"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

O Querer e o Realizar: Deus ou eu? (Fp. Cap. 2)



Há questões dentro da fé cristã que merecem sempre uma nova olhada. E há algo encantador: os limites de Deus e os nossos próprios em nossas ações. 

Uma questão prática: O que fazemos é o resultado exclusivo da minha "vontade" ou da vontade de Deus? Ou há uma sobreposição de vontades? Quanto há de "liberdade" em minhas ações? É sobre isto que fala este texto. 

Tomando o cap. 2 do livro de Filipenses, v. 12 está escrito “operai a vossa salvação”, há duas ideias:  
“Operai” garante que é um processo, que devemos realizá-lo, e “vossa salvação” garante que é responsabilidade nossa.

E abrigados por Rm 13:11 – “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”  concluímos que a salvação, ainda que um ato da parte de Deus, se estende por meio de processos que se realizam ao longo da  nossa vida. 

E é a esse respeito – os processos que se realizam ao longo da vida cristã - que somos contemplados. 

Assim, repito que a salvação que trata o capítulo 2 de Filipenses tem seu escopo exclusivamente no dilema existente entre as duas disposições – as duas naturezas coexistentes em nós. O Apóstolo produziu o texto tendo em sua mente os desdobramentos posteriores à nossa conversão, e não sobre o ato regenerador de Deus. 

E uma grande pergunta sobrevêm: Quem conduz nosso processo de escolha? O meu querer e o meu fazer são obras exclusiva de Deus ou eu livremente as faço? Quais os limites da liberdade humana e do poder soberano e invisível de Deus em meus resultados?

O HOMEM EM SUA RESPONSABILIDADE.
Fp 2:12 De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, [assim também] operai a vossa salvação com temor e tremor;

O verso 12, ao tratar da salvação, traz uma exortação para os irmãos de Filipos, alertando-os a “operar a salvação”, para que agissem como sempre haviam feito na presença do Apóstolo, agora, o fizessem em sua ausência. Isto garante que cada crente atua ativamente no desenvolvimento de sua vida. Suas escolhas, seus conhecimentos, seus valores, sua dedicação o faz um agente moral livre. Portanto, é responsável por cada um dos seus atos.


O PODER SOBERANO E INVISÍVEL DO SENHOR
Fp 2:13 Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a [sua] boa vontade.

Por outro lado, e simultaneamente, exercendo um poder soberano e invisível, Deus opera sobre todas as coisas e, em particular, no crente para que esse realize Sua santa e soberana vontade.

Há mistérios, há impossibilidades, há dimensões ocultas da sabedoria e do poder de Deus que nos obrigam à prudência. Contudo, o texto garante que “Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar”.  É Ele quem misteriosamente e soberanamente conduz nossa vontade (querer) para que realizemos (efetuar) o SEU QUERER.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

O CONFLITO
Fp 2:14 Fazei todas as [coisas] sem murmurações nem contendas;

O v. 14 revela a tensão existente entre nossa vontade – ainda presente e manifesta pela carne adâmica - e nossa nova vontade provinda da mente de Cristo. Daí a exortação para fazermos sem murmurações ou contendas. Mortificarmos a velha natureza - herança de Adão, e nos renovarmos à semelhança de Cristo.

O PROPÓSITO
Fp 2:15 Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;

Já que filhos de Deus, há necessidade de obediência ao Pai. O que na prática é a distinção dos nossos pares decaídos – chamado aqui de “geração corrompida e perversa”. É a visibilidade do poder soberano de Deus sobre “nosso querer e nosso efetuar”, o qual realizamos livre e amorosamente.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

O MEIO
Fp 2:16 Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.

O v. 16 oferece o meio para garantia do progresso da salvação:  “retendo a palavra da vida”. Não parece haver mistérios ou dificuldades quanto ao instrumento necessário para desenvolver nossa salvação, e ainda que tal obediência se converterá em benefício no dia de Cristo.

E poderíamos questionar:
Quanto eu atuo em minha santificação? Atuo completamente!
Quanto Deus atua em minha santificação? Atua completamente!

Sempre temo ilustrações, mas preciso utilizá-las.
Coloquemo-nos em uma praia do nordeste brasileiro, onde chegam dezenas de jangadas. Cada uma delas tem seu próprio formato, seu tamanho e peso, bem como sua grande vela que tremulando face ao vento descreve sua própria trajetória no mar.  
Ao avaliarmos a trajetória de cada uma delas, umas rápidas, outras lentas a quem poderíamos atribuir cada um dos trajetos realizados?
Ao formato de cada uma delas ou a intensidade do vento e altura das marés?
Cada um age simultaneamente de forma que cada uma delas chegará ao seu destino de acordo com os fatores envolvidos.

Não sabemos, é mistério quem atua e como atuam Deus e cada um de nós, mas o Senhor nos adverte que devemos desenvolver nossa própria salvação com temor e tremor... Ele estará efetuando seu querer.


Que o Senhor seja engrandecido. 

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