"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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sábado, 26 de novembro de 2016

A parábola das dez virgens




Como interpretar uma parábola
Critérios gerais
Devemos adotar como critério de análise de parábolas os mesmos adotados pelo Senhor quando da Parábola do Semeador. 
1.   Buscar seu ensino geral;
2. Identificar, quanto possível, personagens pela participação desses na construção desse ensino geral.

Em muitos casos, tal padrão exige o conhecimento de particularidades culturais da época, o que torna o “explicar” parábolas um exercício complexo e difícil. Isso decorre do fato que Jesus é judeu e falou - as parábolas - com judeus sobre "coisas" judaicas dentro do tempo e do espaço.
Um alerta
Sabendo que a parábola é um recurso de linguagem cuja finalidade é ilustrar e fundamentar o ensino, e não o reproduzir integralmente, devemos evitar a pormenorização, isso pode levar à sua “personalização” - dar a parábola o que ela não tem. Ou apenas "aplicarmos suas verdades”, que na realidade estamos "rezando um catecismo religioso das nossas convicções" e não falando das grandezas do Senhor.

Para entendermos esta parábola devemos saber que ela faz parte e completa um discurso do Senhor sobre os acontecimentos futuros.

Então leiamos a partir do contexto em que se encontra a parábola (Mt 24.1ss):
...chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. (Mt 24:1-3)

Toda argumentação a partir deste ponto, chegando à Parábola das dez virgens, está relacionada ao questionamento dos discípulos: 
Quando serão essas coisas – destruição do templo; 
O sinal da vinda do Senhor; 
E os sinais do fim do mundo.

Tomando o questionamento dos discípulos, é possível que tais eventos venham a ocorrer em momentos diferentes. Pois, não faz sentido que eventos simultâneos - ou o mesmo evento - apresentem sinais diferentes antecipando sua consumação.

E seguem as respostas dadas pelo Senhor:
Advertências para que eles não fossem enganados, (Mt 24:4) alertando-os para o surgimento de falsos Messias (Mt 24:5). Tal argumento tem sentido apenas para quem agurda o Messias, Israel- e isso não se aplica à Igreja, que jamais esperou ou espera por um Messias!
E continua: 
Os que estiverem na Judeia fujam para os montes; e sobre O inverno e 
sábado,  deixando claro uma região específica na terra; um dia especial 
para um povo (Mt 24:16,20)  

Os detalhes aqui apresentados permitem identificar um povo em particular e geograficamente localizado. Tomando o clima, locais e religião próprio é possível relacioná-los aos judeus: 
Somente o uso de uma hermenêutica equivocada poderia, neste contexto, desconsiderar que tais descrições relacionam-se com os judeus. Não podemos tirar Israel - nascidos de Isaque, descendentes na carne de Abraão, para os quais Deus tem promessas irrevogáveis - do centro dos acontecimentos aqui descritos.  

O contexto anterior imediato
A partir do v. 37, utilizando o dilúvio do tempo de Noé, é introduzido o conceito de juízo da parte de Deus (Mt 24:37-39).  
"Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem". 
O JUÍZO explicado relaciona-se à observância da vinda do Senhor:  
"vigiai pois não sabeis a hora da vinda do Senhor" (Mt 24:42,44), com recompensa (Mt 24.46) e juízo (Mt 24.51)

O contexto posterior imediato
O cap. 25 é composto, além da Parábola das dez virgens, por outras duas parábolas. Apesar de tratarem do mesmo tema - a vinda do Senhor, a recompensa pela fidelidade - há diferenças entre elas que são determinantes para o nosso entendimento.

Poderiam estas parábolas, para seu cumprimento, obedecerem ao programa de Deus obedecendo um critério cronológico presente em Mt 24? Primeiro a Parábolas das dez virgens e por fim o Julgamentos das Nações?


A Parábola dos talentos usa o termo homem e o coloca se ausentando depois voltando ao um país - um local definido aqui na terra (14). Já a parábola do julgamento das nações, usa o termo Filho do Homem – chamado de Rei (40) e coloca sua realização aqui sobre a terra (31).

No entanto, a Parábola das dez virgens, há o termo noivo sem definir um local aqui na terra onde ocorrerá, apenas diz que ele abriu e fechou a porta para as virgens entrarem.    

Isto garante que o teor da parábola das dez virgens preserva e se submete ao tema desenvolvido anteriormente: JUÍZO associado à observância da vinda do Senhor - mas não podemos garantir que sua consumação se dará aqui na terra.

A parábola das 10 virgens, desta forma, está inserida neste contexto de advertências associadas à imprevisibilidade da hora da vinda do Senhor – o segundo questionamento feito pelos discípulos. E temos tal confirmação em seu último verso em que reafirma a necessidade de vigiar ante a imprevisibilidade da hora da vinda do Senhor  (Mt 25.13).

A Parábola
Antecipando-nos à análise, encontramos seus personagens (Mt 25-2-4): dez virgens, noivo, anunciante – o que grita (v. 26), ainda azeite, lâmpadas e vasilhas e eventos. Como anteriomente dito, nem todos os termos citados pelo Senhor exigem siginificados que não sejam literais. 


Devemos iniciar a leitura sob a perspectiva: é uma parábola sobre premiaçaão e juízo associados à vinda do Senhor.

Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. (Mt 25:1)

O Reino dos Céus
A parábola ensina sobre o reino dos céus utilizando-se de dez virgens. Logo, devemos conhecer o que o Senhor ensinou a esse respeito. 
1.   É um termo exclusivo de Mateus,
2.   A ideia é de uma ação soberana dos céus;
3.  Uma promessa relacionada a o Messias – anunciado por João (3.2) e confirmado pelo Senhor (4.17);
4.   Acessá-lo exigia mudanças interiores - arrependimento, obediência, justiça. (3.2; 4.17; 5.19; 7.21). Garantindo-lhe seu caráter transcendente;
5.   Sua consumação envolverá a celebração contará com os patriarcas judeus - Abraão, Isaque e Jacó. (8.11);
6.   Seus mistérios (13.11) fez com que muitas parábolas fossem utilizadas em seu ensino;
7.   Sua última citação ocorre aqui.
Associado a chegada do Messias para Israel. Anunciado por João, o batista, Confirmado pelo Senhor, conforme lemos em Mt 4.17. e que na parábola anuncia o seu cumprimento no futuro – o tempo do verbo será. Ou seja, ainda a ser consumado. 
Israel, a Igreja e o Noivo
Em nenhuma local das Escrituras há promessas em que a nacão Israel está a espera de um noivo. O grande anseio de Israel é a chegada do seu Rei.  Mas, as virgens saem ao encontro do noivo – notem que o texto NÃO diz que o noivo pertence às virgens. Tampouco, é utilizado o termo NOIVA. A Igreja não é convidada para bodas, pois a Igreja é a noiva!! Sem ela não há bodas!!! Logo, não há citação direta sobre a Igreja na parábola. 

Os dois grupos
As virgens – e não noivas, nem amigas da noiva- são identificadas como insensatas e prudentes (25.2). O único critério que identifica os grupos, as insensatas não levaram azeite (25.3); já as prudentes, junto com suas lâmpadas, levaram azeite em vasilhas. (25.4).

A espera (Mt 25:5-9)  
O comportamento dos grupos - para espera e encontro com o noivo é o mesmo, ambos dormiram, diante da “demora” do noivo (25.5). Sem que sejam condenadas por isso. 
Quando repentinamente – meia-noite – é anunciada a presença do noivo, surge a necessidade do azeite. O azeite para as lâmpadas é uma exigência para chegarem ao noivo. A despeito da mesma aparência, são virgens, do mesmo comportamento - esperaram e dormiram, surge a distinção: a provisão necessária para chegar ao noivo. 

Saí-lhe ao encontro (Mt 25.6)
Ao ser anunciado o Noivo é dito para as virgens sairem ao seu encontro. Sugere que as virgens estão em um local diferente do noivo, e elas que irão ao Noivo e não ele a elas.  

A importância do azeite
A recusa em compartilhá-lo, longe de parecer egoísmo das virgens prudentes, exibe o seu caráter de prontidão - vigiai! - em oposição às insensatas, pois, estas sabiam da sua existência - juntas preparam-se, juntas esperaram e juntas dormiram. O erro se deu por negligência, descaso - um erro de princípio ou preparo para consumar a jornada. (25.29).

O lapso de tempo entre a chegada das virgens prudentes e das insensatas deixa claro a importância da prontidão, pois, ao final ambas tinham o azeite!!! ambas chegaram ao noivo!!! Entretanto, em momentos diferentes.

O significado do azeite
Devemos evitar dar um "significado" para o azeite que não o seu significado literal - azeite. Ele está no texto como um combustível, nada mais que isso. 
Ao tentarmos "traduzi-lo" como Espírito Santo ou algum dom, esbarramos em dificuldades. Ele foi vendido, e após ser "comprado", mostrou-se genuíno, pois permitiu o acesso ao noivo, contudo, foi desconsiderado pelo Senhor. Portanto, não faz sentido o azeite ser o Espírito de Deus. 
Entendo que o azeite é determinante para ensinar a diferença entre os grupos, mas não devemos "vê-lo" como o Espírito de Deus. Além do ensino não exigir tal interpretação, leva a erros doutrinários.
O ensino é sobre a necessidade de vigiar, e o azeite é o meio de manter a luz acesa - em um único e determinado perídodo - garantindo a chegada até o noivo. 

As prudentes
As virgens – como escrito anteriormente, não são a noiva, nem é dito que são suas amigas. No caso, parece-me que elas são esperadas, pois é o próprio noivo quem as recebe e fecha a porta após elas (25.10), dando-nos entender que elas eram necessárias ou esperadas nas bodas, mesmo que chegando já adiantada a festa.

As insensatas 
Após a providência do azeite, as insensatas conseguem chegar ao Senhor, fazem exigências para que a porta lhes seja aberta. E chamam o noivo de Senhor, em obediência tardia (25.11). É singular a receptividade a elas dispensada: não eram conhecidas pelo noivo (25.12), assim, não eram esperadas portanto, "permaneceram" fora das bodas.
O noivo e Senhor
Deve ser identificado com Jesus – pois, assim se chamou (Mt 9.15).

Quando ocorrerá e quem representam as virgens
O anuncio da hora que o noivo se apresenta para as virgens – meia-noite – dá entender que já estava adiantada a celebração das bodas.

Como vimos, não há indícios que os fatos descritos na parábola ocorrerão na terra, e em acordo com o pressuposto Pré-tribulacional e Pré-milernar, as bodas ocorrerão nos céus, após o arrebatamento e aantes da vinda do Rei.

Sabemos que o período anterior e posterior à saída da Igreja - o Arrebatamento - é um tempo de apostasia, em que uma multidão de crentes nominais - virgens insensatas - serão o "cristianismo". 
As virgens prudentes, são judeus saídos desse cristianismo apóstata, sabem das bodas do Noivo e para Ele vão. 
Portanto, as virgens da parábola não representam a Igreja, tampouco, Israel. Pois, A Igreja já está nos céus e Israel ainda aguarda a vinda de seu Rei aqui na terra. 

Há outras possibilidades?
Claro que há, mas essa perspectiva deve ser considerada. E devemos fazê-lo agora, pois além de nos santificar, devemos saber que no céu não se permitirão profecias.

Que o Santo seja bondoso conosco.

A Ele toda a honra.

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