"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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domingo, 6 de agosto de 2017

Apocalipse 12 e os astros



Muita “importância” é dada a esta passagem ultimamente. Por um motivo particular, e não por sua repercussão atual, foi feito este texto. 

Os astros
Há uma abordagem que, a partir do termo “céu”, interpreta o capítulo 12 de Apocalipse sob o enfoque da posição dos astros nos céus. 
São apresentadas muitas análises e conclusões são oferecidas. Entendo serem forçadas, desconexas e, principalmente, uma prática hermenêutica esquisitíssima que sugere e permite compreensões  inadequadas: a impessoalidade dos personagens e a sugestão de datas e tempos, que o próprio Cristo os segredou.
Não descarto, porém, que Deus utilize-se de sua criação para trazer juízo sobre a terra, provando seu caráter santo, sua sabedoria e poder.

Ideia geral
Os termos céu e terra e os personagens descritos fazem parte da narrativa bíblica, é preciso vê-los dentro da narrativa, sem o que não teremos entendimento.
·    E tudo inicia com sinais no céu, com uma mulher prestes a dar luz a um Filho. (v. 1)
·       Outro sinal no céu é visto (v. 3), desta feita um dragão.
·       Das visões celestes, abruptamente o dragão está “sobre a terra”. (V. 4).
O texto, assim, descreve sinais e batalhas no céu e perseguição e guerra na terra. Em todos esses movimentos está presente o dragão. Ele é o protagonista do capítulo.

A personalidade dos personagens
A despeito da simbologia existente, os atos garantem que dragão, Filho e Miguel são seres pessoais. 
1.  O dragão
·    Age segundo um propósito ou vontade: tragar o Filho da mulher (v. 4), a mulher (v. 15) remanescente de sua semente (v. 17);
·      Tem seguidores e poder - seus anjos (v. 7);
·      Faz acusações - tem intelecto (v. 10);
·      Tem percepção de tempo (v. 12), e espaço (v. 13)
Além das descrições acima, o v. 9 garante-nos que se trata de satanás - um anjo.

2.  O Filho da mulher (v. 5)
·     Um homem  que terá governo sobre toda a terra;  
·     Foi arrebatado para Deus;
·     Tem um trono celeste
As descrições feitas identificam o Filho da mulher como o Cristo (conf. Sl 2.7-9). Reafirmada pelo próprio Jesus – "a salvação vem dos judeus". (Jo 4.22)
  
3.  Miguel
Os versos 7-10 descrevem uma batalha entre Miguel e seus anjos e satanás e seus anjos. Miguel, de acordo com Dn 12.1, é um ser angelical, portanto, pessoal. Que serve como protetor do povo de Daniel – Israel.

A mulher
Sua descrição do v. 1 se assemelha à descrição encontrada na visão de José (Gn 37.9-10). Lá, há a ilustração do núcleo familiar que viria a ser a nação de Israel. Nenhuma alusão à fé é feita, mas a citação de Jacó e sua família, no corpo das Escrituras, identifica a nação de Israel - étnica, religiosa, geográfica e histórica.  

O cumprimento dos eventos  
Não sabemos sobre o intervalo de tempo entre o verso 1 e 3, tampouco entre os demais versículos do capítulo, e afirmá-lo é especulativo. Quanto ao cumprimento de cada evento - preterista ou não, dependerá do modelo escatológico adotado.

Fatos sobre cumprimento dos eventos  
reino do Filho com vara de ferro sobre as nações ainda não se deu. Mesmo decorridos grande intervalo de tempo entre o nascimento do Filho e os dias atuais. (v. 5)
nascimento do Filho e sua ida para seu trono no céu já ocorreram. Mesmo com um intervalo de tempo entre a nascimento do Filho (v. 4) e seu arrebatamento para Deus para seu trono (v. 5).
É possível que haja um grande intervalo de tempo entre os eventos descritos “parou diante da mulher” (v. 4) e a mulher  “fugiu para o deserto”. (v. 6)
A luta entre Miguel e satanás, em virtude de seus desdobramentos, ainda não se consumou.

A primeira queda
O verso 4 descreve satanás em direção à terra sem oferecer a causa. Parece-nos ser um ato voluntário e intencional, pois diz: “levou após si... e lançou-as”. A voz ativa e modo indicativo dos verbos colaboram com esse entendimento. Que muito diverge do verso 9 na luta contra Miguel.
A perseguição feita ao Filho da mulher (Israel), realizada na terra, deu-se em sua primeira queda. É-nos dada a garantia que foi frustrada pelo desfecho: “arrebatado para Deus e [para] o seu trono”. Quanto a mulher “fugiu para o deserto”, um local preparado por Deus (v. 6).

A segunda queda  - A luta com Miguel
No v. 7 está descrita uma batalha “no céu”. E o v. 8 define o perdedor: satanás. E conclui (v. 9): “ele foi precipitado na terra”. A voz passiva, o tempo aoristo e modo indicativo garantem que satanás perdeu definitivamente e foi submetido a derrota. Portanto, o evento do v. 9, em que satanás foi lançado para terra, difere do evento descrito no v. 4. Aqui ele é expulso do céu. Lá, ele vem em direção à terra voluntariamente para realizar um propósito. A aceitação mais tradicional do texto afirma que esse evento ainda se cumprirá.
O cerne da mensagem afirma que satanás “não mais ter acesso para acusações aos nossos irmãos diante do trono de Deus”. (v. 10). A batalha com Miguel impôs a satanás a perda do acesso ao trono de Deus. Mesmo que não tenhamos detalhes, o contexto posterior mostra que para satanás é grande e definitiva perda.

Um novo momento na terra
Esta “restrição celeste” dá início a um novo momento aqui na terra. Pois lemos, (v. 10): “Agora é chegada a salvação”.
O termo “agora” se ajusta a ser um fato novo. Que gera uma grave advertência no v. 12 “Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós”. São dadas felicitações para aqueles que já morreram, e os pêsames para aqueles que estão vivos. E o motivo é a ira do diabo que vem em diraçào à terra.
Sob tais advertências é anunciada a salvação (v. 10) Se este é um fato futuro, e é possível que seja. A proclamação da salvação NUNCA esteve associada aa um cenário tào particular. Pois na proclamação do evangelho para os gentios ou judeus (Livro de Atos) não há qualquer semelhança às condições aqui descritas. 
Os Capítulos posteriores oferecem detalhes para crermos que um local específico é destinado para alguns desses fatos - Sião, pregação feita por anjos, cântico de Moisés, Amagedon. Diante desses fatos, não é possível aceitá-los como pretérito.  
Os últimos atos de satanás
Os versos 13-17 são dedicados a descrever de forma sumária a ação de satanás sobre a terra. Notemos que nenhuma citação é feita ao Filho.
A mulher. O v. 13 mostra que a serpente – satanás – persegue a mulher (Israel), contudo é  guardada e oculta  por um período. (v. 14)
O v. 15, possivelmente após o período determinado no v. 14, a serpente se volta contra mulher (Israel).  E a “terra” agora é quem livra a mulher (Israel) da fúria da serpente. (v. 16).
O remanescente da semente da mulher. Parece-nos que há uma mudança de compreensão da parte da serpente em relação à mulher, pois a descrição do ato de fúria se volta para o “remanescente de sua semente (o Filho da mulher), atribuindo-lhe o termo: “que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Cristo”.
Assim, se encerra – neste capítulo - a descrição da fúria de satanás contra Israel e o remanescente de seu Filho.

Conclusão
Sobre este texto, nenhum modismo pode nos separar das verdades bíblicas. Nenhum tempo nos é permitido sugerir, nenhuma ilusão nos é autorizada criar. Nenhuma metáfora está acima das Escrituras: Satanás é um ser pessoal, poderoso e perverso. Que trava uma batalha contra o Senhor, cuja disposição é promover o mal, o qual se estenderá por toda a terra.
A oposição de satanás à realização dos planos de Deus com Israel é o centro de sua missão. É a luta por esta terra.
Devemos vigiar e confiar plenamente em Deus e em sua palavra... Ele nos guardará. 


Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. (Ap 1:3)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Humanismo bíblico (?)





E tendo deposto a este, levantou-lhes como rei a David, ao qual também, dando testemunho, disse: Achei a David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade. (At 13:22)

É comum na leitura de Atos 13.22, atribuir-se acentuada ênfase ao termo “Davi, filho de Jessé, homem segundo meu coração – isto é Deus”. Assim, se altera o contexto, perdendo-se o real ensino da passagem. Tal orientação, contraria  o propósito do escritor, fazendo-nos perder a percepção, dando à criatura proeminência em detrimento do Criador. Que é bendito eternamente. Amém.

A ênfase está na frase que segue, nela está escrito... Que fará toda minha vontade – de Deus. Está é a ênfase do texto. Deus manifestar sua vontade, em amor, por meio de Jesus, seu Cristo.

O que pretende Lucas, nesta passagem, é ensinar que Cristo é o ápice da história universal. É nEle que Deus se faz pleno em relação à sua criação. É para esta conclusão que o Espírito do Senhor nos conduzirá.

E o  capítulo 13 do verso 1 até o 43 , há clara divisão de temas. E por eles podemos aprender o que Deus, ao longo da história, realiza para comunicar seu amor.

Os versículos de 1 a 3 contam a separação de homens sábios e santos – Barnabé e Paulo, para cumprirem uma obra particular do Espirito de Deus. contudo, nenhum detalhe nos é adicionado sobre tal obra, nada nos é antecipado. 

A partir do v. 4 entendemos que a obra determinada implica em sair em busca de um lugar específico. É feito o registro do percurso. Com as partidas, chegadas e dificuldades do caminho. Até, por fim, chegam onde, de fato, o Espírito de Deus os encaminhara... a cidade de Antioquia, da Pisídia. Todo o trajeto, as dificuldades foram superadas para realização da obra determinada pelo Espírito de Deus. O texto nos conduz a perceber o exercício soberano de Deus – Espírito Santo. 

Já em uma sinagoga (14) Paulo inicia seus argumentos para esclarecer como Deus, para benefício da nação de Israel, enviara seu Cristo (16 ao 43). Em retrospectiva, traz à lembrança daquelas pessoas – judeus e prosélitos (43) - os feitos de Deus ao longo da história. Desde a redenção nacional da Egito, até ao seu Cristo, ressurreto (39). 

Em meio a este discurso, é feita a citação a Davi, exatamente no verso 22. Lemos... " Davi, filho de Jessé, homem segundo meu coração – isto é Deus”. A citação é feita para dar substância e veracidade histórica à argumentação do apóstolo. Permitindo aos seus ouvintes, associarem Cristo, o redentor, aos fatos da história de Israel.  A citação do nome de Davi, ainda que honrosa, é feita para este benefício. Tenta, Paulo, assim, criar uma linha histórica, unindo os feitos de Deus no passado a Cristo. Seu argumento, que os judeus e prosélitos bem conheciam pela leitura do livro Primeiro de Samuel, cap. 13, atribuía a Cristo a autenticidade exigida e esperada do Messias de Israel.

É neste contexto que Davi é citado. Como um dos personagens de Israel que cumprira a vontade soberana de Deus. Lembra ainda, que Davi, como profeta, de si mesmo não falou, mas antecipou a vinda do Senhor. Que não falou de sua morte, mas da morte e ressurreição do Senhor. Tudo é apresentado para garantir que Deus por meio de Davi fez sua vontade, falando do Cristo eterno, que venceria a morte.

Não podemos atribuir a Davi, nesta passagem, realce maior que aos demais personagens citados. Os nomes de João Batista, Abraão, Moisés... Até do romano Pilatos participam do texto como pessoas que livremente cumpriram a vontade santa e irrevogável do Senhor. O ensino nos conduz para aprendermos sobre a importância da vontade do nosso Deus em Cristo Jesus.


Portanto, a ênfase dada Davi é equivocada e retira do texto, aquilo que o texto ensina... 

Deus é soberano e fará toda sua vontade. Não podemos perder de vista que todas as promessas de Deus se cumprem no Senhor da redenção. Jesus, o cristo de Deus.