o batismo de João - assim como toda sua obra – era apenas uma preparação para a vinda do Senhor, como diz o profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. (Mt 3:3)

Portanto, o batismo de João é precursor e sombra do batismo no Espírito - nossa união com Cristo (1 Co 12.13). Onde estão incluídos todos os benefícios conquistados por Cristo em nosso favor. 

Este batismo salva, porquanto feito por Deus, unindo-nos misticamente a Cristo. Homem algum fez ou jamais fará tal batismo. 

Mas, ao chegarmos ao fim dos Evangelhos lemos: 

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19). 

Não temos o que duvidar: o batismo, em voga neste mandamento, nenhuma semelhança há com o que lemos a respeito do batismo de João e o batismo no Espírito. Este feito por Cristo (conf. Jo 1.33), pelo próprio Espírito (conf. 1 Co 12.11) e pelo próprio Deus (conf. Jo 3.34), aquele agora confiado a homens, aos discípulos.  

Em nenhuma parte das Escrituras há relação entre o batismo realizado por João e o batismo confiado às nossas Igrejas, exceto pelo elemento utilizado – a água.

O que fazemos, inversamente a João, é contemplarmos o batismo passado feito por Deus - no Espírito Santo - e simbolicamente o reproduzimos utilizando como elemento a água. Nenhuma contribuição mística há nele  para a salvação eterna.  

Este batismo, simbólico, representa a morte do velho homem e a ressurreição do crente - fazendo sentido ser por imersão; e torna público seu efetivo vínculo e compromisso com sua nova família.  

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O Querer e o Realizar: Deus ou eu? (Fp. Cap. 2)



Há questões dentro da fé cristã que merecem sempre uma nova olhada. E há algo encantador: os limites de Deus e os nossos próprios em nossas ações. 

Uma questão prática: O que fazemos é o resultado exclusivo da minha "vontade" ou da vontade de Deus? Ou há uma sobreposição de vontades? Quanto há de "liberdade" em minhas ações? É sobre isto que fala este texto. 

Tomando o cap. 2 do livro de Filipenses, v. 12 está escrito “operai a vossa salvação”, há duas ideias:  
“Operai” garante que é um processo, que devemos realizá-lo, e “vossa salvação” garante que é responsabilidade nossa.

E abrigados por Rm 13:11 – “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”  concluímos que a salvação, ainda que um ato da parte de Deus, se estende por meio de processos que se realizam ao longo da  nossa vida. 

E é a esse respeito – os processos que se realizam ao longo da vida cristã - que somos contemplados. 

Assim, repito que a salvação que trata o capítulo 2 de Filipenses tem seu escopo exclusivamente no dilema existente entre as duas disposições – as duas naturezas coexistentes em nós. O Apóstolo produziu o texto tendo em sua mente os desdobramentos posteriores à nossa conversão, e não sobre o ato regenerador de Deus. 

E uma grande pergunta sobrevêm: Quem conduz nosso processo de escolha? O meu querer e o meu fazer são obras exclusiva de Deus ou eu livremente as faço? Quais os limites da liberdade humana e do poder soberano e invisível de Deus em meus resultados?

O HOMEM EM SUA RESPONSABILIDADE.
Fp 2:12 De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, [assim também] operai a vossa salvação com temor e tremor;

O verso 12, ao tratar da salvação, traz uma exortação para os irmãos de Filipos, alertando-os a “operar a salvação”, para que agissem como sempre haviam feito na presença do Apóstolo, agora, o fizessem em sua ausência. Isto garante que cada crente atua ativamente no desenvolvimento de sua vida. Suas escolhas, seus conhecimentos, seus valores, sua dedicação o faz um agente moral livre. Portanto, é responsável por cada um dos seus atos.


O PODER SOBERANO E INVISÍVEL DO SENHOR
Fp 2:13 Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a [sua] boa vontade.

Por outro lado, e simultaneamente, exercendo um poder soberano e invisível, Deus opera sobre todas as coisas e, em particular, no crente para que esse realize Sua santa e soberana vontade.

Há mistérios, há impossibilidades, há dimensões ocultas da sabedoria e do poder de Deus que nos obrigam à prudência. Contudo, o texto garante que “Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar”.  É Ele quem misteriosamente e soberanamente conduz nossa vontade (querer) para que realizemos (efetuar) o SEU QUERER.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

O CONFLITO
Fp 2:14 Fazei todas as [coisas] sem murmurações nem contendas;

O v. 14 revela a tensão existente entre nossa vontade – ainda presente e manifesta pela carne adâmica - e nossa nova vontade provinda da mente de Cristo. Daí a exortação para fazermos sem murmurações ou contendas. Mortificarmos a velha natureza - herança de Adão, e nos renovarmos à semelhança de Cristo.

O PROPÓSITO
Fp 2:15 Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;

Já que filhos de Deus, há necessidade de obediência ao Pai. O que na prática é a distinção dos nossos pares decaídos – chamado aqui de “geração corrompida e perversa”. É a visibilidade do poder soberano de Deus sobre “nosso querer e nosso efetuar”, o qual realizamos livre e amorosamente.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

O MEIO
Fp 2:16 Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.

O v. 16 oferece o meio para garantia do progresso da salvação:  “retendo a palavra da vida”. Não parece haver mistérios ou dificuldades quanto ao instrumento necessário para desenvolver nossa salvação, e ainda que tal obediência se converterá em benefício no dia de Cristo.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

Sempre temo ilustrações, mas preciso utilizá-las.
Coloquemo-nos em uma praia do nordeste brasileiro, onde chegam dezenas de jangadas. Cada uma delas tem seu próprio formato, seu tamanho e peso, bem como sua grande vela que tremulando face ao vento descreve sua própria trajetória no mar.  
Ao avaliarmos a trajetória de cada uma delas, umas rápidas, outras lentas a quem poderíamos atribuir cada um dos trajetos realizados?
Ao formato de cada uma delas ou a intensidade do vento e altura das marés?
Cada um age simultaneamente de forma que cada uma delas chegará ao seu destino de acordo com os fatores envolvidos.

Não sabemos, é mistério quem atua e como atuam Deus e cada um de nós, mas o Senhor nos adverte que devemos desenvolver nossa própria salvação com temor e tremor... Ele estará efetuando seu querer.


Que o Senhor seja engrandecido. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

As Bênçãos de Efésios 1.3


Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; (Ef 1:3)

O verso 3 inicia um discurso que se encerra no v. 14.

O uso dos verbos no tempo passado garante que o tema central desse discurso é passado, algo já consumado. E, sem dúvida, o Senhor nos fala de Sua salvação em Cristo (vv. 6,7).   

A proposta deste texto é entender o significado do termo “bênçãos espirituais” descrito no verso 3.

Inicialmente, devemos ver o v. 3 em conjunto com os versos subsequentes. E por uma questão de método, interessa-nos os termos presentes nos versos 3, 4 e 5 que iniciam e estabelecem uma unidade de pensamento. Ou seja, ambos versículos são partes integrantes do tema central, a salvação no Senhor.  

Dois aspectos ressaltam para tratarmos os versos conjuntamente.

1.  O tempo verbal.
Os vv. Utilizam o tempo verbal no passado, o que nos permite entender que a Bênção (v. 3) foi iniciada ou determinada no mesmo tempo e desfrutam da parte de Deus da mesma garantia das verdades contidas nos vv. 4 e 5 - Eleição e Predestinação;

2. O uso do termo “como também”.
Estabelece um elo inseparável entre os vv. Que dá ao v. 3 a mesma textura e ideia presente nos vv. 4 e 5. Assim, a garantia de Eleição, antecedida pela Predestinação dos vv. 4 e 5 se aplica também às Bênçãos do v. 3.

Quanto à sua relação com outras Doutrinas.
Podemos concluir que as Bênçãos Espirituais (v. 3), tanto quanto a Predestinação e a Eleição são partes integrantes e coexistentes da Salvação.

Quanto ao seu significado e propósito.
Bênção significa "falar ou desejar bem a alguém". Que tanto pode ocorrer entre homens, como entre Deus e os homens. Neste caso, devemos considerar apenas as bênçãos de Deus dirigidas aos crentes. 

Como visto anteriormente, as Bênçãos fazem parte de nossa salvação e tem um propósito definido (vv. 11, 12): nos ter feito – "tempo passado" novamente - herança em Cristo e, isso para o louvor da glória de Deus.

As bênçãos são as mesmo tempo o bem querer de Deus em nos fazer semelhantes a Cristo, bem como nos capacitar a sê-lo - realizando Sua vontade.

Uma questão prática

As Bênçãos Espirituais (veja v. 13), assim como as demais ações de Deus em nossas vidas, evidenciam-se externamente, portanto, são perceptíveis. A fé que expressamos por meio do amor é a evidência visível das Bênçãos Espirituais em nossas vidas, sendo, por sua vez, o resultado da ação, presença e relacionamento do Espírito do Senhor conosco - Garantia das Bênçãos de acordo com vv. 13, 14. 

Portanto, contraria o ensino das Escrituras afirmar as Bênçãos do Senhor e negar a Eleição ou a Predestinação; da mesma forma afirmar estas, negando aquela. 

Dentro das Bênçãos Espirituais estão discernimento, sabedoria para que possamos evidenciá-las. 

E é isso o que Deus deseja que façamos:

Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; (Ef 1:17)