"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Os fundamentos da impiedade



Em Efésios 4.17-19 nos adverte o Senhor: “para que não mais andemos como os ímpios”. A descrição é suficientemente rica do funcionamento da personalidade ímpia. Deus, ao autorizar sua inclusão aos textos sagrados, permitiu-nos, ao meu entendimento, duas possibilidades: conhecer os fundamentos da impiedade e, ao mesmo tempo, consultar nossos corações. 

Lemos (v. 17) “testifico no Senhor”, a ideia do Apóstolo é nos informar que nossa leitura é autenticada e compartilhada por Deus. Portanto, sua verdade e presença estão aqui de uma forma mais intensa, como se ao lado do Senhor estivéssemos.  

Em seguida lemos: “para que não andeis mais como andam também os outros gentios”. Dois ensinos úteis e preparatórios para o texto: 
1).  "Não andeis mais”. Serve para nos lembrar que um dia praticamos os mesmos pecados que os demais ainda os praticam.   
2). Os “outros gentios”. Iguala-nos aos gentios, lembrando-nos de nossa natureza comum, em nada diferimos - carne - dos “outros gentios”.  
Nossa natureza reticente e nosso passado fazem que a advertência produza em nós maior senso de humildade. Para não supormos que estamos “além” das advertências do Senhor. 

Agora, ajustados passemos a avaliar o que o Senhor nos diz sobre os fundamentos da caminhada dos ímpios. 

“Na vaidade de sua mente”.
O termo “mente” é usado também em Rm 11.34. Lá identifica a mente de Deus em seus planos, expressando seu caráter por meio da retidão, justiça, sabedoria, santidade, bondade. Depreendemos que “Mente é a expressão do caráter da pessoa, de seu conteúdo”. E o texto ensina que o que constrói o caráter (valores e crenças) dos ímpios é absolutamente inútil. Nada que constrói a mente ímpia, segundo Deus, tem utilidade, tem valor. É o que diz Jó:
Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-poderoso. Jó 35:13

Em sua mente os ímpios são vaidosos, inúteis, pois rejeitando as verdades de Deus, construíram sua própria verdade e por ela conduzem seus passos. Não é sem sentido que o arrependimento, é uma ação poderosa de Deus transformando essa mente vaidosa, fazendo-a, que inútil é, chegar ao conhecimento de Deus e de sua justiça.
Somos ensinados que não devemos andar guiando-nos pelos valores e crenças criados pela vaidade de mentes que não conhecem o Senhor.

Entenebrecidos no entendimento”
Para entendermos o real sentido da palavra entenebrecidos consultamos o relato sobre a vinda do Senhor em que são descritas as catástrofes naturais que sobrevirão ao mundo (Mt 24.29). Jesus ao falar sobre elas diz que “o sol escurecerá”. Esse escurecimento é termo semelhante a entenebrecidos. E, voltou a utilizá-lo como metáfora, ao contrapor a luz do mundo com as trevas. Lá novamente está o termo que qualifica entenebrecidos, “trevas”.
Já “entendimento” é usado por Paulo (1 Co 14-14-15,19). Diz: “se orar em língua desconhecida, meu espírito ora bem, mas meu entendimento fica sem fruto”. Depois relata a necessidade de entendimento na oração, no louvor, e conclui: (19) “quero falar 5 palavras com meu próprio entendimento para instruir, que 10.000 palavras sem entendimento – outras línguas”. Entendimento é o uso consciente da razão. Deus diz: “os ímpios têm seu raciocínio em trevas". Logo, o uso consciente da razão dos ímpios encontra-se em trevas, sendo-lhes impossível de, por meio da razão, chegar ao pleno conhecimento do Senhor.
Nenhum conhecimento que provém da impiedade que conflita com a verdade revelada pelo Senhor deve ter significado para qualquer um de nós. Não podemos substituir o que é claro e vindo do alto, por aquilo que escurecido e vindo da terra. E lemos: “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. (Rm 10:2)

O texto até aqui nos ensinou a respeito de fundamentos – a constituição da natureza humana, o que se ajusta a que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Mas, há a introdução da condição do ímpio em relação a Deus como consequência de características da impiedade, e não mais em relação a si próprio:
“Separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, e pela dureza do seu coração”. 
Sim, a partir deste ponto os ensinos mostram as causas – duas - da separação entre Deus e o homem. Não se tratam de características constitucionais descritas anteriormente, mas, das incapacidades decorrentes dessa constituição.
Devemos reafirmar que tal condição - a separação entre os ímpios e o Senhor - não representa em nenhuma hipótese a situação daqueles que foram vivificados pela cruz - sangue - do Senhor (Ef 2.16).  

“Pela ignorância que há neles”
Como exposto anteriormente, nenhum de nós incorrerá nessa ignorância, que deve ser vista como a incapacidade de atribuir ou relacionar adequadamente os significados da vida em sua totalidade. Significar eternidade, justiça, santidade, Deus, Jesus, perdão, punição, inferno, morte e tantos outros em sua devida dimensão e como revelados pelo Senhor.
A ignorância está detalhada 1 Co 2.14: “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; nem pode entendê-las, pois se discernem espiritualmente”. Existe um abismo intransponível ao homem, separando-o das verdades eternas do nosso Deus. A essa característica do ímpio ou homem natural Deus chama de ignorância.

“Pela dureza do seu coração”
O significado obtemos na passagem (Rm 11.34) em que Paulo explica a condição dos Israelitas que os levou a não perceberam em Jesus seu Messias tão esperado, a esperança milenar de redenção, e o Apóstolo usa o termo “Insensibilidade”. É, ainda, utilizado em Mc 3.5. Lá Jesus utiliza semelhante termo para qualificar o sentimento dos fariseus: Insensibilidade. Pelo descaso quanto à necessidade de cura um homem cuja a mão era ressecada.
Paulo afirma que a separação que há entre Deus e os ímpios decorre da incapacidade de compreensão e da insensibilidade espiritual destes.
Assim, somos ensinados pelo Senhor a respeito dos fundamentos dos ímpios e de sua situação diante de Deus. Ambas nos advertem para que saibamos dos ímpios. 


O final descrito (v. 19) garante que tais características agem progressivamente, fazendo com que os ímpios se autorizem e, abandonando toda moral prevista, tenham mais prazer e se aprofundem em seus pecados.

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